Saretta cobra efetividade na proteção às mulheres diante do aumento brutal de feminicídios


03/11/2026 - 16h30min

Saretta cobra efetividade na proteção às mulheres diante do aumento brutal de feminicídios

Foto: Rodrigo Corrêa / Agência Alesc

O deputado Neodi Saretta (PT) destacou nesta terça-feira (03), na sessão plenária da Assembleia Legislativa (Alesc), a necessidade de fortalecer a rede de proteção às mulheres diante do aumento brutal dos casos de feminicídios em Santa Catarina.

“Segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública, até 27 de outubro de 2026, 46 mulheres foram mortas. No mesmo período do ano passado, foram registrados 38 casos, o que representa um crescimento de aproximadamente 21%”, pontuou.

Para Saretta, os números revelam uma realidade que exige atenção permanente do poder público. O parlamentar ressalta que o feminicídio é o estágio mais extremo de um ciclo de violência que começa com ameaças, humilhações, controle, intimidação e agressões psicológicas e físicas.

“Quando falamos em feminicídio, não estamos falando apenas de assassinatos. Estamos falando de uma violência que muitas vezes começa dentro de casa e vai se agravando até chegar à sua forma mais extrema, que é a morte. São mulheres que eram mães, filhas, irmãs, amigas, profissionais, que tinham sonhos, planos, famílias e uma vida inteira pela frente”, afirmou.

Capacidade de resposta

Para evidenciar as dificuldades enfrentadas pelas vítimas, Saretta citou o caso de uma mulher de 38 anos, que possuía medida protetiva contra o ex-companheiro em Ipira, no Meio Oeste catarinense. Ela chegou a acionar o botão do pânico para pedir ajuda, mas foi encontrada morta pouco tempo depois.

“O episódio levantou questionamentos sobre a capacidade de resposta dos mecanismos de proteção, especialmente quando a mulher já denunciou o agressor e está sob medidas judiciais de segurança”, disse.

Segundo ele, a proteção precisa funcionar na prática, especialmente para as mulheres que já tiveram coragem de denunciar e buscar ajuda porque estão correndo risco de morte.

Medidas protetivas

Outro dado que chamou a atenção do deputado foi o número de medidas protetivas requeridas em Santa Catarina. Conforme levantamento do Tribunal de Justiça, foram 25.665 solicitações entre janeiro e setembro de 2026. Em 2025, durante o ano inteiro, foram 31.655 pedidos.

“Quando minha assessoria trouxe esse número, pedi que conferisse novamente, porque são altíssimos. São mais de 25 mil medidas protetivas solicitadas em apenas nove meses, entre janeiro e setembro de 2026. Isso mostra que a violência contra a mulher está muito presente na nossa sociedade e vai muito além dos casos que terminam em feminicídio”, destacou.

O deputado defendeu que o enfrentamento à violência contra as mulheres precisa ir além da punição dos agressores depois que o crime acontece. Para ele, é necessário investir em prevenção, educação, acolhimento das vítimas, fiscalização do cumprimento das medidas protetivas e atendimento rápido às famílias atingidas pela violência.

Saretta também ressalta que a violência doméstica não pode ser tratada como um problema particular, pois suas consequências atingem filhos, familiares e toda a sociedade.

“Precisamos garantir que nenhuma mulher tenha medo de viver, de encerrar um relacionamento ou simplesmente de exercer sua liberdade. Por trás de cada feminicídio existe uma família que nunca mais será a mesma. Nosso compromisso deve ser com uma sociedade em que nenhuma mulher perca a vida por querer viver a própria vida.”

Foto: Rodrigo Corrêa/Agência Alesc

Juliana Wilke–
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