Bets tornam-se principal meio de endividamento das famílias, alerta Saretta


30/06/2026 - 13h50min

Bets tornam-se principal meio de endividamento das famílias, alerta Saretta

Foto: Rodrigo Corrêa/Agência Alesc

O deputado Neodi Saretta (PT) chamou atenção nesta terça-feira (30), na tribuna da Assembleia Legislativa (Alesc), para o crescimento das apostas online no Brasil e seus impactos no endividamento das famílias. Segundo ele, o avanço das chamadas bets já configura um problema social, econômico e de saúde pública de grande proporção.

Saretta destacou a forte presença da publicidade dessas plataformas em transmissões esportivas, especialmente em jogos de futebol. “Hoje, basta assistir a uma partida de futebol, especialmente da Copa do Mundo, para perceber o tamanho da exposição às apostas esportivas.”

O parlamentar, que é autor da Lei Estadual nº 19.465/2025, que proíbe o acesso a sites de apostas em equipamentos e órgãos públicos de Santa Catarina, criticou a intensidade da divulgação e o alcance da propaganda.

“São crianças, adolescentes, trabalhadores, aposentados e famílias inteiras sendo bombardeados por mensagens que vendem a ilusão do dinheiro fácil: ‘Faça sua aposta’, ‘Ganhe um dinheiro extra’, ‘Resolva seus problemas financeiros’”.

Saretta também rebateu a interpretação de que o endividamento das famílias brasileiras estaria ligado principalmente a programas sociais, ou de renegociação de dívidas, como o Desenrola, promovidos pelo governo Lula.

“Um estudo revelou que as bets se tornaram o principal fator de endividamento das famílias brasileiras, superando os juros altos, o crédito tradicional e o tempo que a dívida fica em aberto somados”, afirmou, citando levantamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) em parceria com a FIA Business School, que apontou o impacto das apostas no endividamento.

Crescimento de 500% em três anos

O deputado Saretta afirmou que as apostas online movimentaram cerca de R$ 240 bilhões em 2024 e aproximadamente R$ 350 bilhões em 2025 no Brasil, além de registrar um crescimento de cerca de 500% em apenas três anos, alcançando mais de R$ 30 bilhões mensais em 2026.

Ele também citou levantamento da CNDL e do SPC Brasil indicando que cerca de 39,5 milhões de brasileiros tiveram contato com apostas online nos últimos 12 meses, sendo que aproximadamente 7,5 milhões, ou 19%, admitiram ter comprometido parte da renda com jogos de azar.

Outro dado mencionado pelo parlamentar aponta que a inadimplência associada às bets teria retirado cerca de R$ 143 bilhões do comércio varejista entre 2023 e 2026.

“Atrás de cada estatística existe uma família que deixou de comprar alimentos, de pagar a conta de luz, de adquirir medicamentos ou de honrar o financiamento da casa para tentar recuperar o dinheiro perdido em apostas”, afirmou Saretta, destacando ainda os impactos na saúde mental.

Segundo ele, “o jogo compulsivo é uma doença reconhecida, que compromete a saúde mental, provoca ansiedade, depressão e conflitos familiares”.

Saretta defendeu medidas mais rigorosas para enfrentar o problema. “Precisamos discutir a proibição ou limites para a publicidade dessas plataformas, fortalecer a educação financeira e ampliar a rede de atendimento em saúde mental. Não podemos permitir que a ilusão do ganho fácil destrua sonhos e comprometa o orçamento das famílias”, destacou.

Juliana Wilke

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