Dos Gabinetes – Polícia Ambiental será o elo entre agricultores e javalis


08/11/2010 - 18h54min

Polícia Ambiental será o elo entre agricultores e javalis

Polícia Ambiental será o elo entre agricultores e javalis

Durou pouco mais de três horas a reunião que discutiu soluções legais e viáveis para controlar a proliferação de javalis na Serra catarinense. O encontro, solicitado pelo deputado Elizeu Mattos (PMDB) e que reuniu representantes de órgãos ambientais de Santa Catarina e agricultores da região aconteceu na última sexta-feira (5) na Associação dos Municípios da Região Serrana (Amures), em Lages, e foi liderada pelo secretário de Estado da Agricultura, Enori Barbieri, e pelo presidente da Amures, Janerson Furtado (Teba).
Na oportunidade, duas medidas foram tomadas, uma a curto e outra a médio e longo prazos. A primeira envolverá caçadores profissionais e produtores com registros de arma que serão credenciados e orientados pela Polícia Militar Ambiental no abate dos animais. A segunda começará a ser projetada em fevereiro do ano que vem.
Segundo Elizeu, não se sabe quantos javalis existem na região, mas calcula-se que são entre 1.500 a 2 mil. Eles estão devastando as lavouras dos agricultores serranos, sobretudo nas cidades de Campo Belo do Sul e Cerro Negro. Os animais se proliferam muito rapidamente. A fêmea, que lidera os grupos, cria três vezes a cada 14 meses e cada ninhada é composta em média de seis filhotes. Além dos estragos agrícolas e da ameaça à fauna local, outra preocupação é com a febre aftosa. O animal pode transmitir a doença aos porcos domésticos criados para exportação e isso trará grandes prejuízos aos catarinenses, especialmente à região do Oeste do Estado. Classificado como “animal exótico”, o javali causa, ainda, desequilíbrio ao ecossistema e se tornou uma praga, podendo ameaçar, inclusive, a vida dos agricultores. Dificilmente uma pessoa poderá se livrar do ataque de um animal selvagem que pesa entre 200kg a 300kg.

Tomada de decisões

A ação emergencial é abater os animais. Para isso serão usadas as normas estabelecidas por uma portaria emitida pela Secretaria de Estado da Agricultura em 2006, assinada pelo então titular da pasta, Antonio Ceron, e aceita pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ela autoriza o abate do javali asselvajado quando este se torna uma ameaça à saúde pública, animal ou à agricultura.
Entre as normas a serem seguidas estão a não instalação de armadilhas e uso de cães e a exigência de apresentar ao Ibama relatórios sobre o abate controlado dos animais. Os agricultores só poderão matar o javali dentro de suas propriedades. No caso da região serrana, um grupo de caçadores profissionais (existem 30 cadastrados e aptos) vai auxiliar na iniciativa.
A Polícia Militar Ambiental fará o cadastro dos caçadores e dos agricultores em condições e somente eles poderão atuar no abate. Não serão aceitos caçadores de outras regiões, pois se trata de abate técnico e com autorização, inclusive, da Polícia Federal. Para matar um javali é preciso usar armas calibres 12, 16 ou 20, segundo especialistas. O animal tem couro espesso, podendo chegar a cinco centímetros no pescoço.
O segundo passo, este a médio e longo prazo, é fazer um levantamento da população de javalis em todo o Estado. Para isso serão chamados biólogos do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), campus da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Lages. Feito o levantamento se saberá quantos animais deverão se abatidos. Para esse processo serão usados currais e os animais atraídos com ceva. Não se sabe qual o custo para fazer um curral e os convênios serão formados após todo o levantamento técnico.
O deputado Elizeu Mattos aponta a possibilidade de os animais serem recolhidos vivos e abatidos em frigorífico. A carne, após inspecionada e recebendo o controle de sanidade, seria destinada a instituições que prestam serviços sociais. Mas para isso será preciso alterar a legislação que não permite, hoje, a retirada do animal da propriedade. Só é permitido o consumo interno, incineração ou sepultamento do bicho. Essa segunda etapa de controle vai ter início em fevereiro, sendo aplicada, na prática, no inverno de 2011, melhor época para atrair os animais aos currais, segundo os biólogos.
Participaram ainda da reunião o tenente da Polícia Militar Ambiental, Frederik Rambusch; o delegado da Polícia Federal, Nelson Napp; o promotor de Justiça Ambiental, Lio Marcos Marin; o gerente da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), Fabio Bento, e agricultores de vários municípios da região.

Gabinete do Deputado Elizeu Mattos
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