
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou nesta quarta-feira (28) pedido de informação proposto pelo deputado Padre Pedro Baldissera (PT) para que autoridades estaduais da segurança pública expliquem o atropelamento do motociclista Pedro Henrique Ely, de 24 anos, no bairro Ingleses, em Florianópolis, pelo condutor de uma viatura da Polícia Militar Rodoviária (PMRv). Ele foi violentamente atingido por policiais que conduziam a viatura militar quando comemorava a vitória eleitoral do presidente Lula, no último domingo (25).
Depois de ter sido violentamente derrubado pela viatura da PMRv, o jovem foi autuado em flagrante, mesmo com ferimentos graves. Levado a um hospital, constatou-se que Pedro Ely havia sofrido fratura exposta em uma das pernas e por isso passou por cirurgia emergencial. Ele teve a liberdade provisória concedida nesta terça-feira (27) pela Justiça de Santa Catarina, que determinou a apuração da conduta dos policiais.
“Esse tipo de violência precisa ser contido. É inadmissível que o ódio na política se transforme em ações que punem os que pensam diferente. Por isso exigimos explicações do governador Jorginho Mello e do seu secretário de Segurança Pública Flávio Graff. Como o próprio nome diz, a força de segurança do estado deve existir para dar segurança e não gerar o medo”, disse Padre Pedro.
O pedido de informação do deputado Padre Pedro também traz questões sobre a repressão à comemoração em Ingleses, no mesmo dia, na qual um policial disparou tiros com arma de munição não letal no rosto de um jovem desarmado que comemorava a vitória eleitoral.
As perguntas que o governo do estado tem de responder
Estas são as 18 questões enviadas ao secretário de Segurança Pública Flávio Graff no pedido de informação proposto pelo deputado Padre Pedro e aprovado pela Assembleia Legislativa:
1. Qual foi a justificativa operacional para a manobra que levou a viatura a atravessar o canteiro central e atingir a motocicleta?
2. Quais provas comprovam a alegada fuga do motociclista Pedro Ely e as condutas atribuídas a ele antes da colisão?
3. A viatura apresentou falha mecânica? Qual foi o resultado da inspeção técnica realizada após o acidente?
4. Por que a primeira nota oficial da Polícia Militar, que mencionava a frenagem da viatura e da motocicleta, foi retirada ou alterada?
5. Quais elementos técnicos sustentam essas informações?
6. Quais registros operacionais e documentos da guarnição e da central de operações foram utilizados para reconstruir a dinâmica da colisão?
7. Qual procedimento foi instaurado para apurar a conduta dos policiais envolvidos, quais diligências foram realizadas e quais medidas administrativas foram adotadas?
8. Quais fatos concretos fundamentaram a decisão de utilizar munição de impacto controlado durante a manifestação de 26 de outubro de 2026 no bairro Ingleses, em Florianópolis?
9. Qual foi a justificativa para cada um dos seis disparos informados pela Polícia Militar e quais alternativas foram avaliadas antes do emprego da força?
10. A pessoa atingida no rosto foi identificada? Qual foi a gravidade da lesão, qual atendimento médico recebeu e quais providências foram adotadas para apurar o disparo?
11. Quais provas comprovam as agressões alegadas contra a guarnição e qual foi a sequência dos acontecimentos entre o cercamento da viatura e os disparos?
12. Quem efetuou os disparos e quem determinou ou autorizou seu emprego? Quais providências foram adotadas para apurar a responsabilidade dos agentes?
13. Qual procedimento foi instaurado para apurar os disparos e o ferimento relatado, quais diligências foram realizadas e quais conclusões foram formalizadas?
14. Quais medidas foram adotadas para garantir a imparcialidade das investigações e confrontar as versões dos policiais com os demais elementos de prova?
15. Quais informações e documentos foram encaminhados ao Ministério Público de Santa Catarina e aos demais órgãos de controle sobre os dois episódios?
16. Quais providências concretas foram adotadas pelo governo do estado para apurar eventuais responsabilidades e prevenir a repetição de ocorrências semelhantes?
17. Por que a Polícia Militar não utiliza as câmeras corporais?
18. É procedimento padrão um oficial da Polícia Militar apontar sua arma no rosto de um cidadão desarmado? Qual a explicação técnica ou de outra ordem, para essa estratégia?
Foto: Rodrigo Corrêa/Agência Alesc
Assessoria de Imprensa do deputado Padre Pedro Baldissera
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