Dos Gabinetes – Nos 175 anos da PM, mais uma discriminação salarial é aprovada na Alesc


05/05/2010 - 21h59min

Deputado Sargento Amauri Soares (PDT)

Deputado Sargento Amauri Soares (PDT)

No dia em que se comemora 175 anos da Polícia Militar, mais uma proposta salarial discriminatória do governo do Estado foi aprovada pela Assembleia Legislativa, através da Medida Provisória nº 169/2010. A MP concede gratificação de R$ 250 para os praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, divididos em três vezes, e R$ 2 mil para os oficiais – uma diferença de oito vezes.
“A proposta do governo é discriminatória, pois concede R$ 2 mil para menos de 5% do efetivo e apenas R$ 250 para imensa maioria, que é quem realmente faz segurança pública nesse Estado”, criticou o deputado Sargento Amauri Soares, líder do PDT.
Como as emendas do parlamentar foram negadas em votação na Comissão de Finanças e Tributação, o parlamentar apresentou as mudanças para ser apreciadas em destaque no Plenário. As emendas visavam garantir a proporcionalidade de quatro vezes entre o maior e menor salário da segurança pública, conforme determina a Lei Complementar 254/2003. As alterações foram sugeridas pela assembleia geral dos praças, realizada no dia 30 de março.
No entanto, as emendas foram derrubadas pela maioria governista. Além de seu voto, os destaques receberam o apoio dos deputados Darci de Matos e César Souza Júnior, ambos do Democratas. “Em minha compreensão a MP 169 é ilegal e possibilita ação na Justiça”, criticou.
Contrário à votação da MP, em protesto, o deputado Sargento Soares se retirou do Plenário para não votar a discriminação. “Jamais votaria em qualquer medida salarial discriminatória contra os praças ou qualquer outro segmento do serviço público estadual. Não consigo votar favoravelmente e não quero votar contrário”, justificou.

Golpe

Durante a tramitação da MP nº 169 na Comissão de Finanças e Tributação, o deputado Sargento Soares apresentou um pedido de vista à matéria em gabinete, exercendo as prerrogativas de seu mandato. No entanto, o pedido foi negado pelo presidente da comissão e relator da matéria, deputado Marcos Vieira (PSDB).
Soares argumentou que a Constituição do Estado, adequada através de emenda aprovada no ano passado, determina que o prazo de tramitação de medida provisória é de 60 dias. Disse ainda que a MP 169 estava sob a guarda do relator desde o dia 4 de abril, e ele demorou um mês para apresentar sua relatoria. “Não vou admitir esse desrespeito porque Vossa Excelência está atropelando a legitimidade e o direito de um parlamentar pedir vista”, protestou durante a reunião da comissão, se dirigindo ao deputado Vieira.
Além do mais, outras medidas provisórias que tem a mesma data de entrada na Alesc ainda estão tramitando, mesmo com o prazo esgotado. “O relator esperou esgotar o prazo para apresentar o relatório aos 45 minutos do segundo tempo e impediu o pedido de vistas, argumentando que o prazo estava vencido. Mas o mesmo deputado também é relator da MP 170, a qual ele não apresentou parecer ainda”, explicou.
Em Plenário, o deputado denunciou. “Registro meu repúdio veemente ao golpe de pela primeira vez não ser concedido pedido de vistas à uma matéria em tramitação. É um golpe ao debate. Nenhum outro deputado, a não ser o próprio relator, teve oportunidade de legislar sobre a MP 169”.
O deputado apresentou dois recursos junto à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa para assegurar seu direito de pedir vista. No entanto, um dos recursos foi negado em Plenário, pela maioria governista, e outro foi indeferido pelo presidente da Alesc.

Alexandre Brandão
Assessor de imprensa do gabinete do deputado Sargento Amauri Soares
(48) 9911-0272 e 3221-2640
contato@sargentosoares.com.br / www.sargentosoares.com.br

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