
O deputado estadual Dirceu Dresch (PT) ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa, nesta quarta-feira (07), para criticar a posição de representantes das agroindústrias. Eles alegam que a mobilização de agricultores familiares integrados dificulta novos investimentos em Santa Catarina. “Quando agricultores reivindicam direitos, não podem ser tratados como sendo contrários ao desenvolvimento do Estado. Isso é um absurdo gigantesco.”
O parlamentar reconhece a importância do sistema de produção integrada, mas diz que há um problema profundo no sistema de integração, que se agrava a cada ano e que precisa ser revisto e corrigido. Conforme Dresch, não é a primeira vez que as agroindústrias ameaçam deslocar investimentos para outros estados quando os agricultores familiares se mobilizam para cobrar seus direitos e melhorar a relação contratual.
“A cada crise, reaparece esse discurso discriminatório e inescrupuloso. Em 1996, foi a mesma ameaça, algumas empresas até tentaram, mas não obtiveram bons resultados. Acontece que nas outras regiões do país as empresas não encontram algo que é crucial para a produção integrada, que são os agricultores familiares e suas famílias, com as características de vida e de cultura que têm os produtores da região sul”, ressaltou Dresch.
O deputado solicitará a realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa para que a sociedade conheça a realidade e os problemas enfrentados pelos agricultores integrados da cadeia produtiva de aves. “Além da baixa remuneração e do endividamento, os produtores sofrem com uma relação contratual desequilibrada que estabelece mais obrigações que direitos”.
Levantamento feito pela Fetraf-Sul mostra que, enquanto o consumidor final paga em torno de R$ 4,50 por um frango, o agricultor familiar ganha da agroindústria R$ 0,35 (trinta e cinco centavos) para criar a ave. O valor não compra um bombom do tipo “sonho de valsa”, que vale R$ 0,55 no supermercado. “É preciso se fazer respeitar. Não é admissível pagar para trabalhar”, opina Dresch.
Ele cita ainda um estudo da Embrapa e da Unochapecó, que revela que o agricultor está arcando com um prejuízo de cerca de R$ 1,7 mil por lote produzido, para um aviário de 100 metros quadrados, automatizado. Os dados mostram também que apenas 4,2% dos agricultores integrados de aves ganham o suficiente para cobrir os custos de produção, acima de R$ 7 mil por lote. O restante recebe abaixo disso, sendo que 60% recebem menos de R$ 4 mil.
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Deputado Estadual Dirceu Dresch – PT/SC
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