
Comissão debate coleta inteligente e reciclagem para municípios catarinenses
A Comissão de Assuntos Municipais abriu espaço, nesta quarta-feira (29), para o debate sobre a estruturação de um projeto estadual em favor da reciclagem de lixo.
O deputado Berlanda (PSD) dirigiu o encontro com três empresários que pretendem obter apoio público para o desenvolvimento de um programa tecnológico que, inicialmente, se aplicaria a municípios de pequeno porte, em especial os 211 que têm menos de 20 mil habitantes.
Experiência exitosa em Lebon Régis apresenta resultados em reciclagem
Dirnei Ferri, da startup de tecnologia para gestão inteligente de resíduos Inventus Ambiental, já desenvolve uma proposta piloto no município de Lebon Régis, onde a administração local reduziu custos de coleta em 30% e obteve 35% de reciclagem sobre o lixo destinado para o aterro sanitário.
Em Florianópolis, está em andamento um projeto piloto, direcionado para o bairro Carianos.
Com o sociólogo Gustavo Rittl, especializado em planejamento territorial de cidades, voltado ao lixo zero, e o alemão Jacel Sobczyk, que se dedica a desenvolvimento de estratégias e modelos de negócios, a ideia é apresentar uma proposta ao governo estadual, com respaldo legislativo da Comissão, para criar um programa de apoio aos municípios, ficando a parte operacional a ser gerida pelas administrações locais, com empresas que julgarem capacitadas em cada ambiente.
Gestão de resíduos é apresentada como oportunidade econômica e ambiental
“O lixo é um problema recorrente, sério, histórico, e precisa de um encaminhamento prático e objetivo”, diz Dirnei Ferri.
“Queremos encaminhar um novo pensamento, de como resolver um problema que parece não ter solução”.
Segundo ele, Santa Catarina gasta anualmente R$ 420 milhões para levar lixo a aterros ambientais, “fazendo um dinheiro limpo se transformar em passivo ambiental”.
Segundo informou, a oportunidade é recuperar R$ 630 milhões com reciclagem, R$ 126 milhões em compostos orgânicos e gerar até R$ 317 milhões em gás biometano. “São mais de R$ 1 bilhão desperdiçados todos os anos”.
Soluções para habitação popular ampliam debate sobre reaproveitamento
Além disso, os resíduos sólidos podem ser utilizados para criar blocos utilizáveis em construção de habitações populares. Dirnei calcula que anualmente poderiam ser criadas 21 mil casas populares com 56 metros quadrados.
O alemão Jacel Sobczyk lembra que na Europa o índice de reaproveitamento do lixo já supera 82% dos resíduos. Segundo ele, um planejamento adequado de aproveitamento do lixo pode “criar experiências e soluções baratas e eficientes”.
Nesse sentido , Gustavo Rittl contou que a implantação da coleta inteligente, numa experiência introduzida pela empresa que opera no norte da Ilha de Santa Catarina, em Florianópolis, garantiu 35% na redução de custos. “A maior parte dos municípios não tem conhecimento das vantagens que podem ser obtidas”.
Comissão avalia proposta de apoio estadual e linha de crédito para municípios
Berlanda vai encaminhar o assunto ao presidente da Comissão, Tiago Zilli (MDB), e aos demais integrantes do colegiado. Ele sugeriu que o Parlamento abra espaço para o assunto chegar à Secretaria de Desenvolvimento Sustentável.
“Quem sabe o caminho esteja na criação de uma linha de crédito, visando um projeto que estimule a adesão dos municípios a coleta inteligente do lixo”
Deputado
Berlanda
ALESC EXPLICA
Um programa estadual para incentivar coleta inteligente e ampliar a reciclagem nos municípios catarinenses.
Projetos-piloto em Lebon Régis e no bairro Carianos, em Florianópolis.
Municípios de pequeno porte, especialmente os com menos de 20 mil habitantes.
Redução de custos, aumento da reciclagem, aproveitamento econômico dos resíduos e geração de soluções sociais.
A criação de apoio institucional e eventual linha de crédito para adesão dos municípios.

