Privatização do sistema elétrico será o fim da energia como bem público, afirma Dresch


05/10/2017 - 15h26min

Eletricitários lotaram as dependências do Auditório Antonieta de Barros

Eletricitários lotaram as dependências do Auditório Antonieta de Barros

Conforme deputado, venda do sistema Eletrobras vai extinguir subsídios aos agricultores, das famílias carentes e aumentará custo das empresas

A Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia, Minas e Energia da Assembleia Legislativa promoveu, nesta quarta-feira (4), audiência pública para debater a privatização do sistema elétrico nacional e suas implicações na economia, fornecimento e preço. Durante o evento, organizado pela Frente Parlamentar em Defesa das Empresas e Serviços Públicos, foram debatidas as consequências da alteração do marco regulatório e abertura de mercado no setor elétrico, com a privatização das Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – Sistema Eletrobras.

Trabalhadores da Eletrosul, empresa catarinense que compõe o sistema Eletrobras, eletricitários e representantes de entidades sindicais e do movimento social lotaram o auditório Antonieta de Barros.  Os participantes criticaram duramente a privatização, defenderam que o governo federal faça a reabertura das consultas públicas sobre mudanças no modelo energético do país e apontaram para  uma campanha com os  deputados federais e senadores catarinenses para que votem contra a privatização.

Na condução do debate, como vice-presidente da Comissão de Economia, o deputado Dirceu Dresch (PT)  afirmou que que a medida, além de afrontar a soberania nacional, será um crime contra o patrimônio do Brasil. "Temer quer vender um patrimônio construído ao longo de 64 anos, que consumiu mais de R$ 400 bilhões em investimos, pela bagatela de R$ 20 bilhões. Esse valor é  metade do que custou a usina de Belo Monte.  Vão entregar o maior sistema gerador de energia elétrica da America Latina  e deixar o povo, a economia do país, refém do humor do mercado, dos interesses das multinacionais. Nenhum país do mundo faz isso. Energia elétrica é questão de segurança nacional."

O deputado também alertou para os impactos da medida para a competitividade das empresas brasileiras diante da iminência do aumento no custo da energia. "Onde estão as entidades representativas da indústria, do comércio? A energia elétrica é o mais  importante insumo no processo produtivo, privatizar significa que quem vai ditar as regras e os preços serão os conglomerados internacionais, significa energia mais cara, e isso prejudicará  a  competitividade brasileira. Subsídios que garantem energia elétrica mais barata para agricultores familiares e famílias de baixa renda deixaram de existir"

A Eletrobras pública garante a segurança energética do país, na opinião da diretora da Intersindical dos Eletricitários do Sul do Brasil, Ceci Maria Marimon Gonçalves. “No curto prazo, o aumento da tarifa pode chegar a 17%. Mas nós temos o histórico dos outros países onde o sistema elétrico foi privatizado, como Portugal, onde ocasionou um aumento de 50% na tarifa. Mais perto de nós, aqui na Argentina, a privatização ocasionou um aumento de 700% na tarifa”, pontuou Ceci. Ela acrescentou que o aumento da energia elétrica impacta diretamente toda a cadeia produtiva e gera desemprego.

De 1995 a 2016, a Eletrobras investiu R$ 144 bilhões (só perdeu para a Petrobras em investimentos). A empresa registrou lucro de R$ 3,5 bilhões em 2016.

Assessoria de Comunicação
Gabinete Deputado Dirceu Dresch – Líder do PT na Alesc
Fone/Whatsapp: 48 999440190

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