
Reunião em Corupá reuniu cerca de 200 produtores e lideranças de nove municípios e definiu encaminhamentos para apoiar o setor
O deputado Dr. Vicente Caropreso (União) participou, nesta quinta-feira (5), em Corupá, de uma mobilização organizada pela Associação dos Bananicultores de Corupá (Asbanco), que reuniu cerca de 200 produtores rurais e lideranças de nove municípios para discutir a grave crise enfrentada pela bananicultura catarinense. O encontro contou com representantes de cooperativas, associações e autoridades e definiu uma série de encaminhamentos emergenciais que serão apresentados ao governo do Estado, em reunião na Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária.
A bananicultura atravessa uma das piores crises dos últimos anos. Os agricultores enfrentam uma queda de aproximadamente 40% nos preços recebidos pela fruta, em um cenário agravado por uma combinação de fatores: condições climáticas adversas, que atrasam a colheita e comprometem o planejamento da produção; ampliação das áreas plantadas em outros estados, aumentando a oferta no mercado; e elevação expressiva dos custos de produção nos últimos anos.
A situação preocupa especialmente municípios como Corupá, Luiz Alves, Massaranduba, Schroeder e São João do Itaperiú, importantes polos produtores de banana em Santa Catarina.
Um dos aspectos que chama a atenção é o desequilíbrio entre o preço recebido pelo produtor e o valor pago pelo consumidor. Enquanto os agricultores recebem entre R$ 0,55 e R$ 0,80 por quilo da banana, nos supermercados o produto é comercializado por valores que variam de R$ 4 a R$ 7 o quilo. O valor pago ao produtor, em muitos casos, não cobre sequer os custos de produção.
Para Dr. Vicente, essa distorção evidencia que tanto quem produz quanto quem consome estão sendo prejudicados.
“O agricultor trabalha, assume os riscos da produção e, no final, recebe um valor muito abaixo do que gastou para produzir. Ao mesmo tempo, o consumidor chega ao supermercado e continua pagando caro pela banana. Ou seja, quem produz está tendo prejuízo e quem compra paga caro. Precisamos entender o que está acontecendo nessa cadeia e buscar equilibrio”, destacou o deputado.
O parlamentar também ressaltou que os impactos da crise vão muito além das propriedades rurais, atingindo diretamente o comércio, os prestadores de serviços e toda a economia regional. Colocou seu mandato à disposição para atuar como interlocutor entre os produtores, as entidades representativas e o poder público, defendendo a construção de um pacote de medidas emergenciais para garantir a sobrevivência da atividade.
Encaminhamentos e medidas emergenciais
Entre as prioridades definidas durante a reunião estão a articulação para solicitar a decretação de situação de emergência nos municípios afetados, a renegociação das dívidas dos produtores e a elaboração de um relatório técnico pela Epagri, com levantamento detalhado das perdas na produção e dos prejuízos econômicos. O documento deverá subsidiar os pedidos de apoio e demonstrar a dimensão da crise enfrentada pelos agricultores.
Outra medida será buscar, junto às instituições financeiras, a prorrogação dos vencimentos e o refinanciamento das dívidas rurais, incluindo a possibilidade de moratória e condições especiais para operações de custeio e financiamento agrícola. O objetivo é aliviar a pressão financeira sobre os produtores e garantir condições para a continuidade da atividade.
Também está entre os encaminhamentos a articulação para acelerar a tramitação, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), da proposta que institui o Programa de Fortalecimento da Bananicultura e Nutrição Escolar na rede pública estadual.
Para Dr. Vicente, a mobilização precisa resultar em respostas rápidas e efetivas do poder público.
“Estamos falando de famílias que dependem diretamente da bananicultura para viver. Não podemos deixar que uma crise dessa dimensão comprometa a continuidade de uma atividade tão importante para a nossa região e para Santa Catarina. Precisamos transformar essa mobilização em ações concretas e garantir condições para que o produtor continue trabalhando, produzindo e recebendo de forma justa pelo seu esforço”, reforçou o deputado.

