
A prorrogação do controle de cotas de importação do leite em pó, como garantia de mercado para produtores de leite locais, foi assunto de pronunciamento do deputado Moacir Sopelsa (PMDB) na sessão desta terça-feira (10). Ele defendeu pleito apresentado por lideranças da categoria ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence. As cotas foram estabelecidas para conter a entrada do produto argentino, e entidades como o Sindileite e Faesc temem efeitos da reabertura de mercado para cerca de 60 mil famílias, que fazem de Santa Catarina o sexto principal estado produtor de leite no país.
“A questão que aflige os produtores está no risco de desestabilização do mercado do leite nos próximos meses, se o governo federal não renovar o controle de cotas de importação do leite em pó argentino”, explicou Sopelsa. A solução depende da área econômica do governo federal e do Itamarati, já que o assunto envolve o livre comércio do Mercosul. “Particularmente, defendo, no plano agrícola, a proteção do produtor nacional. O mesmo vale para o alho, a cebola, se sobra, não deve importar”, diz o deputado.
Nos últimos meses houve uma leve recuperação na atividade. Mas é uma atividade de risco, e somente a escassez do produto do centro-oeste do Brasil criou melhores condições para os produtores de Santa Catarina, a partir do final de fevereiro, também devido à época de entressafra do leite. O preço pago ao produtor está em torno de R$ 0,80 por litro, com margem de lucro beirando 25% na atividade. Porém, Sopelsa observou que nos supermercados o preço médio de comercialização ultrapassa a R$ 2 por litro. “Quando baixa, é oferta. Ou seja, o produtor, de fato, ganha pouco”.
Com aumentos constantes do milho e da soja, os custos da atividade de pecuária estão em alta. Em março, o Índice de Custo de Produção de Leite – o ICPLeite, calculado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aumentou 4,95% frente a fevereiro. O reajuste mostra que os preços dos insumos utilizados nos sistemas de produção de leite continuaram a apresentar tendência crescente de alta, iniciada em junho de 2010. Entre janeiro e março a variação alcançou 9,45%. O impacto dos custos só não é maior porque a tendência para os próximos meses é de novas altas nos valores de comercialização.
As margens líquidas na atividade vêm se reduzindo ano a ano. “Na prática, o produtor percebe o efeito desta redução de margem pela necessidade de aumento de escala na produção. Em outras palavras, com o volume que era produzido há alguns anos, hoje em dia é insuficiente para manter o mesmo padrão de ganho”. Segundo o deputado, a atividade tornou-se cada vez mais arriscada, embora a melhoria de tecnologia na propriedade tenha compensado parte da perda com o aumento da produtividade. “Ou seja, é preciso produzir mais leite, com a utilização de novas técnicas, para ganhar menos”.
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