
Em pronunciamento no Plenário da Assembleia Legislativa, o deputado Sargento Amauri Soares (PDT) comentou a situação salarial dos servidores públicos da educação, saúde e segurança pública. Ele defendeu a manutenção dos valores atuais da regência de classe no contracheque dos professores, contrariando a última proposta apresentada pelo governo do Estado, que diminui o valor.
O parlamentar ainda manifestou seu apoio ao movimento grevista e destacou o apoio da população aos professores. “Essa é a vez que a sociedade catarinense mais tem refletido sobre esse assunto, justamente pela unidade do magistério e a concordância que o movimento é legítimo e precisa de uma saída negociada com ganhos e sem riscos de perdas”, afirmou na tarde de quarta-feira 15.
O deputado participou da assembleia dos servidores da saúde, promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores de Saúde Público Estadual (Sindsaúde), e informou sobre a negociação em andamento entre o governo e a representação da categoria. A Secretaria da Saúde apresentou o resultado das simulações da incorporação do abono de 16,76%, conquistado na greve de 2009.
“Não é um valor alto, de um piso salarial que é pequeno, mas incorporado à folha de pagamento incide sobre a hora plantão e o tempo de serviço, e tem sua importância”, explicou. Na mesa de negociação, ainda estão para se definir o prazo de execução da proposta – o governo quer 120 dias e o sindicato 60 dias – e o aumento do vale-alimentação, que hoje é de R$ 132 ou cerca de R$ 6 por dia.
Sargento Soares destacou o processo de negociação iniciado pelo sindicato junto ao Executivo – o que pode evitar a greve dos servidores, apesar da insatisfação salarial. Ele citou o caso dos funcionários dos hospitais de Joinville que, embalados pela greve dos servidores municipais e do magistério estadual, tinham decidido entrar em greve. “Tudo indica que a categoria vai aceitar essa proposta e a possibilidade de greve está quase descartada”.
Na segurança pública, a situação está mais dramática, pois não há nenhuma negociação em prática, afirmou o deputado, como policial militar e presidente da Associação de Praças do Estado (Aprasc), a maior entidade de representação da área. “Continuamos no pincel”, resumiu.
Os praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros querem o cumprimento da anistia (Lei Federal nº 12.191/2010) e o fim das atitudes discriminatórias. Hoje são 19 policiais excluídos, decorrentes do movimento de dezembro de 2008, e outros também estão na fila. No campo salarial, pedem a incorporação dos abonos, que hoje representam cerca de um terço do vencimento, para, segundo o deputado, “começar a reorganizar a tabela salarial”.
A categoria também quer o cumprimento do plano de carreira, com realização de cursos com mais vagas para cabos, sargentos e aperfeiçoamento de sargentos, a fim de promover a mobilidade funcional. “O travamento da carreira é uma angústia muito grande da nossa categoria. Temos soldados com 25 anos de serviço na mesma graduação. São 25 anos trabalhando para a sociedade sem receber uma promoção sequer. É uma situação indignante”, afirmou. Segundo deputado, existem cerca de 3 mil vagas abertas para serem preenchidas, “bastando apenas a iniciativa político-administrativa dos comandos e do governo”.
Alexandre Silva Brandão
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