Dos Gabinetes – Pesquisas exploram potencial da biomassa como fonte de energia renovável


31/08/2011 - 21h07min

A programação da 4ª edição do Sustentar – Fórum de Energias Renováveis e Consumo Responsável, que se encerra nesta quarta-feira (31) em Chapecó, incluiu a apresentação de pesquisas e experiências desenvolvidas para a geração de energia com base em tecnologias limpas, inovadoras e sustentáveis.
Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), estudo desenvolvido pelo setor de Ciências Agrárias, avalia a viabilidade do uso de microalgas na produção de biodiesel. De acordo com o professor Roberto Bianchini Derner, o uso das microalgas como biomassa é uma promessa com grande potencial, mas ainda em pesquisa. Destacou alguns gargalos, como a definição de métodos para obtenção desta biomassa e a adaptação de cada espécie de microalgas às diferentes condições de cultivo, como variações de clima e luminosidade.
Segundo o professor, o potencial biotecnológico das microalgas é grande, mas o uso comercial ou produção em escala industrial ainda demandam de pesquisas mais aprofundadas. “O desafio está em desenvolver sistemas de produção em larga escala, visando alcançar elevada produtividade nos cultivos, equacionando problemas relacionados à contaminação das culturas e buscando a viabilidade econômica”, disse.
Cenário do biodiesel – Luiz Carlos Borsuk, professor da Unochapecó, fez uma contextualização da agricultura familiar com base nos dados do Censo Agropecuário de 2006, que levantou detalhes deste segmento no país. Com base nestes dados o Governo Federal concebeu o Programa Nacional de Produção de Biodiesel (PNPB), que prevê efetiva participação da agricultura familiar para alavancar a produção deste combustível, de forma econômica, social e ambientalmente mais sustentável.
De acordo com Borsuk, no ritmo da produção, o programa prevê um mercado obrigatório para o biodiesel, evitando que seja apresentado ao consumidor apenas como opção, ficando vulnerável às variações do preço do petróleo. Conforme estabelecido pelo governo, a partir de 2014, será obrigatória a adição de 5% de biodiesel ao diesel brasileiro. Na bomba, estima-se que esta adição representaria, em valores atuais, um centavo de real no litro do combustível.
O programa também institui o Selo Combustível Social, oferecendo benefício fiscais às empresas participantes, que devem adquirir parte da matéria-prima dos agricultores familiares (mínimo de 30% para a região Sul). Apesar de ser um bom negócio, Borsuk avalia que é preciso avançar na inclusão social e nas questões ambientais, além de aumentar a adição do biodiesel ao diesel. “A tendência é o aumento do consumo de combustíveis, então o caminho é pensar formas mais sustentáveis para isso”, concluiu.
Tudo se transforma – A geração de energia a partir do aproveitamento de resíduos orgânicos foi o tema apresentado pelo engenheiro agrônomo Aleixo Dellagnelo, da AGE Tecnologias, Meio Ambiente, Saneamento e Ambiência. A empresa desenvolve plantas industriais de biodigestores, que produzem, por exemplo, gás metano. Para tanto, enfatizou Dellagnelo, o passo inicial é a separação dos resíduos orgânicos e um eficiente sistema de coleta seletiva. Ilustrou a palestra com o caso do município de Nova Esperança, no Paraná, que instituiu a obrigatoriedade da separação dos resíduos urbanos e a coleta seletiva.
Segundo o palestrante, em torno de 20% dos alimentos adquiridos para consumo doméstico acabam virando lixo, enquanto poderiam ser usados na geração de bioenergia, com alto índice de aproveitamento do potencial energético, uma vez que não passaram pelo processo digestivo humano. Por fim, comentou, enquanto no Brasil as usinas de biodigestão ainda são apenas projetos, cidades européias, como algumas visitadas por ele na Suécia, já transformam os resíduos orgânicos em combustível para o transporte coletivo.
Carla Coloniese | Assessoria de Imprensa Liderança do PT na Alesc

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