
Os mais de 500 participantes do Seminário Estadual das Casas Familiares Rurais de Santa Catarina, que começou na segunda-feira (11) e vai até a quarta-feira (13), em Florianópolis, participaram da sessão ordinária da Assembleia Legislativa, na tarde desta terça-feira (12). Representantes do grupo também tiveram espaço na tribuna, para apresentar o trabalho das Casas Familiares e uma pauta de reivindicações ao governo do Estado. O espaço na tribuna foi solicitado pelo deputado Padre Pedro Baldissera (PT) com a concordância dos líderes de bancada.
As Casas Familiares Rurais tiveram seu embrião na França, em 1935. Os pais e mães de um povoado rural naquele país criaram um espaço em que o ensino era direcionado à realidade da agricultura e à necessidade de fazer chegar às pequenas propriedades as evoluções tecnológicas da época. Com um modelo chamado de “pedagogia da alternância”, os jovens traziam a realidade de suas propriedades para as casas, aperfeiçoavam seus conhecimentos e retornavam para aplicar o aprendizado nas suas famílias. O modelo no Brasil é idêntico e iniciou nos anos 80, consolidando-se a partir do final da década de 90.
“É um modelo eficiente porque não retira os jovens de sua realidade no campo, mas aproveita tudo que eles já carregam para o aprendizado e as experiências técnicas. Depois eles aplicam o que aprenderam na sua realidade e o que observamos é que esse sistema contribui inclusive para reduzir o êxodo rural”, afirma o deputado Padre Pedro Baldissera.
Recursos do Estado
Fábio Noronha, 21 anos, se formou no ensino médio em 2004. Dois anos depois retornou para ingressar numa das 20 casas familiares rurais de SC. “Consegui organizar o que havia aprendido até então e a ligação direta com o que eu via na nossa terra me ajudou a, quando retornei, melhorar o trabalho da minha família no campo”, disse em seu depoimento aos deputados, na tribuna da Assembleia. Junto de Lídia Zandoná, mãe de um aluno da Casa Familiar Rural, e do presidente das Casas Familiares em SC, Natalino Lovera, Fábio solicitou a inclusão de emenda no orçamento do Estado, destinando recursos para as casas catarinenses.
“Falta crédito para estes jovens quando eles retornam às pequenas propriedades, mas principalmente, se conseguirmos apoio para ampliar o trabalho das Casas nós podemos melhorar a realidade de toda agricultura no interior”, destacou Lídia, em um depoimento emocionado sobre as dificuldades das famílias da agricultura e a necessidade de políticas de inclusão dos jovens do campo.
Hoje, as 20 Casas Familiares de SC atendem a mais de 80 municípios, atingindo 4 mil famílias de agricultores e pescadores artesanais. A formação profissional é de nível médio, em cursos como Técnico em Recursos Pesqueiros, Técnico em Zootecnia, Técnico em Agricultura, Técnico em Agronegócios da Pequena Propriedade, Ensino Médio com Qualificação em Agricultura e Ensino Fundamental.
Seminário
O Seminário em Florianópolis debateu o Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, Novas Alternativas de Produção para a Agricultura Familiar e a Pedagogia da Alternância como metodologia de formação profissional nas Casas Familiares Rurais. Entre os vários destaques do evento estão o belga Pedro Puig, Assessor Pedagógico da Associação Internacional dos Movimentos Familiares de Formação Rural (AIMFR) e o Dr. Roberto Garcia Marirrodriga, da Espanha, que tratou o tema Pedagogia da Alternância e o Desenvolvimento Sustentável.
Cássio Turra
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