Dos Gabinetes – Audiência pública defende apuração de crimes praticados pelo regime militar


09/11/2011 - 13h46min

Participantes dizem não ao projeto que modifica o nome da Rodovia Deputado Paulo Stuart Wright
Sentimentos de emoção e pedido de justiça marcaram a audiência pública que tratou da abertura dos arquivos secretos do regime militar e do apoio à Comissão Nacional da Verdade, realizada na noite de terça-feira (8), na Assembleia Legislativa, por proposição do deputado Dirceu Dresch, líder do PT.
O encontro reuniu representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, do Ministério Público Federal, de universidades, sindicatos, organizações sociais, políticas e de direitos humanos, familiares de vítimas do regime militar provenientes de diversos municípios catarinenses e ex-presos políticos, entre eles os escritores catarinenses Salim Miguel e Eglê Malheiros, que narraram situações por que passaram nesse período de luta pela democracia. Outra presença marcante foi João Paulo Wright, filho do ex-deputado catarinense Paulo Stuart Wright, desaparecido no período da ditadura militar.
Entre os encaminhamentos retirados na audiência está uma moção, proposta pelo Coletivo Catarinense pela Memória, Verdade e Justiça, contra o projeto de lei 199/2011, proposto pelo deputado Gilmar Knaesel (PSDB), que altera o nome da SC-414, que liga a BR-101 ao município de Penha, hoje denominada Rodovia Paulo Stuart Wright. “Aprovar o PL 199 é cassar Paulo Stuart Wright pela segunda vez”, disse Ricardo Maes, oficial de justiça integrante do Coletivo Catarinense.
A audiência também definiu apoio à criação de um memorial e de uma Lei da Memória Histórica em Santa Catarina e a instituição do Dia Estadual do Desaparecido Político (4 de setembro). Segundo Dresch, aproximadamente 400 pessoas foram presas em Santa Catarina na época da ditadura e 14 foram consideradas desaparecidas pela justiça, sendo que dessas, três ainda não tiveram seus corpos localizados.
Também foi definida a criação de um grupo de trabalho para acompanhar o andamento da Comissão Nacional da Verdade, criada para apurar os crimes cometidos no regime militar, de 1946 a 1984. “Devemos mobilizar a sociedade e pressionar para que a Comissão da Verdade possa realmente revelar a verdade”, frisou Dresch.
Assessoria de Imprensa
Deputado Dirceu Dresch
Líder do PT na Alesc
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