Deputada Luciane Carminatti: “Voltar às aulas ainda não é seguro”


02/07/2020 - 20h40min

Deputada Luciane Carmintti

Deputada Luciane Carmintti

FOTO: Fábio Queiroz/Agência AL

"Na condição de Presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Assembleia Legislativa de Santa Catarina manifesto minha preocupação com o retorno às aulas presenciais.

Dadas as condições epidemiológicas e acompanhando o crescimento significativo da Covid-19 nas seis mesorregiões, não é possível garantir a volta às aulas de forma segura.
Nesta terça (30), SC alcançou o maior número de mortes em um dia desde o início da pandemia,
17 ao todo, além de 1,2 mil novos casos em apenas 24 horas.

De acordo com o último balanço divulgado pelo Núcleo de Estudos da Economia Catarinense da UFSC (Necat), se a situação que vivemos hoje no estado se mantiver, afirmo que não existe condição de volta às aulas no mês de agosto: o contágio acelerou nos últimos 30 dias e continua se espalhando pelas cidades do interior. Algumas, inclusive, registram surto epidêmico.

Desde maio temos registrado aumento considerável de mortes, uma vez que o número total praticamente dobrou em três semanas e tem sido em média 30% maior de uma semana para outra. A doença em um único mês avançou para mais 36 municípios, a maior parte com até 5 mil habitantes, e chegou a 262 cidades. E este diagnóstico ainda é subnotificado, porque a maioria delas não está fazendo a testagem da sua população. Ou seja, estão com o vírus e no escuro.

Em meio a isso tudo, na contramão da realidade epidemiológica, o governador autorizou o retorno das aulas presenciais ao ensino superior e ao ensino técnico a partir de 6 de julho! Dias depois, ele próprio testou positivo para a Covid-19.

E, para a Educação Básica, vale ressaltar: o ensino híbrido, ou seja, revezando as formas presencial e remota para dar conta de atender todas as turmas em grupos menores nas escolas, vai gerar ainda mais sobrecarga aos professores sem bloquear as chances de contaminação e sem que os resultados para a aprendizagem sejam satisfatórios.

Se o critério para o rodízio for pedagógico, ou seja, penalizando os alunos com déficit de aprendizagem à exposição por primeiro, aí, então, nem pensar. 

O comitê formado por várias entidades e órgãos, que está discutindo protocolos para o retorno, deve seguir tendo como prioridade a saúde dos estudantes, professores e familiares, uma vez que  a medida atingirá pelo menos ¼ de toda nossa população de forma direta. Não pode haver dúvidas em nenhum segmento da sociedade sobre a  responsabilidade destas definições para a saúde pública
de Santa Catarina."

Prof. Luciane Carminatti

Deputada Estadual (PT)

Presidenta da Comissão de Educação da Alesc


 

Notícias relacionadas


Ver mais notícias relacionadas

Whatsapp

Informações da Alesc no seu celular

Receber notícias