Pronunciamento
Ana Paula Lima - 011ª SESSÃO SOLENE
Em 15/05/2006
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Sr. presidente desta sessão solene, deputado Herneus de Nadal; sr. Luiz Henrique da Silveira, governador licenciado do estado de Santa Catarina; sr. Ivo Carminati, representando, neste ato, o governador do estado de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira; srs. deputados Nilson Gonçalves, Lício Silveira, José Serafim e Pedro Baldissera.
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"Boa-noite a todas as senhoras e aos senhores que hoje nos honram com sua presença. É um prazer muito grande recebê-los aqui no Parlamento catarinense, e é com muita emoção que assumimos a atribuição de, em nome dos deputados e deputadas desta Casa, nós nos pronunciarmos nesta tribuna sobre a Medalha de Mérito Antonieta de Barros.
Gostaria, antes de mais nada, de mencionar a outorga destas cinco medalhas: a Cruz e Sousa, a de Parceria Comunitária, o troféu de Respeito à Cidadania, a Carl Franz Albert Hoepcke, além da Antonieta de Barros, que tornam este um dos momentos mais importantes do nosso Parlamento. Quando a Casa do Povo reconhece, através de personalidades anônimas ou não, a coragem de lutas desenvolvidas em organizações não-governamentais, por empresas e empresários, por voluntários e agentes públicos, enfim, por representantes de todos os segmentos, o esforço empenhado em ações que revertam na promoção: da justiça social, da garantia dos direitos da mulher, das ações em defesa dos direitos das pessoas portadoras de necessidades especiais, da geração de empregos e crescimento da economia do estado, e em todas as formas de contribuição para que a nossa Santa Catarina continue sendo um bom exemplo para o Brasil.
Em especial, sobre a Medalha de Mérito Antonieta de Barros que estará sendo entregue hoje a dez pessoas e entidades, devo dizer que foi instituída no dia 11 de julho de 2001, em homenagem ao centenário do nascimento desta catarinense que foi a primeira mulher negra a assumir um mandato popular no Brasil.
A trajetória de Antonieta é pontuada pela conquista de espaços que em seu tempo eram inusitados para as mulheres, e ainda mais para uma mulher negra. Órfã de pai muito cedo e de família humilde, superou todas as adversidades. Nos anos 20, deu início às atividades de jornalista, criando e dirigindo em Florianópolis o jornal A Semana, mantido até 1927.
Como educadora, fundou, logo após receber o diploma no magistério, um curso de alfabetização para crianças carentes que dirigiu até a sua morte. Lecionou também em outras escolas, encontrando tempo para manter intercâmbio, na década de 30, com a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.
Foi dessa influência que resultou a iniciativa de candidatar-se à Assembléia Legislativa, na primeira eleição em que as mulheres brasileiras puderam votar e ser votadas. Seu arrojo foi vitorioso. Elegeu-se com 35.484 votos e no período de 1934 a 1937 exerceu o mandato, até quando o presidente Vargas determinou o fechamento do Congresso Nacional e das Assembléias.
Mais tarde, depois da redemocratização do país com a queda do Estado Novo, concorreu à deputada estadual novamente nas eleições de 1945, obtendo a primeira suplência. Assumiu a vaga em 1947 e cumpriu o mandato até 1951.
Ao instituir a medalha que leva o nome de Antonieta, a Assembléia mantém viva a memória dessa lutadora que foi Antonieta, uma mulher à frente do seu tempo que propôs a escolha para diretores de escolas, uma proposta que ainda hoje continua pendente, e também defendeu a criação de bolsas para os cursos de ensino superior.
Faleceu em 1952, com apenas 51 anos, e é através da Medalha Antonieta de Barros que o Poder Legislativo preserva a sua história reconhecendo cidadãs e entidades que, no campo de suas atividades, realizam direta ou indiretamente relevantes trabalhos na defesa dos direitos da mulher.
Eu não poderia, sr. presidente, deixar de mencionar, nesta oportunidade, o trabalho da executiva Jucélia Ferreira, indicada pelo nosso mandato para receber a Medalha Antonieta de Barros nesta noite. Jucélia é um exemplo da valorosa contribuição que a mulher pode dar para o desenvolvimento socieconômico num contexto em que o universo feminino ainda convive com grandes desigualdades, quer nos espaços de poder como em outros segmentos.
Em 1971, Jucélia foi a primeira mulher contratada pela indústria pesqueira Femepe, de Navegantes. Desde então, o pioneirismo virou sua marca. Atenta à responsabilidade redobrada como mulher no mundo dos negócios, ela fundou e presidiu, em 1996, a Câmara Setorial da Mulher Empresária. Em 1997, recebeu o troféu Mulher Empresária, da Associação Empresarial de Itajaí. Com dois filhos, exercendo a dupla jornada, como todas as mulheres que trabalham, Jucélia ainda encontrou tempo para se dedicar também às causas sociais.
Também em 1997, idealizou o Natal das crianças do Caic, na cidade de Navegantes, e em Itajaí passou a integrar a direção do abrigo temporário para crianças e adolescentes, a Associação Passos de Integração, e da Avisa - Associação das Voluntárias pela Infância Saudável do Hospital Pequeno Anjo -, onde hoje ocupa a vice-presidência.
Depois, entre 1998 e 1999, foi diretora do Conselho Estadual da Mulher Empresária, participando também da fundação do Centro de Integração Empresa Escola, e assumiu a presidência do Conselho Curador da Universidade do Vale do Itajaí - Univali, onde conclui seu curso superior e sua especialização.
No período de 2000 a 2002, foi a primeira mulher a presidir, em 70 anos de história, a Associação Empresarial de Itajaí.
Atualmente, Jucélia Ferreira é diretora administrativa e financeira das indústrias Femepe, hoje com 1.200 funcionários diretos, dos quais cerca de 50% são mulheres, e é um exemplo para aquelas que acreditam que as mulheres podem, e devem, se engajar na construção de uma sociedade mais justa.
É em nome dessa empresária Jucélia Ferreira que cumprimento todas e todos que estão aqui recebendo medalhas hoje. Vocês realmente são um exemplo para o estado de Santa Catarina.
Como dizia Antonieta de Barros, toda ação requer instrumento. E o instrumento máximo da vida é a instrução. E só vive, no sentido humano da palavra, o que pensa. Os outros se movem, tão-somente."
Parabéns a todos! Parabéns a todas! É um prazer enorme recebê-los no Parlamento catarinense, nesta noite de hoje.
Muito obrigada!
(Palmas)
(SEM REVISÃO DA ORADORA)
(Passa a ler)
"Boa-noite a todas as senhoras e aos senhores que hoje nos honram com sua presença. É um prazer muito grande recebê-los aqui no Parlamento catarinense, e é com muita emoção que assumimos a atribuição de, em nome dos deputados e deputadas desta Casa, nós nos pronunciarmos nesta tribuna sobre a Medalha de Mérito Antonieta de Barros.
Gostaria, antes de mais nada, de mencionar a outorga destas cinco medalhas: a Cruz e Sousa, a de Parceria Comunitária, o troféu de Respeito à Cidadania, a Carl Franz Albert Hoepcke, além da Antonieta de Barros, que tornam este um dos momentos mais importantes do nosso Parlamento. Quando a Casa do Povo reconhece, através de personalidades anônimas ou não, a coragem de lutas desenvolvidas em organizações não-governamentais, por empresas e empresários, por voluntários e agentes públicos, enfim, por representantes de todos os segmentos, o esforço empenhado em ações que revertam na promoção: da justiça social, da garantia dos direitos da mulher, das ações em defesa dos direitos das pessoas portadoras de necessidades especiais, da geração de empregos e crescimento da economia do estado, e em todas as formas de contribuição para que a nossa Santa Catarina continue sendo um bom exemplo para o Brasil.
Em especial, sobre a Medalha de Mérito Antonieta de Barros que estará sendo entregue hoje a dez pessoas e entidades, devo dizer que foi instituída no dia 11 de julho de 2001, em homenagem ao centenário do nascimento desta catarinense que foi a primeira mulher negra a assumir um mandato popular no Brasil.
A trajetória de Antonieta é pontuada pela conquista de espaços que em seu tempo eram inusitados para as mulheres, e ainda mais para uma mulher negra. Órfã de pai muito cedo e de família humilde, superou todas as adversidades. Nos anos 20, deu início às atividades de jornalista, criando e dirigindo em Florianópolis o jornal A Semana, mantido até 1927.
Como educadora, fundou, logo após receber o diploma no magistério, um curso de alfabetização para crianças carentes que dirigiu até a sua morte. Lecionou também em outras escolas, encontrando tempo para manter intercâmbio, na década de 30, com a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.
Foi dessa influência que resultou a iniciativa de candidatar-se à Assembléia Legislativa, na primeira eleição em que as mulheres brasileiras puderam votar e ser votadas. Seu arrojo foi vitorioso. Elegeu-se com 35.484 votos e no período de 1934 a 1937 exerceu o mandato, até quando o presidente Vargas determinou o fechamento do Congresso Nacional e das Assembléias.
Mais tarde, depois da redemocratização do país com a queda do Estado Novo, concorreu à deputada estadual novamente nas eleições de 1945, obtendo a primeira suplência. Assumiu a vaga em 1947 e cumpriu o mandato até 1951.
Ao instituir a medalha que leva o nome de Antonieta, a Assembléia mantém viva a memória dessa lutadora que foi Antonieta, uma mulher à frente do seu tempo que propôs a escolha para diretores de escolas, uma proposta que ainda hoje continua pendente, e também defendeu a criação de bolsas para os cursos de ensino superior.
Faleceu em 1952, com apenas 51 anos, e é através da Medalha Antonieta de Barros que o Poder Legislativo preserva a sua história reconhecendo cidadãs e entidades que, no campo de suas atividades, realizam direta ou indiretamente relevantes trabalhos na defesa dos direitos da mulher.
Eu não poderia, sr. presidente, deixar de mencionar, nesta oportunidade, o trabalho da executiva Jucélia Ferreira, indicada pelo nosso mandato para receber a Medalha Antonieta de Barros nesta noite. Jucélia é um exemplo da valorosa contribuição que a mulher pode dar para o desenvolvimento socieconômico num contexto em que o universo feminino ainda convive com grandes desigualdades, quer nos espaços de poder como em outros segmentos.
Em 1971, Jucélia foi a primeira mulher contratada pela indústria pesqueira Femepe, de Navegantes. Desde então, o pioneirismo virou sua marca. Atenta à responsabilidade redobrada como mulher no mundo dos negócios, ela fundou e presidiu, em 1996, a Câmara Setorial da Mulher Empresária. Em 1997, recebeu o troféu Mulher Empresária, da Associação Empresarial de Itajaí. Com dois filhos, exercendo a dupla jornada, como todas as mulheres que trabalham, Jucélia ainda encontrou tempo para se dedicar também às causas sociais.
Também em 1997, idealizou o Natal das crianças do Caic, na cidade de Navegantes, e em Itajaí passou a integrar a direção do abrigo temporário para crianças e adolescentes, a Associação Passos de Integração, e da Avisa - Associação das Voluntárias pela Infância Saudável do Hospital Pequeno Anjo -, onde hoje ocupa a vice-presidência.
Depois, entre 1998 e 1999, foi diretora do Conselho Estadual da Mulher Empresária, participando também da fundação do Centro de Integração Empresa Escola, e assumiu a presidência do Conselho Curador da Universidade do Vale do Itajaí - Univali, onde conclui seu curso superior e sua especialização.
No período de 2000 a 2002, foi a primeira mulher a presidir, em 70 anos de história, a Associação Empresarial de Itajaí.
Atualmente, Jucélia Ferreira é diretora administrativa e financeira das indústrias Femepe, hoje com 1.200 funcionários diretos, dos quais cerca de 50% são mulheres, e é um exemplo para aquelas que acreditam que as mulheres podem, e devem, se engajar na construção de uma sociedade mais justa.
É em nome dessa empresária Jucélia Ferreira que cumprimento todas e todos que estão aqui recebendo medalhas hoje. Vocês realmente são um exemplo para o estado de Santa Catarina.
Como dizia Antonieta de Barros, toda ação requer instrumento. E o instrumento máximo da vida é a instrução. E só vive, no sentido humano da palavra, o que pensa. Os outros se movem, tão-somente."
Parabéns a todos! Parabéns a todas! É um prazer enorme recebê-los no Parlamento catarinense, nesta noite de hoje.
Muito obrigada!
(Palmas)
(SEM REVISÃO DA ORADORA)