Comunicação

Seminário de Práticas Pedagógicas e Inclusão reúne mais de 500 pessoas


28/04/2016 - 12h11min

Encontro foi para promover a atualização sobre questões que envolvem a pessoa com espectro autista

Encontro foi para promover a atualização sobre questões que envolvem a pessoa com espectro autista

FOTO: Solon Soares/Agência AL

          A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, presidida pelo deputado José Nei Ascari (PSD), e a Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, presidida pelo deputado Romildo Titon (PMDB), realizaram o Seminário de Práticas Pedagógicas e Inclusão na quarta-feira (27), em Balneário Camboriú. 

Participaram do evento 550 pessoas, entre profissionais da área, familiares, comunidade em geral e autoridades envolvidas com os direitos da pessoa com deficiência. O seminário foi realizado a pedido da Associação de Pais e Amigos do Autista – AMA Litoral de Santa Catarina de Balneário Camboriú, e contou também com apoio da Associação Catarinense de Autismo (Asca), Federação Catarinense das Apaes e Univali.

            Com o objetivo de promover a atualização sobre as questões que envolvem a pessoa com espectro autista, teorias, estudos, conceitos, características, intervenções, desafios e atividades lúdicas que auxiliam no desenvolvimento, além das possibilidades do trabalho, foram temas debatidos relacionados à inclusão, que não deve ser apenas um desafio do professor, mas de toda a escola e da rede de ensino.

            Segundo Rafael Silva Fontenelle, Fisioterapeuta na AMA  e professor da Univali, "os educadores têm de entender o autismo, compreender que aquele aluno processa as informações de maneira diferente e tem resistência a mudanças, pois cada uma dessas especificidades exige adaptações na rotina. "Diante dessa perspectiva se conclui que é preciso criar uma rede de apoio em que o professor da turma regular, o profissional do atendimento educacional especializado (AEE) e o coordenador pedagógico atuem em conjunto. Há que se mobilizar, também, diretores, funcionários, pais e alunos, de modo a envolvê-los em um projeto de escola inclusiva, na qual as diferenças são respeitadas e utilizadas em prol da aprendizagem", ponderou Silvio.

            Para que a inclusão ocorra, portanto, é preciso mais do que a aprovação de uma lei. Deve-se rever as políticas públicas atuais de modo a garantir aos educadores os conhecimentos, o tempo e a formação necessária para que os alunos não só sejam matriculados, mas também tenham garantido seu direito de aprender.

            Para Eugênio Cunha, psicopedagogo e doutor em Educação a indisciplina é um dos grandes problemas atuais. Ela não começa na escola, pois os motivos que a fazem existir estão além da sala de aula. Há visível ligação entre a indisciplina escolar, a falta de limites na família e a violência na sociedade. Filhos podem ser estimulados à violência por pais violentos ou por uma sociedade desprovida de atributos elementares que garantam uma educação cidadã.

            "É necessário que os professores sejam mestres tanto dos conteúdos que lecionam, quanto da afetividade que podem propiciar. É necessário que os pais sejam educadores além de genitores, para que toda correção seja um ensino e a disciplina expresse também o amor. É primeiramente na família que o aluno toma contato com as regras do comportamento social. É na família que o aluno aprende a reconhecer a autoridade do professor, porque aprende a reconhecer a autoridade dos pais", conclui Cunha.

Sobre autismo
1) Os primeiros índicios de autismo podem ser observado em bebês  que apresentam os seguintes sinais:

Até nove meses: não se aconchega ao colo da mãe ou do pai; não olham nos olhos; não sorri; não emite sons que possam chamar a atenção dos adutos;
Com um ano: não olha quando são chamados pelo nome;
Após os dois anos: não usa mais do que duas palavras sem repetição.

2) Para saber se a criança tem autismo ela deve apresentar os seguintes sinais e sintomas, de forma frequente a partir dos dois anos:

Dificuldade na interação social;
A criança sabe falar, mas prefere não falar nada e se mantém calada por horas, mesmo quando fazem perguntas a ela;
A criança se refere a si mesma com a palavra você;
Repete a pergunta que lhe foi feita várias vezes seguidas sem se importar se está chateando os outros;
Mantém sempre a mesma expressão no rosto e não entende gestos e expressões faciais dos outros;
Não atende quando é chamado pelo nome, como se não estivesse ouvindo nada, apesar de não ser surdo e de não ter nenhum comprometimento auditivo;
Olha com o canto do olho quando sente-se desconfortável;
Quando fala, a comunicação é monótona e em tom pedante.

3) Alterações comportamentais

Não tem medo de situação perigosas, como atravessar a rua sem olhar para os carros, chegar muito perto dos animais aparentemente perigosos, como cães de grande porte;
Ter brincadeiras estranhas, dando funções diferentes aos brinquedos que possui;
Brinca com somente uma parte de um brinquedo, como a roda do carrinho, por exemplo, e fica constamente olhando e mexendo nela;
Aparentemente não sente dor e parece que gosta de se machucar ou de machucar os outros de propósito;
Leva o braço de outra pessoa para pegar o objeto que ela deseja;
Olha sempre na mesma direção como se estivesse parada no tempo;
Fica se balançando para frente e para trás por vários minutos ou horas ou torce as mãos ou os dedos constantemente;
Tem dificuldade de se adaptar a uma nova rotina ficando agitada, podendo se autoagredir ou agredir os outros;
Fica passando a mão em objetos ou tem fixação por água;
Fica extremamente agitada quando está em público ou em ambientes barulhentos.

Caso os pais ou professores observem esses sintomas na criança é recomendada uma consulta com um neuropediatra para que ele faça o diagnóstico do autismo e indique o tratamento adequado.

Autismo é mais frequente em meninos
Os meninos são mais afetados que as meninas e, apesar das causas do autismo ainda não serem totalmente compreendidas, sabe-se que não tem cura, mas o tratamento pode ajudar a controlar alguns sintomas e tornar a convivência familiar mais facilitada.

Embora as causas não seja totalmente conhecidas, sabe-se que a síndrome tem uma causa genética, que pode ser agravada quando um dos pais tem mais de 40 anos, a criança nasceu pré-matura, com menos de 2,5 quilos, falta de ácido fólico e uso de drogas ou remédios como ácido valproico durante a gestação.

Como tratar
O tratamento do autismo varia de uma criança para outra, já que nem todos são afetados da mesma forma. De maniera geral é necessário recorrer a diversos profissionais de saúde como médico, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e psicopedagogo, sendo fundamental o apoio familiar para que os exercícios sejam realizados diariamente, melhorando assim as capacidades da criança. O tratamento deve ser seguido por toda a vida e reavaliado a cada seis meses para que possa ser adequado às necessidades da família.

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