
Projetos em destaque
Dois projetos desenvolvidos por escolas estaduais do Sul catarinense, voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher e à sustentabilidade ambiental, marcaram os debates da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa na manhã desta quarta-feira (27), durante a 10ª edição do programa Alesc Itinerante, em Araranguá.
Confira o vídeo completo da reunião
A presidente da comissão, a deputada Luciane Carminatti (PT), destacou que as experiências apresentadas refletem o trabalho de excelência realizado pelos professores da rede pública estadual.
“São experiências que demonstram o compromisso da escola pública com a transformação social, com o desenvolvimento de uma nova consciência e com uma educação que faz sentido para a vida das pessoas”
Presidente da Comissão de Educação e Cultura
Luciane Carminatti
Enfrentamento à violência
A primeira experiência apresentada foi o projeto de enfrentamento à violência contra as mulheres, desenvolvido na Escola de Educação Básica Araranguá, sob coordenação da professora Geruza Prestes da Silva Longaray e apresentado pela professora Karen Scheffer, que atua há 24 anos em sala de aula.
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O projeto começou a ganhar forma em 2023, mas nasceu de uma experiência pessoal vivida pela professora Geruza no ano anterior, quando foi vítima de violência doméstica. A dor vivida por Geruza acabou se transformando em instrumento de acolhimento e conscientização dentro da escola.
“Depois de alguns meses, ela sentiu que precisava transformar aquela dor em alguma coisa. Ela queria conversar com outras mulheres e encorajá-las. E quando ela relatou sua experiência na escola, descobriu que não estava sozinha”, disse Karen.
A primeira palestra ocorreu em 8 de março de 2023, data que marca o Dia Internacional da Mulher, com estudantes da unidade escolar.
Após o encontro, diversos alunos procuraram as professoras para relatar situações de violência vividas dentro de casa.
“Meninas e meninos vieram conversar conosco sobre a violência que sofriam. Foi quando percebemos a necessidade de ampliar esse debate”, destacou Karen Scheffer.
Protagonismo feminino
A partir daí, o projeto ganhou dimensão coletiva. A escola passou a promover trilhas de aprofundamento, palestras e ações educativas com apoio de profissionais da saúde, representantes da OAB e da Rede Catarina.
Também foram realizadas saídas de campo, como a visita a Laguna para estudar a trajetória de Anita Garibaldi e discutir o protagonismo feminino na história.
Em 2024, o trabalho recebeu premiação em um concurso de curtas-metragens e, em 2025, promoveu uma passeata de conscientização envolvendo a comunidade escolar.
Um levantamento realizado com 540 estudantes apontou que 66 deles relataram já ter sofrido algum tipo de violência.
Durante o debate, a deputada Luciane Carminatti criticou a legislação estadual que restringe discussões sobre gênero nas escolas sem autorização dos pais e reforçou a importância do ambiente escolar como espaço de diálogo e reflexão.
“A escola precisa ser um espaço de reflexão, diálogo e proteção da vida. Infelizmente, muitos meninos e meninas sofrem violência e precisam encontrar acolhimento dentro da escola”, afirmou.
Karen Scheffer também defendeu o papel da educação no combate à violência. “Preservar a vida começa na escola. Não é só a mulher que sofre violência. Precisamos ensinar respeito e cuidado desde cedo.”
Sustentabilidade ambiental
A segunda experiência apresentada foi o projeto “Cooperar para o Amanhã”, desenvolvido pela Escola de Educação Básica Abel Esteves de Aguiar, no município de Praia Grande.
O trabalho foi apresentado pelo professor Everton Farias do Nascimento e tem como foco sustentabilidade ambiental e reciclagem de resíduos.
Localizada na área rural e com mais de 70 anos de história, a escola desenvolve ações para enfrentar um problema recorrente da região: a ausência de coleta seletiva e os altos custos com transporte e descarte de resíduos.
“Resíduo não é lixo. É um recurso estagnado”, destacou o professor Everton.
Com o envolvimento de toda comunidade escolar, foi criada uma gincana mensal de arrecadação de materiais recicláveis.
A iniciativa já recolheu quase duas mil toneladas de resíduos e tem como meta ultrapassar seis mil quilos. Os recursos arrecadados com a reciclagem são revertidos para a própria escola.
O projeto também busca consolidar a unidade escolar como referência regional em sustentabilidade, fortalecendo a integração entre escola e comunidade.
“São projetos construídos a muitas mãos, unindo escola e comunidade em torno de um objetivo comum”, ressaltou o professor.
Ao final da reunião, a deputada Luciane Carminatti agradeceu aos educadores e destacou o impacto social das iniciativas.
“Quando a educação tem significado, ela transforma realidades. Esses projetos mostram exatamente isso”, concluiu.
ALESC EXPLICA
Foram apresentados projetos voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher e à sustentabilidade ambiental.
A Escola de Educação Básica Araranguá.
O projeto “Cooperar para o Amanhã”, voltado à reciclagem e sustentabilidade.
Um levantamento apontou que 66 estudantes relataram já ter sofrido algum tipo de violência.

