Comunicação

Congresso das Apaes em Tubarão debate prevenção de deficiências


Ludmilla Gadotti
23/05/2014 - 01h36min

Tema foi abordado pelo médico geneticista Rui Fernando Pilotto. FOTO: Juliana Stadnik/Agência AL

Tema foi abordado pelo médico geneticista Rui Fernando Pilotto. FOTO: Juliana Stadnik/Agência AL

O segundo dia de atividades do XV Congresso Estadual das Apaes foi marcado por palestra sobre as formas de prevenir a ocorrência de deficiências. O evento foi realizado nesta quinta-feira (22), no auditório do Centro Integrado de Artes da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), em Tubarão.
 
O congresso, que ocorre até sexta-feira (23), conta com o apoio da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, por meio da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira. 
 
Os cuidados para evitar a ocorrência de deficiências devem ser tomados antes da gravidez, durante a gestação e após o nascimento do bebê. A fase mais importante, segundo o médico geneticista Rui Fernando Pilotto, professor da Universidade Federal do Paraná, é a pré-concepcional. “Precisamos alertar as pessoas, pois são cuidados simples. Ficamos muito tristes em constatar que 56% das gestações não foram planejadas. A ação preventiva está relacionada a uma questão cultural, e, neste aspecto, informação é fundamental”, disse.
 
Conforme Pilotto, nesta fase de planejamento da gravidez, o casal deve buscar orientação médica. Além de esclarecer dúvidas, o profissional deve solicitar exames para verificar as condições de saúde dos dois e constatar o tipo sanguíneo e o fator Rh.
 
Uma das recomendações para prevenir a ocorrência de deficiências é a vacinação contra a rubéola. A rubéola congênita, transmitida da mãe para o feto, é a forma mais grave da doença, pois pode provocar malformações como surdez e problemas visuais na criança.
 
Outra indicação é o consumo de doses diárias de 5mg de ácido fólico pelo menos dois meses antes de a mulher engravidar. “Ele previne defeitos do tubo neural do bebê. Evita doenças como anencefalia, hidrocefalia, espinha bífida, fissuras labiopalatais, entre tantas outras”.
 
O médico pode indicar ainda uma consulta de aconselhamento genético, principalmente quando houver casos de casos de malformação congênita ou síndromes na família e casamentos consanguíneos. “O direcionamento é dar orientações, explicar sobre os riscos. Compete ao casal a decisão de ter ou não filhos”, salientou.
 
Na fase de pré-natal, durante a gestação, é essencial o acompanhamento de um médico obstetra. A gestante deve fazer exames de controle, especialmente se tiver anemia, diabetes ou pressão alta. Não deve fazer uso de medicamentos sem indicação médica e nem se expor ao raio-X ou a outros tipos de radiação. Além disso, deve evitar o uso de bebidas alcoólicas, cigarro e drogas. “Todas causam danos ao bebê. A criança gerada por uma mãe fumante nasce com o peso médio menor do que aquela que não foi exposta. O uso de cocaína, por exemplo, pode até causar um acidente vascular cerebral (AVC) no feto”, afirmou.
 
Pilotto ressaltou que nesta fase deve ser feito o acompanhamento ultrassonográfico e a avaliação da translucência nucal. “Este exame tem como objetivo uma avaliação precoce do risco de algumas alterações anatômicas fetais e cromossômicas. Pode ser um sinal de alerta para casos de Síndrome de Down, Síndrome de Turner e problemas cardíacos”, explicou.

O palestrante pontuou, ainda, a importância de um atendimento adequado durante o parto. “É um momento sagrado. Para mim, o lugar certo é na maternidade, com o acompanhamento de um médico obstetra e de um pediatra, para zelar pelo bem-estar da mãe e do bebê”, opinou.
 
Em relação ao recém-nascido, a principal orientação dada pelo médico é exigir que sejam feitos testes de avaliação das condições de saúde do bebê, como o Apgar, o do pezinho, da orelhinha, do olhinho, do coraçãozinho e da linguinha.
 
Os cuidados no pós-natal estão relacionados a proporcionar amparo afetivo e ambiente propício para o desenvolvimento da criança. “Deve-se priorizar o aleitamento materno até os dez meses de vida do bebê, estar em dia com o calendário de vacinações, fazer o acompanhamento médico. Além disso, tomar precauções para evitar acidentes com fogo, remédios, produtos de limpeza, objetos cortantes”, comentou.

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