Comunicação

Audiência de conciliação pode ser a solução para o CRAI de Santa Catarina


Vítor Santos
08/11/2017 - 16h01min

Audiência de conciliação pode ser a solução para o CRAI de Santa Catarina

FOTO: Miriam Zomer/Agência AL

O impasse entre os governos estadual e federal na instalação do Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI) no estado poderá ser objeto de audiência de conciliação. A tese foi levantada pelo representante do Ministério Público Federal (MPF) durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH), que terminou depois das 22 horas dessa terça-feira (7).

“O que está no processo não reflete a situação atual, se eventualmente até sexta-feira não se concretizar (a liberação dos recursos), poderíamos juntar ao processo esta nova realidade, que há local disponível, o ideal seria marcar uma audiência de conciliação, para todos sentarem e conversarem,”, propôs o procurador Claudio Valentim Cristani.

De acordo com a diretora de Direitos Humanos da Secretaria da Assistência Social, Trabalho e Habitação (SST), Maria Elisa de Caro, o local onde funcionará o CRAI já está definido.

Além disso, segundo Maria Elisa, a União concedeu prazo até sexta-feira (10) para a SST atender as exigências e resolver a questão administrativamente.

“Articulamos um espaço na Secretaria de Segurança Pública, que mudou de local, a sala possui 90 metros quadrados e está lá parada, desde então não tivemos autorização do governo federal para utilizar os recursos, que já estão na conta”, explicou a diretora.

O representante da Arquidiocese concordou com a diretora da SST. “O empecilho agora é o governo federal, o recurso está na conta, mas o governo não libera, se o CRAI não sair em 2017, em 2018 ele não sai”, avaliou Fernando Anísio Batista, da Ação Social Arquidiocesana (ASA).

O deputado Dirceu Dresch (PT), presidente da CDH e propositor da audiência, sugeriu e os participantes da audiência concordaram em redigir uma carta aberta “de apoio efetivo à instalação do CRAI”.

Pastoral pede socorro
Atualmente os serviços de apoio e atendimento aos imigrantes na Capital e no interior é prestado pelas pastorais dos migrantes vinculadas à igreja católica.

Em Florianópolis o atendimento é realizado em uma sala de 16 m2 junto à igreja da Prainha, próximo da Assembleia Legislativa.

“Estamos no limite, enquanto isso o número continua crescendo, somente segunda-feira (6) passaram pela pastoral 51 migrantes, são venezuelanos, sírios, equatorianos, colombianos, mas a maioria é de haitianos. Suplicamos que se faça justiça aos direitos dos migrantes e refugiados que estão batendo às portas do nosso estado e município. Socorro, socorro, socorro”, gritou o padre Sérgio Geremia.

1% da população de Nova Erechim
Conforme dados divulgados pela integrante do grupo de estudos para migração na região Oeste, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Sandra Bordignon, os haitianos totalizam 1% da população de Nova Erechim, município situado junto à BR-282, na margem oeste do rio Chapecó.

“Foram buscados pelas empresas, a mão-de-obra estava disponível no Acre, foram lá e buscaram, mas depois veio a crise e parece que as pessoas que vieram foram descartadas, mas a gente tem um número grande de migrantes que querem ficar”, revelou Sandra Bordignon, esclarecendo que em muitos casos são casais com crianças.

Em Chapecó, informou a pesquisadora, foram expedidas 1.111 carteiras de trabalho para haitianos, sendo que 535 atuam na Cooperativa Aurora e cerca de 300 nos frigoríficos da JBS.

“Vivemos desafios migratórios, porque as pessoas não são problemas, o problema é não ter política pública para atende-las, por isso a importância do CRAI, nós precisamos dele”, enfatizou.

Haitianos em Itapema
Dissilien Beljour, da associação dos Haitianos e Amigos de Itapema, pediu agilidade na emissão de documentos. “Quando faz o pedido de passaporte demora de oito a dez meses, como vocês podem ajudar a resolver isso?”.

Já Joan Florisma, secretário da Associação, reivindicou atendimento na rede pública de saúde. “Chega no hospital com dor tremenda, tem de ter atenção”, declarou o imigrante, que criticou o supermercado Kock e a Havan por não contratarem haitianos. “Dizem que não contratam estrangeiros”, reclamou.

Relatos online
A audiência da CDH inovou com a participação online de pessoas que tratam da questão migração no Rio Grande do Sul e em Roraima.

“Vivemos uma realidade semelhante, conseguimos viabilizar em dezembro de 2015 um convênio de mais de R$ 700 mil do governo federal, o estado e município deveriam realizar a instalação do CRAI, depois de tantas idas e vindas não conseguiram viabilizar a edificação do espaço”, afirmou Elton Rossetto, do Fórum de Mobilidade do Rio Grande do Sul.

“Temos muitos venezuelanos em situação de grande vulnerabilidade, sofreram violência no trajeto e nas suas cidades, são indígenas e não-indígenas, a maioria que chega à Boa Vista é não-indígena, muitos vêm a pé, hoje cerca de 30 mil venezuelanos estão no estado ou na região Amazônica”, contou Claiton Abreu, que trabalha com os migrantes em Boa Vista (RR).

Notícias relacionadas


Ver mais notícias relacionadas

Whatsapp

Informações da Alesc no seu celular

Receber notícias