Comunicação

Especialistas discutem prevenção de quedas em pessoas idosas durante simpósio na Alesc


Tatiani Magalhães
25/06/2026 - 13h48min

Especialistas discutem prevenção de quedas em pessoas idosas durante simpósio na Alesc

Foto: Rodrigo Corrêa/Agência Alesc

A Assembleia Legislativa, por meio da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa, realizou nesta quinta-feira (25), no Auditório Antonieta de Barros, o 2º Simpósio Catarinense de Prevenção de Quedas em Pessoas Idosas. O evento reuniu especialistas e instituições ligadas ao envelhecimento e à saúde da população idosa, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A programação contou com mesas-redondas sobre o papel do exercício físico e da reabilitação na prevenção de quedas, abordando temas como treinamento multicomponente, adesão às atividades, adaptações no ambiente domiciliar e alimentação.

Além da qualificação técnica de profissionais da área, o encontro reforçou a importância da integração entre políticas públicas, serviços de saúde, assistência social, universidades e entidades parceiras. Segundo os organizadores, a iniciativa busca fortalecer a rede estadual dedicada ao envelhecimento saudável e seguro, ampliando o debate sobre inovação, tecnologias assistivas e políticas públicas baseadas em evidências.

Atenção à longevidade e à segurança

Proponente do evento e presidente da comissão, o deputado Sérgio Mota (Republicanos) destacou a relevância do tema em um estado que possui uma das maiores proporções de pessoas idosas do país. Segundo ele, a longevidade deve estar associada à qualidade de vida. “A prevenção de quedas é um tema essencial, pois os impactos para uma pessoa idosa podem ser muito mais graves. Por isso, ações de conscientização e orientação são importantes para garantir mais segurança, autonomia e bem-estar.”

Quedas no envelhecimento

A doutora Núbia Carelli de Avelar, da UFSC, apresentou um panorama sobre as quedas entre pessoas idosas. Segundo os dados apresentados, o Brasil possui mais de 32 milhões de idosos, e a tendência é que essa população supere a de crianças e adolescentes nos próximos anos.

Atualmente, mais de 9 milhões de idosos sofrem ao menos uma queda por ano, um dos principais fatores de mortalidade entre pessoas com mais de 65 anos. Em Santa Catarina, cerca de 40% dos idosos com 80 anos ou mais registram quedas anualmente, o que contribui para o aumento das internações hospitalares.

Ao abordar o processo de envelhecimento, a pesquisadora destacou a perda funcional como um dos aspectos mais sensíveis dessa fase da vida. “Leva cerca de um ano para uma criança adquirir movimento independente e aproximadamente dez anos para desenvolver plenamente sua mobilidade. Já para a pessoa idosa, essas capacidades podem ser perdidas em pouco tempo.”

Políticas públicas e prevenção

A mestre em Ciências da Saúde e vice-presidente da Associação Brasileira de Fisioterapia em Gerontologia (Abrafige), Fabiane Vaz, apresentou um panorama da evolução das políticas públicas voltadas à população idosa no Brasil.

Ela destacou a criação da Política Nacional do Idoso, em 1994, e a consolidação da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, em 2006, que ampliou o foco para a promoção do envelhecimento ativo. Também ressaltou a adoção do termo “pessoa idosa”, em substituição a “idoso”, reforçando a perspectiva dos direitos, da dignidade e da saúde.

Segundo a especialista, as quedas representam um importante problema de saúde pública, com impactos funcionais, emocionais e sociais. Além de comprometerem a autonomia e a independência, afetam famílias, serviços de saúde e a sociedade como um todo.

Ela também citou estimativas que apontam cerca de 684 mil mortes por quedas por ano no mundo e destacou o Relatório Global sobre Prevenção de Quedas, publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018, como uma referência internacional para o enfrentamento do problema.

Alimentação e autonomia

Durante o simpósio, especialistas também abordaram a relação entre envelhecimento, alimentação e prevenção de quedas.

Segundo uma das palestrantes, o envelhecimento provoca mudanças fisiológicas, hormonais e metabólicas que podem afetar a alimentação e a funcionalidade, incluindo redução do apetite, alterações no paladar e dificuldades de mastigação.

Embora sejam alterações naturais, elas não devem comprometer a autonomia e a qualidade de vida. A recomendação é investir em alimentação adequada e prática regular de atividades físicas, especialmente aquelas voltadas ao fortalecimento muscular.

A especialista ressaltou ainda a importância da ingestão adequada de proteínas, já que a capacidade de síntese proteica diminui com a idade. Em alguns casos, a necessidade pode chegar a 25 a 30 gramas de proteína por refeição para manutenção e ganho de massa muscular.

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