Uma receita que atravessou gerações, ganhou características próprias e se tornou símbolo da gastronomia do Vale do Itajaí.
A Linguiça Blumenau faz parte da história deixada pelos imigrantes alemães e, ao longo dos anos, passou a ser produzida por famílias que mantêm vivos o modo de fazer e os sabores que identificam o produto. Da escolha das carnes aos temperos, do embutimento em tripa natural à defumação, cada etapa contribui para o resultado que chega à mesa. É uma tradição que se mantém mesmo com a chegada de novas tecnologias aos frigoríficos.
Foto: Rodrigo Corrêa/Agência AlescA Linguiça Blumenau faz parte da história deixada pelos imigrantes alemães e, ao longo dos anos, passou a ser produzida por famílias que mantêm vivos o modo de fazer e os sabores que identificam o produto.
Da escolha das carnes aos temperos, do embutimento em tripa natural à defumação, cada etapa contribui para o resultado que chega à mesa. É uma tradição que se mantém mesmo com a chegada de novas tecnologias aos frigoríficos.
Indicação Geográfica protege a Linguiça Blumenau
Hoje, essa história também é protegida pela Indicação Geográfica (IG), reconhecimento concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). O selo valoriza a origem da Linguiça Blumenau e estabelece critérios que ajudam a preservar suas características e o modo tradicional de produção.
Para utilizar a denominação reconhecida pela IG, os produtores precisam estar dentro da área geográfica delimitada e seguir as regras estabelecidas no Caderno de Especificações Técnicas. Na prática, é uma forma de proteger a identidade do produto e dar ao consumidor mais segurança sobre aquilo que está levando para casa.
No município de Gaspar, empresas que atuam no setor da charcutaria se asseguram que parte desse processo continue sendo artesanal. A defumação, por exemplo, é feita com lenha.
“A nossa defumação é feita com lenha, sem aditivos de fumaça. É esse processo que dá à linguiça a cor, o aroma e o sabor característicos. A tecnologia está presente para ajudar e dar agilidade, mas alguns processos artesanais são mantidos justamente porque fazem toda a diferença no produto final”, explica Carina Maísa Reinert Hensel, que atua em uma empresa local e preside a Associação das Indústrias Produtoras de Linguiça Blumenau (Alblu).
Carina cresceu acompanhando o trabalho da família e hoje participa da empresa, que tem mais de 30 anos. “Desde pequena eu acompanhava o trabalho aqui e, com o tempo, fui aprendendo a gostar do processo. Hoje é uma honra continuar essa história e fazer parte de um produto que tem tanto significado para a região.”
Ficha Técnica
- Origem Vale do Itajaí. Tradição trazida pelos imigrantes alemães e passada de geração em geração.
- Ingredientes Base Cortes selecionados de carne suína embutidos em tripa natural.
- Processo de Cura Defumação artesanal feita com lenha, sem aditivos de fumaça, garantindo cor, aroma e sabor característicos.
- Uso Gastronômico Versátil, integra preparações que vão do café da manhã a pratos quentes como pizza alemã e massas.
Uma tradição de família
Em Pomerode, a produção da Linguiça Blumenau também passa de geração em geração. Em uma empresa de defumados da cidade, Edson mantém participação direta no processo, contando com o auxílio da filha, Isadora Zinnke,.
Para Edson, a conquista da IG não significou mudar uma receita que já vinha sendo preservada pela família.
“Nosso padrão já existe há muitos anos e não mudou com a Indicação Geográfica. Desde que iniciamos, mantemos a mesma forma de fazer. A qualidade é a mesma e procuramos colocar isso sempre em primeiro lugar.”
Para Isadora, o selo representa o reconhecimento de uma história construída por diferentes produtores.
“A Indicação Geográfica da Linguiça Blumenau foi um marco histórico. Eu gosto de dizer que cada frigorífico que faz parte dessa história tem um quebra-cabeça diferente, uma história própria, e todos nós construímos uma grande história juntos.”
Segundo ela, a IG também traz segurança para quem compra o produto.
“Ter a IG é uma segurança para o cliente sobre aquilo que ele está levando para casa. Existe uma certeza em relação aos insumos, ao tipo de carne e à forma de produção. Todos seguimos os mesmos requisitos, mas cada produtor tem a sua maneira, a sua ‘mágica’ de fazer o mesmo produto.”
Da produção para a mesa
A tradição também ganhou espaço na gastronomia. Em Pomerode, a Linguiça Blumenau está entre os produtos mais pedidos no Boergarten Pomerania e aparece em diferentes pratos.
“A Linguiça Blumenau é sempre um dos produtos mais vendidos. Temos vários pratos que levam a linguiça, como a pizza alemã, o macarrão alemão com molho de queijo, os bolinhos e porções com linguiça”, conta o chef alemão Heiko Grabolle, que atua em um restaurante no município.
Além de típica da região, ele destaca a versatilidade do produto. “Ela não é excessivamente salgada e é bem temperada. Por isso, acaba sendo muito versátil: combina com café da manhã, pratos quentes, pizza e diferentes preparações.”
Opções gastronômicas com a Linguiça Bumenau
Foto: Rodrigo Corrêa/Agência Alesc
Mais do que reconhecer a origem de um produto, a Indicação Geográfica ajuda a preservar uma história construída ao longo de gerações.
Ao proteger o modo de fazer e valorizar quem produz dentro da região, o selo também agrega valor à Linguiça Blumenau e movimenta uma cadeia que envolve produtores, frigoríficos, restaurantes e consumidores.
A receita trazida pelos imigrantes alemães ganhou características próprias em Santa Catarina e se transformou em patrimônio gastronômico da região. Hoje, tradição e desenvolvimento caminham juntos para garantir que essa história continue chegando à mesa das próximas gerações.
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Design: Milene Conci/Agência Alesc
Repórter:Tatiani Magalhães/Agência Alesc
ALESC EXPLICA
É um reconhecimento concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) que protege a origem da Linguiça Blumenau e estabelece critérios para preservar suas características e o modo tradicional de produção.
Os produtores precisam estar dentro da área geográfica delimitada e seguir as regras estabelecidas no Caderno de Especificações Técnicas.
O processo apresentado na reportagem envolve escolha das carnes e temperos, embutimento em tripa natural e defumação. Alguns produtores mantêm etapas artesanais, como a defumação com lenha.
No caso apresentado em uma empresa de charcutaria, não. Edson afirma que o padrão utilizado pela família já existia antes do reconhecimento e foi mantido após a conquista da IG.
A reportagem apresenta preparações como pizza alemã, macarrão alemão com molho de queijo, bolinhos e porções, além do consumo em outras refeições.