Fatma apoia projeto piloto contra a estiagem em Iporã do Oeste


Dependendo de resultados, proposta pode ser levada como alternativa a outras regiões do Estado

09/04/2014 - 16h36min

Prefeito Ilton com presidente da Fatma, em reunião articulada pelo deputado Padre Pedro

Prefeito Ilton com presidente da Fatma, em reunião articulada pelo deputado Padre Pedro

O presidente da Fatma, Alexandre Waltrick, manifestou apoio ao projeto piloto apresentado pelo prefeito de Iporã do Oeste, Ilton Vogt, para reduzir o impacto da estiagem principalmente no interior do município. A proposta nasceu depois de uma visita à Universidade Federal de Viçosa (UFV), de Minas Gerais, em 2013, com a participação do prefeito Ilton, do deputado Padre Pedro Baldissera (PT), do secretário da Agricultura do município, Auri Mathias e do coordenador do Sindicato da Agricultura Familiar de Iporã do Oeste, Leonel Paludo. 

O projeto consiste em pequenas contenções, com impacto ambiental insignificante, que garantem um melhor aproveitamento da água nos períodos de maior volume dos rios. “É uma ideia inovadora e parabenizamos a prefeitura de Iporã por buscar alternativas para a falta de água. Serão necessárias algumas adequações legais, mas a Fatma prestará o apoio necessário”, disse Waltrick.

O prefeito Ilton Vogt destacou que a ideia é implementar o projeto piloto no interior de Iporã do Oeste e depois de observados os resultados ampliar a experiência em outras comunidades e apresentar a alternativa também a outras regiões do Estado. “Nós temos toda a assessoria da UFV e contamos com o apoio de diversos técnicos e especialistas também em nossa região. Acreditamos que seja um avanço que pode ser experimentado depois por todo Estado”, destaca Ilton.

O deputado Padre Pedro Baldissera lembra que a região mineira onde o projeto foi iniciado pela UFV, como ocorre no Oeste de SC, também enfrenta um regime de chuvas irregular, e que o projeto consegue aproveitar a chuva em excesso durante alguns períodos e garantir o abastecimento na época da estiagem.

Padre Pedro articulará, na Assembleia, a apresentação de um projeto que regulamente a implantação do sistema em caráter experimental, e já vislumbra a estruturação de um programa que garanta recursos à implementação dos pequenos barramentos. “O presidente da Fatma se mostrou impressionado com a proposta porque ela realmente tem um resultado efetivo para as comunidades no enfrentamento à estiagem”, disse o parlamentar. 

A ideia inicial
Uma visita técnica à Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, por lideranças da região Extremo Oeste, em 2013, buscou dados e informações sobre os projetos aplicados em municípios mineiros para melhor aproveitamento da água na região. O objetivo era reduzir o impacto para as famílias durante os longos períodos de estiagem na região Oeste e Extremo Oeste do Estado.

Participaram das reuniões e visitas a projetos o prefeito de Iporã do Oeste, Ilton Vogt, o deputado estadual Padre Pedro Baldissera (PT), o secretário da Agricultura do município, Auri Mathias e o coordenador do Sindicato da Agricultura Familiar de Iporã do Oeste, Leonel Paludo. Eles foram recebidos pelos professores doutores Mauro Aparecido Martinez, Antonio Alves Soares e Sílvio Bueno Pereira, que atuam na área de pesquisa em recursos hídricos do Departamento de Engenharia Agrícola da UFV.

“Conhecer o projeto dentro da universidade foi muito importante para termos uma visão do seu funcionamento, e de sua viabilidade”, observa Paludo. “Algumas das técnicas utilizadas chegam a ampliar em 16 vezes o aproveitamento da água. Conseguimos avançar e teremos o apoio da UFV para a implantação do projeto piloto. O objetivo dessas medidas é garantir que as famílias, nas épocas de estiagem, sofram menos nos períodos de falta de chuva”, explica o prefeito Ilton Vogt.

Somente na última estiagem, Iporã calculou perdas de até 30% para os agricultores. Isso significa mais de 200 famílias atingidas de forma significativa pela falta de água.

Semelhanças regionais
O professor Antônio Alves Soares explica que a primeira medida adotada foi a análise hidrológica da região, para definir qual a melhor alternativa para Iporã do Oeste. “Algumas das medidas são tomadas para o controle das cheias, e outras para armazenar o excedente de água. Este controle determina um equilíbrio hídrico e é isso que permitirá reduzir o impacto de ambos, tanto dos períodos de chuva intensa, como na falta de água”, observa Soares.

Em um ponto, no entanto, os pesquisadores são taxativos: qualquer medida será paliativa sem a adoção de práticas de preservação dos mananciais e de gerenciamento da água nas propriedades. “É preciso ir além. Para resultados efetivos a longo prazo, precisamos nos conscientizar de que é necessário melhorar a forma como utilizamos o solo e a água. Sem isso, qualquer medida torna-se temporária”, destaca  o pesquisador Mauro Aparecido Martinez.

Universidade é referência em projetos dirigidos à agricultura
Fundada em 1926, a UFV tem mais de 20 mil alunos e atua nas mais diversas áreas, com destaque para os projetos na área de agricultura e meio ambiente, onde trabalha com ensino, pesquisa e extensão, diretamente vinculada às comuniaddes. Na área de recursos hídricos, atuando em conjunto com órgãos públicos e privados, a universidade conseguiu avanços significativos, como por exemplo a ampliação da produção agrícola e a redução do pobreza em regiões do Semi-Árido mineiro, que durante décadas sofreram com a estiagem.

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