
A Comissão de Pesca da Assembleia Legislativa conheceu, na reunião desta semana, o projeto Piraqué, desenvolvido pelo Instituto Goio-En, de Chapecó, com o objetivo de preservar e produzir espécies de peixes nativos migradores, do Rio Uruguai. O convite foi feito pelo presidente da Comissão, deputado Padre Pedro Baldissera, depois de conhecer a iniciativa, em março, num seminário realizado na Unochapeco.
A apresentação do projeto foi feita pelo professor Regis Canton, do Instituto Goio-Em, acompanhado pelo professor e ex-reitor da Unochapeco, Gilberto Luiz Agnolin. O programa iniciou em 1997, com financiamento do fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), Eletrosul e Prefeitura de São Carlos, com responsabilidade técnica da UFSC e execução da Fundeste. Atualmente, a Fundeste, através do Instituto Goio-Em e da Unochapecó, administram o projeto em parceria com os municípios de São Carlos e Águas de Chapecó.
A proposta é desenvolver pesquisas que auxiliem na preservação e na produção das espécies nativas do rio Uruguai, disponibilizar estes peixes para o repovoamento e cultivo comercial e diminuir o esforço de pesca, com a formulação de tecnologias de cultivo em viveiros ou tanques rede. A área de implementação fica na região da barragem Foz do Chapecó, que construiu o barramento da água entre os municípios de São Carlos e Águas de Chapecó.
Canton explica que o estudo é dirigido às espécies com maior interesse comercial (Dourado, Pintado, Piava, Bocudo e Jundiá). No projeto, os pescadores, produtores e moradores ribeirinhos são capacitados no manejo dos peixes. A proposta inclui, ainda, a promoção de ações de educação ambiental, a recuperação de áreas degradadas e reconstituição das matas ciliares da região, com a produção de mudas.
Na avaliação do deputado Padre Pedro, o Piraqué mostra a importância do desenvolvimento de projetos sustentáveis na área da piscicultura, que colaboram não só com a preservação do meio ambiente, reduzindo o impacto de obras como a Usina Foz do Chapecó, como garantem uma alternativa consistente de geração e agregação de renda aos agricultores familiares que vivem na bacia do rio Uruguai. “Quando conhecemos o projeto, nós vimos nele um exemplo para outras iniciativas. É a utilização da pesquisa e da tecnologia em benefício direto das populações daquela região”, afirmou o parlamentar.
A unidade do projeto em Águas de Chapecó
– Área total de 16,6 hectares
– Viveiros em 4 mil metros quadrados de área alagada; 25 unidades experimentais; 20 unidades de larvicultura; 25 unidades para reprodutores; sistema de tratamento de efluentes; escritório; alojamento e laboratório.
– Investimento total de R$ 4,7 milhões (R$ 2,3 milhões Ministério da Pesca e Aqüicultura; R$ 643 mil Fundeste/Unochapecó/Instituto Goio-En; R$ 1,8 milhões Foz do Chapecó)
Resultados
Como principais resultados, o projeto conseguiu sucesso na reprodução dos peixes nativos, criou o único banco genético vivo de todas as espécies migratórias de peixes do rio Uruguai, garantiu a transferência de tecnologia aos produtores da região, reforçou a educação ambiental e contribuiu para o desenvolvimento da piscicultura regional.
Cássio Turra
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