Deputado Aldo presta homenagem a servidora da Alesc falecida recentemente


10/12/2014 - 16h17min

Ondina Doin Vieira Wandelli faleceu aos 76 anos. FOTO: Álbum de família

Ondina Doin Vieira Wandelli faleceu aos 76 anos. FOTO: Álbum de família

O deputado Aldo Schneider  apresentou um requerimento ao presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, deputado Romildo Titon, para prestar homenagem e manifestar pesar pelo falecimento da senhora Ondina Doin Vieira Wandelli, fato que, além de enlutar a família e amigos, entristece toda a sociedade catarinense. Ondina nasceu no dia 21 de maio de 1938 e faleceu na madrugada do dia 1º, aos 76 anos. 

Esta pequena-gigante, onda de energia e luz, guardava no corpo pequeno, frágil e delicado, uma grandiosidade e coragem infinitas. Sua vontade de viver será para sempre um mistério que não se explica para a legião de amigos que fez por onde passou. Formada em História pela antiga Faculdade de Filosofia da UFSC, Ondina foi durante 30 anos funcionária nomeada para cargo efetivo de escriturária e datilógrafa da Alesc.

Ingressou na Assembleia Legislativa aos 18 anos, pouco depois de sua irmã Luíza Doin Vieira, também já falecida. O presidente do Sapiens Park, Saulo Vieira, que ingressou na mesma época como contínuo, fez toda a carreira até o cargo de procurador-chefe e era muito próximo dos irmãos e irmãs Doin Vieira, dá o se testemunho: “Ela entrou ainda menina e deu a vida pela instituição”. Tia do ex-governador Paulo Afonso Vieira e irmã do deputado federal Eugênio Doin Vieira, cassado em 1968 e demitido do cargo de professor do Centro Socioeconômico da UFSC pela Ditadura Militar, quando ela o visitava com o esposo Álvaro Wandelli Filho em Brasília (Eugênio foi reintegrado pela Lei da Anistia em 1979).

Natural de Florianópolis, Ondina alfabetizou seus cinco filhos bem antes de ingressarem na escola e deixou-lhes o amor pela arte, pelos estudos, pela natureza, pela convivialidade e pela espiritualidade. É uma dos nove filhos do professor da Escola Pública Antonieta de Barros, o comendador Bento Águido Vieira, e da vigorosa e amorosa matriarca Celina Doin Vieira. Falecido há cerca de quatro décadas, o casal criou com dificuldades financeiras, mas com muito apego aos estudos e à doutrina cardecista, essa prole chamada por todos de “família maravilhosa”. E ainda acolheu outros três órfãos, Juci, Vilson e Irani Guarani Vieira, este último já falecido.

Seis desses irmãos já se foram, a começar pelo ex-secretário da Fazenda do governo Celso Ramos Eugênio Doin Vieira, que partiu há cinco anos. Com Ondina, cinco outros pássaros do clã Doin Vieira bateram em revoada entre 2013 e 2014: o fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda Ondino, o médico Gilberto, a funcionária da Assembleia Legislativa Luíza e o médico e professor universitário Júlio Doin Vieira, todos ligados ao PMDB histórico. São vivos Benta, filha do primeiro casamento, com 103 anos, o advogado Arnaldo e a farmacêutica Celina.

Acompanhando o marido na carreira de juiz pelo interior de Santa Catarina, o poeta e desembargador aposentado Álvaro Wandelli Filho, amor inseparável de toda uma vida, Onda morou em oito cidades diferentes do Estado, onde lecionou e fez trabalhos nos fóruns de comarca e em instituições sociais. Em todas elas – Orleans, Xaxim, Sombrio, Ouro-Capinzal, Xanxerê, Jaraguá do Sul, Tubarão, Florianópolis – fez amizades de uma vida inteira e tornou-se inesquecível para milhares de pessoas, muitas das quais compareceram à cerimônia de sua despedida na segunda-feira, às 17 horas, no Jardim da Paz.

Matriarca de uma família de cinco filhos (Álvaro, Elisa, Raquel, Leonardo e Cristiana, ao qual se somou mais tarde Sueli Batista, uma filha do coração) e 11 netos, Ondina sempre deu o exemplo de sua coragem e solidariedade com os mais humildes e por todos que guardam um sentimento. A linda, doce e delicada “Nega”, como também chamada pelos irmãos, era uma exímia quituteira e declamadora de poesia e organizadora de festas que tinham o único intuito de congregar pessoas. Cultuava a língua e a cultura francesas, amor que herdou da mãe, descendente de imigrantes da França que aportaram em São Francisco do Sul e do pai, um açoriano autodidata que muito valorizava o conhecimento.

Homenagear uma pessoa tão admirável e corajosa pareceu um desafio intransponível, mas os filhos, o marido, parentes e amigos não fugiram a ele. Transformaram esse momento trágico em uma linda cerimônia de amor, arte e compreensão do ciclo vida, com cantos, declamação de poemas, falas espontâneas e orações que enterneceram o coração dos presentes. O desejo de manter a lição de alegria e de amor à vida de Onda acima da profunda dor de sua perda tomou conta de aproximadamente 500 pessoas que passaram pelo Jardim da Paz e testemunharam nunca antes ter ido a um sepultamento tão amoroso e sublime. Todos guardavam uma lembrança carinhosa da “pequena guerreira”.

Orgulho de uma geração, Ondina lutou os últimos 20 anos contra enfermidades graves, mas nunca se abateu e sempre retornou milagrosamente com sua fome de viver e de irradiar amor. Em julho deste ano, foi operada às pressas de um tumor no intestino já com metástase e sem tratamento. Desta vez, não conseguiu retornar. Faleceu no Hospital da Unimed, em São José, após uma semana de internação com o agravamento de seu estado de saúde por uma fratura espontânea. Sua música preferida “Debaixo dos caracóis”, de Roberto Carlos, muitas vezes cantarolada no velório e pelo cortejo até o alto da colina, expressa bem a força de superação dessa fênix que até o último instante foi um "soluço e a vontade de ficar mais um instante…”.

Os versos “A bailarina”, de Cecília Meirelles, que ensinou a uma das filhas e foram recitados durante a cerimônia de adeus, evocam bem a sua existência emblemática: "Alça o teu voo além da queda/ Rompe os elos de espaço e tempo./ Galga as obrigações da terra,/ Atira-te em música, ó seta,/ E restitui-se em pensamento!" A última homenagem coube ao, seu amor há 56 anos, Álvaro Wandelli Filho, com quem nutria uma relação de rara delicadeza. Álvaro recitou o poema que escreveu dedicado a sua Ondina Wandelli, terminando com os versos: “Mas, depois de muitas noites, chega a aurora e seu esplendor realizando nossos sonhos e, no fim, quem triunfa é o amor”.

Colaborou e elaborou o texto a filha da Dona Ondina Wandelli, Raquel Wandelli.

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