Crise hídrica: Que não sejamos nós os culpados


16/03/2015 - 20h08min

Parlamentar apresenta projeto de lei em plenário FOTO: Assessoria de Imprensa deputado Narcizo Parisotto

Parlamentar apresenta projeto de lei em plenário FOTO: Assessoria de Imprensa deputado Narcizo Parisotto

Para ficar com a consciência limpa, a população deve fazer sua parte e utilizar a água de forma consciente e responsável, pois a natureza sozinha não resolve tudo, é preciso ajudar

Fechar a torneira ao escovar os dentes, tomar banhos rápidos, reutilizar a água da chuva ou da máquina de lavar roupas para a limpeza da casa, consertar vazamentos. Estes são pequenos gestos, mas que fazem toda a diferença quando o assunto é uso racional da água. De acordo com dados da Diretoria de Recursos Hídricos da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (SDS), não existem indicadores que sinalizem uma iminente crise hídrica em Santa Catarina. Porém, é preciso considerar a necessidade de investimentos em campanhas de conscientização e conservação, além da ampliação dos sistemas de abastecimento.
Para fugir da crise hídrica e evitar problemas enfrentados por estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, iniciativas começam a ser desenhadas. No dia 11 de fevereiro, foi protocolado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) o Projeto de Lei (PL) 12/2015. O projeto, de autoria do deputado Narcizo Parisotto (DEM), visa instituir uma campanha de conscientização para o uso racional da água.
Parisotto explica que a campanha será implantada através de ações educativas de orientação e conscientização. “Para desenvolver esta ação, buscaremos parcerias com entidades públicas e privadas, associações, com o Governo do Estado e as secretarias que tem interesse em discutir o assunto. Queremos abrir um grande debate e comprovar que, quando cada um faz sua parte, é possível alcançar resultados positivos”, diz Parisotto.
O PL traz algumas temáticas que terão maior destaque, como as formas de evitar o desperdício, os sistemas de captação e armazenamento da água da chuva para fins domésticos e industriais e a reutilização da água. No momento, o PL tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alesc.

Perdas na distribuição
Segundo o Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS) de 2013, Santa Catarina apresentava um índice de perdas na distribuição de 33,72%. Este índice já foi ainda maior. Em 2005, por exemplo, o estado registrava perdas na distribuição de 47,04%. Lajeado Grande, em 2013, teve um índice de perda de 90%. Na prática, de 10 litros de água tratada na região, apenas um litro chegava ao destino final. Outras cidades também registravam alto percentual de perdas em 2013: Bom Jesus (70,35%) e Siderópolis (67,78%).
O deputado Parisotto ressalta que “esta porcentagem de perda precisa ser reduzida. Temos o bom exemplo de Balneário Camboriú, onde o registro de perdas na distribuição de água era de apenas 0,26% em 2013. Isso prova que algo pode ser feito para evitar este desperdício”, ressalta Parisotto.

Falta conscientização
A questão de perda de água durante a distribuição é muito grave, mas não tanto como a falta de conscientização e o desperdício por parte da população. Relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) alertam que se o padrão de consumo e poluição não mudar, em 2025, 1,8 bilhão de pessoas estarão vivendo em países ou regiões com absoluta escassez de água. Além disso, dois terços da população do mundo poderá viver sob condições de estresse hídrico. “Este nível de carência de água certamente irá refletir de forma negativa nos campos da saúde e economia”, lamenta Parisotto. 
Apesar de 70% da superfície terrestre ser coberta de água, apenas 2,5% é de água doce, 99,7% desse volume está concentrado na forma de geleiras, coberturas de neve e águas subterrâneas, ou seja, apenas 0,3% desse recurso próprio para o consumo está disponível em rios e lagos. “Pequena porcentagem que seria suficiente para abastecer a vida na terra caso a ação do homem não fosse predatória”, lembra Parisotto.
O deputado ressalta que Santa Catarina tem um bom histórico de preservação de nascentes. É um estado rico em mananciais e com bons níveis de chuva, por isso está mais distante da crise hídrica registrada em outros estados. Mas a incapacidade de uso consciente, de tratar a água sem desperdiçar e a falta de reservatórios ainda deixam Santa Catarina tão à mercê de fatores climáticos quanto estados vizinhos. “Hoje, nosso estado ainda consegue conter a situação. Mas se continuarmos neste ritmo, as gerações futuras não terão garantia alguma, pois não haverá água para atender a demanda. O uso irracional deste recurso deve ser combatido em todas as instâncias”, finaliza Parisotto. 

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