Comunicação

Seminário na Alesc promove capacitação sobre violência de gênero no ambiente escolar


Alexandre Back
26/06/2026 - 10h10min

Seminário Dialogando pela Paz.

Seminário Dialogando pela Paz.

Foto: Rodrigo Corrêa / Agência Alesc

Capacitar professores e servidores da rede educacional para a identificação, prevenção e o manejo de situações relacionadas à violência de gênero no contexto escolar. Esta é a proposta do seminário “Dialogando pela Paz: Construindo relações de respeito e comunidades de cuidado no contexto escolar”, que a Comissão de Direitos Humanos e Família, em parceria com a Escola do Legislativo, promove nesta sexta-feira (26), na Assembleia Legislativa.

Por meio de vídeo, o deputado Marquito (Psol) afirmou que propôs a realização do evento com base na mais recente edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que apontou elevada ocorrência de violência contra a mulher no estado. Realizada anualmente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a publicação reúne, organiza e analisa dados oficiais de todas as unidades da federação relativos à criminalidade, à atuação policial, ao sistema prisional e aos investimentos no setor.

Para o parlamentar, o combate à violência de gênero deve ser uma prioridade também dentro das escolas.

“Mudar essa realidade, não normalizar a misoginia e garantir uma sociedade que progride na defesa das mulheres é um compromisso não somente individual, nem somente político. Precisa ser um compromisso assumido coletivamente pela nossa comunidade, e o ambiente escolar é fundamental para essas construções.”

Opinião semelhante foi apresentada pelo promotor de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina, Marcelo Brito de Araújo, que afirmou que a melhor forma de combater a violência de gênero é instruindo as crianças sobre o tema. Nesse sentido, ele destacou a importância da capacitação dos profissionais da educação.

“Precisamos preparar os professores para que possam orientar nossos estudantes e ajudá-los a enxergar o outro e a sociedade de uma maneira diferente. A escola é o melhor espaço para formar essas crianças e adolescentes e, consequentemente, nossos docentes precisam estar preparados para abordar esse tema com seriedade, mas também de uma forma que dialogue com a realidade e a linguagem deles.”

Já o coordenador do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Direitos Humanos do IFSC, Felipe José Schmidt, argumentou que a formação dos profissionais da educação contribui para desconstruir preconceitos e construir um ambiente escolar mais seguro e acolhedor.

“A formação continuada é um dos principais instrumentos para sensibilizar todos os profissionais envolvidos nos processos educativos. A escola é um espaço de proteção, cuidado e segurança para quem chega até nós e para quem convive nesse ambiente. Por isso, o maior ganho desse processo é promover a desconstrução de conceitos e sensibilizar as pessoas para as transformações e os desafios da sociedade.”

Foco na prevenção

Ainda na parte da manhã, o seminário contou com a palestra “Construindo relações de respeito e comunidades de cuidado no contexto escolar”, ministrada pelo psicólogo Ítalo Oliveira.

Em sua fala, ele abordou os principais tipos de violência praticados contra as mulheres, como a desigualdade de poder, a discriminação, a misoginia e a violência física, destacando ainda a relação dos adolescentes com a masculinidade e o papel das redes sociais na propagação do ódio.

Na avaliação do profissional, uma das principais medidas a serem adotadas pelos educadores é atuar de forma preventiva para evitar situações de violência.

“O que a gente quer é prevenir a violência de gênero no ambiente escolar. Por isso, estamos propondo diversos métodos para isso, que envolvem a utilização de jogos lúdicos e também o trabalho com metodologias psicorreflexivas e participativas.”

Oliveira, que também atua como policial civil na área de violência doméstica, orientou, entretanto, que os casos de agressão identificados sejam comunicados a órgãos como delegacias especializadas, centros de referência de atendimento à mulher e o Ministério Público, para que sejam investigados e, quando cabível, resultem em responsabilização criminal.

Notícias relacionadas


Ver mais notícias relacionadas

Whatsapp

Informações da Alesc no seu celular

Receber notícias