
Ciclo regional chega ao fim
Liderado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), por meio do Comitê Integrado para Cidadania e Paz nas Escolas (Integra), o Seminário de Segurança Escolar chegou nesta terça-feira (16) ao município de Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis, encerrando o ciclo de seis encontros regionais promovidos no primeiro semestre de 2026.
A iniciativa já envolveu mais de 2 mil pessoas e alcançou 2.786 unidades escolares municipais.
O principal resultado dos seminários foi a consolidação do Plano de Contingência Multirriscos para Unidades Educacionais (Plancon Edu Multirriscos), protocolo de segurança escolar desenvolvido em Santa Catarina e que passará a integrar, de forma permanente, contínua e pedagógica, o currículo das escolas das redes estadual, municipal e privada em todos os níveis de ensino, da educação infantil à universidade.
A solenidade reuniu cerca de 150 representantes da comunidade escolar da Grande Florianópolis e da região da Amfri.
Participaram do evento:
- o deputado Rodrigo Fachini (Podemos), representando a Assembleia Legislativa;
- o diretor-geral adjunto da Alesc, Diego Vieira de Souza;
- o prefeito de Governador Celso Ramos, Marcos Henrique da Silva;
- a representante da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), Marinez Chiquetti Zambon;
- e a representante da Defesa Civil de Santa Catarina, Regina Panceri, entre outras autoridades.
A deputada Paulinha (Podemos), atualmente licenciada, enviou uma mensagem em vídeo destacando a importância dos encontros para a construção de políticas públicas voltadas à cultura da paz e à segurança nas escolas.
Modelo inédito de governança
Representando a Alesc, o deputado Rodrigo Fachini ressaltou o caráter histórico da iniciativa, que reúne 27 instituições e atores sociais em torno da segurança escolar.
“Santa Catarina assume o protagonismo em ações dessa envergadura. É um esforço coletivo que congrega forças de segurança, Poder Judiciário e diversos segmentos da sociedade para fortalecer a cultura da paz nas escolas”.
Deputado
Rodrigo Fachini
O diretor-geral adjunto da Alesc, Diego Vieira de Souza, destacou que o Comitê Integra nasceu após os ataques registrados em escolas catarinenses e se transformou em um modelo de governança inovador no país.
Segundo ele, sob a coordenação do Parlamento catarinense, mais de 20 instituições passaram a trabalhar conjuntamente na elaboração de políticas públicas para a segurança escolar.
“É um modelo de governança inédito no Brasil. Inspirado em experiências internacionais, coloca sob o guarda-chuva da Assembleia Legislativa instituições como Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e diversos outros órgãos. A partir dessas reuniões mensais, produzimos políticas públicas concretas”, explicou.
Diego Vieira destacou que uma dessas políticas é justamente o Plancon Edu Multirriscos, considerado pioneiro no país.
“Santa Catarina sai na frente mais uma vez. Outros estados já demonstram interesse em adotar esse modelo. O plano oferece aos diretores e professores um instrumento de apoio para agir diante das situações de emergência, garantindo mais segurança e melhor gestão do ambiente escolar”, afirmou.
Defesa Civil destaca mudança cultural
A representante da Defesa Civil do Estado, Regina Panceri, apresentou a experiência desenvolvida na região da Associação dos Municípios do Oeste de Santa Catarina (Amosc), considerada referência em Santa Catarina, e ressaltou que mais de 2 mil pessoas já foram capacitadas durante os seminários e cursos oferecidos pelo programa.
“O papel da Defesa Civil é oferecer ferramentas de gestão de risco e desastres. A grande procura das escolas demonstra a importância dessa preparação e a necessidade que as unidades de ensino têm percebido em relação ao tema”, observou.
Regina explicou que o Plancon Edu Multirriscos contempla cinco cenários de risco:
- eventos naturais, como enchentes, granizo e estiagem;
- riscos tecnológicos, desabamentos e incêndios;
- epidemias e pandemias;
- outras emergências em saúde;
- ameaça grave à vida, incluindo episódios de violência escolar.
Segundo ela, a proposta é substituir a cultura reativa por uma cultura preventiva.
“Estamos promovendo uma mudança de comportamento e de cultura. O plano envolve gestores, professores, estudantes, famílias e toda a comunidade escolar. A preparação não elimina os riscos, mas evita que a escola seja surpreendida”, destacou.
A representante da Defesa Civil também confirmou que o Plancon será incorporado às atividades pedagógicas e terá caráter permanente.
“Ele já começa a ser implementado em 2026 e terá continuidade nos anos seguintes, alcançando toda a rede pública e privada e todos os níveis de ensino”, afirmou.
Municípios organizam comitês regionais
Representando a Federação Catarinense de Municípios (Fecam), Marinez Chiquetti Zambon enfatizou que a segurança escolar passou a ser uma prioridade para os municípios catarinenses.
“Não podemos mais conviver com episódios de violência nas escolas. A prevenção é fundamental. Estamos apenas iniciando esse processo, mas os municípios, por meio das 21 associações regionais, estão se organizando para criar seus comitês e definir estratégias de proteção”, afirmou.
Para a representante da Fecam, a política de prevenção nas escolas é uma das mais urgentes atualmente.
“É uma política emergente e deve ser prioridade em todos os municípios. As crianças precisam estar seguras nas escolas e os pais precisam ter tranquilidade para trabalhar sabendo que seus filhos estão em um ambiente protegido”, ressaltou.
Segundo Marinez, os comitês regionais serão estruturados em articulação com o Comitê Integra, fortalecendo a rede de proteção em todo o Estado.
Rede de proteção
Os seminários têm como objetivo fortalecer as ações voltadas à cultura da paz, à prevenção, à proteção e à articulação interinstitucional no ambiente escolar.
Em 2026, os encontros já passaram pelos municípios de Campos Novos, Araranguá, Rio do Sul, São Miguel do Oeste e São Bento do Sul.
As atividades reúnem profissionais da educação, representantes de instituições públicas e integrantes das forças de segurança, promovendo a integração entre todos os atores envolvidos na proteção das comunidades escolares.
Números reforçam necessidade de prevenção
Dados apresentados durante os encontros mostram que Santa Catarina registrou 7.719 ocorrências relacionadas à violência escolar em 2024.
Apesar do avanço das ameaças virtuais, Santa Catarina é considerada referência nacional em segurança escolar. Graças ao trabalho integrado desenvolvido pelo Comitê Integra e pelos órgãos de segurança, o número de ataques violentos consumados no Estado caiu de 15 para três casos por ano.
Os resultados reforçam a importância da política pública liderada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina, que transformou uma resposta emergencial em uma estratégia permanente de Estado para a promoção da cultura da paz e da proteção das comunidades escolares.
O que é:
O Comitê Integra (Comitê Integrado para Cidadania e Paz nas Escolas) é um órgão permanente criado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), oficializado pela Lei 18.878/2024, focado em propor, discutir e fiscalizar políticas de segurança e cultura de paz nas instituições de ensino.
- Escola de Pais: Iniciativa voltada a oferecer suporte a mães e pais sobre os impactos do excesso de telas na saúde mental e o afastamento familiar. [1]
- Prêmio Paz nas Escolas: Edital promovido pelo comitê para incentivar estudantes do ensino fundamental e médio a expressarem, por meio de vídeos, ações que combatam a violência e o bullying.
- Capacitação Contínua: Promoção de seminários macrorregionais e cursos virtuais voltados a professores, forças de segurança e comunidade escolar.
- Atuação Interinstitucional: O grupo é composto por representantes de 27 instituições catarinenses, incluindo órgãos governamentais, Ministério Público, conselhos de educação e setores empresariais
ALESC EXPLICA
É um órgão permanente criado pela Alesc para discutir, acompanhar e propor políticas públicas voltadas à cultura da paz e à segurança nas escolas catarinenses.
É um plano de contingência desenvolvido para orientar escolas na prevenção e resposta a diferentes situações de risco, incluindo desastres naturais, emergências em saúde e episódios de violência.
O comitê reúne representantes de 27 instituições, incluindo órgãos de segurança, educação, Justiça, Defesa Civil e entidades da sociedade civil.
Promover capacitação, integração institucional e fortalecimento das ações preventivas voltadas à proteção das comunidades escolares.