
O lançamento de um livro infantil cuja proposta é levar jovens leitores a descobrirem os mistérios da vida selvagem de forma divertida, curiosa e cheia de aventuras, e a abertura de uma exposição sobre principais unidades de conservação catarinenses marcaram, nesta terça-feira (2), a abertura do Mês do Meio Ambiente, na Assembleia Legislativa.
“Teremos eventos até o início de julho, para variados públicos, mas com olhar especial para as crianças, como instrumentos de transformação na proteção ambiental”, diz o deputado Marquito (Psol), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alesc.
“O tema, este ano, são as áreas protegidas e a justiça climática”, ele destaca, lembrando o risco dos efeitos que grandes catástrofes podem causar, de forma irreversível, na vida das populações mais vulneráveis.
Unidades de conservação em destaque
A exposição “Unidades de Conservação de Santa Catarina – patrimônio natural, gestão e participação social”, em parceria com o Instituto do Meio Ambiente (IMA) e Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICM-Bio) apresenta painéis, cubos interativos, acervo paleontológico e vídeos, com destaque para a fauna nativa.
A mostra é aberta ao público na Galeria Ernesto Meyer Filho, no hall do Palácio Barriga Verde, até o próximo dia 18, das 7 às 19h.
A abertura contou com a participação da diretora de biodiversidade do IMA, Sabrina Nunes Cataneo Maestri, que valorizou “a oportunidade valiosa de aproximar as unidades de conservação à população”. São 10 unidades estaduais que somam 120 mil hectares. Outras 16 unidades federais são administradas pelo ICM-Bio, e mais de 100 reservas são privadas, entre as 192 cadastradas em Santa Catarina.
Proposta de trocar celular por aventura na natureza
O livro “A vida Secreta da Natureza”, direcionado para leitores a partir de 8 anos, é uma criteriosa produção organizada pelo geólogo e ambientalista Christian Döbereiner, que pretende incentivar os jovens leitores a deixar o celular de lado e sair para explorar o mundo natural.
Christian conta que o projeto foi desenvolvido por 18 meses. “A ideia é despertar a imaginação de jovens leitores, em suas casas, para uma ida ao campo”.
É apresentado como um guia sobre a biodiversidade da Serra Geral desenvolvido com textos da bióloga e doutora em comportamento animal Cristina Santos e imagens do biólogo e ilustrador científico Leandro Lopes.
“Serve para despertar a curiosidade, até em caminhadas em parques ou trilhas”, explica Cristina. “É de fácil entendimento e propõe 15 atividades para serem desenvolvidas em passeios”.
“As ilustrações, feitas com lápis de cor, aquarelas ou por meio digital retratam a nossa fauna”, diz Leandro, lembrando que, na infância, via sempre animais que não faziam parte do nosso cotidiano. “Essa é uma diferença importante para entender o meio ambiente”
Totalmente colorido, sugere atividades práticas e apresenta conceitos básicos de ecologia numa linguagem simples e acessível, ajudando as crianças a entender como a natureza funciona e como todos os seres vivos estão conectados.
Entender como os seres vivos são conectados
Os leitores, ou pequenos exploradores, vão conhecer árvores, epífitos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos que vivem nesse incrível bioma da Mata Atlântica do Sul do Brasil.
Além disso, inclui dois posters especiais: um sobre a origem geológica da Serra Catarinense, e outro que mostra de forma visual como todos os elementos da natureza estão interligados.
Inspiração em reserva que é corredor ecológico
A inspiração vem de um projeto desenvolvido há 12 anos por Christian, que por anos foi executivo de meio ambiente de empresas extrativistas e criou a Reserva Araponga, um refúgio natural privado e área de conservação com 215 hectares, localizado na encosta da Serra Geral, entre os municípios de Santa Rosa de Lima, Rio Fortuna e Urubici.
A reserva particular de patrimônio natural (RPPN) destaca-se como um corredor ecológico, inserida no bioma Mata Atlântica, e atua como uma conexão vital na preservação de florestas com araucárias.
Suas nascentes e rios abastecem a bacia do Rio Tubarão e desempenham um papel estratégico na proteção do Aquífero Guarani. A área abriga uma fauna diversificada. O nome da reserva remete à ave-símbolo da fauna catarinense.

