
Barra Velha recebeu nesta segunda-feira (11) mais uma etapa da Caravana da Inclusão, iniciativa promovida pela Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). O encontro integrou o Ciclo de Encontros “Acolhimento e Intervenção para a Inclusão: Construindo Pontes entre Família e Equipe Multidisciplinar”.
Realizado no tradicional salão da Sociedade Recreativa Barra Velha, o evento reuniu cerca de 400 pessoas, entre profissionais, familiares, representantes de instituições e a comunidade para uma tarde de formação, diálogo e troca de experiências sobre práticas de acolhimento e atendimento às famílias de pessoas com deficiência e transtornos do neurodesenvolvimento.
A programação foi organizada em parceria com a AMA de Barra Velha. O deputado Dr. Vicente Caropreso (União), que coordena a comissão, destacou que o papel da Assembleia é levar conhecimento à população catarinense e que a inclusão é dialogar com pessoas com deficiência.
“Quando a gente diz inclusão, não é uma palavra qualquer, é uma série de atitudes, e a nossa comissão tem se esmerado em fazer chegar às pessoas uma formação de qualidade”, afirmou. “Acima de tudo, fazer com que haja um entrosamento real para proteger a criança, proteger as pessoas que têm dificuldade de serem, por exemplo, inseridas no meio escolar. Fazer com que as famílias entendam o lugar delas e a equipe multidisciplinar também. Daí sim, a gente pode falar em inclusão”.
Entre os palestrantes participaram David Crispim, especialista e coordenador da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Casa, que abordou o tema “Quebrando Paradigmas”; a doutora em Psicologia Ana Carolina Wolff Motta, com a palestra “Intervenção: Modelo Centrado na Família”; e Nadya Sluminski, especialista em Transtorno do Espectro do Autismo, Psicomotricidade e Integração Sensorial, que falou sobre “O Processo para Inclusão”.
“O trabalho precisa contar muito com a competência familiar e cabe ao poder público ajudar essa família a ter de fato as suas competências ressaltadas ou até orientadas para que ela realmente consiga ter esse papel de protagonista no desenvolvimento do seu filho”, destacou a palestrante Ana Wolff. “A ideia é que a gente entenda que todas as pessoas se envolvem e interagem com as suas comunidades, seu ambiente familiar, com o ambiente escolar. Por isso, não é um serviço que deve ser terceirizado para uma área da saúde, ou para a área médica, ou para profissionais da saúde. É um trabalho conjunto, um trabalho social. A família precisa ser apoiada para ela realmente cumprir sua função como um agente de desenvolvimento para os seus filhos”.
“Estamos todos no mesmo oceano”
O palestrante David Crispim ressaltou o papel de professores e escolas na inclusão de alunos com deficiência e lembrou peculiaridades de cada ser humano. “Na década de 90, apontavam que no futuro a inclusão já estaria totalmente redondinha. Mas esse futuro já é hoje e estamos engatinhando. Será que todos nós estamos no mesmo barco? Não. Estamos todos no mesmo oceano. Agora, as formas de chegar lá na linha do horizonte são formas diferentes e cada um com seu jeito de ser”, completou. “Isso não é mimimi, não é frescura e não é chatice. Às vezes é uma dor que não dói em vocês”.
Com a colaboração de Fabricio Escandiuzzi

