Comunicação

Abertura do Estágio Visita valoriza autonomia de pensamento e senso crítico de universitários


Presidente da Abel faz palestra a estudantes de todas as regiões do Estado, encorajando a participação na vida política das comunidades

Pedro Schmitt
08/09/2025 - 20h16min

Roberto Lamari, presidente da Abel

Roberto Lamari, presidente da Abel

FOTO: Jeferson Baldo/Agência AL

Palestrante valoriza trabalho da Escola da Alesc

A formação política é importante para o cidadão ter autonomia de pensamento e senso crítico, para saber tirar conclusões sobre a profusão de informações a que todos estamos submetidos no mundo contemporâneo. A avaliação é do consultor legislativo Roberto Lamari, que tem anos de estrada em favor do trabalho de escolas legislativas no país.

Lamari fez a palestra de abertura do Programa Estágio Visita, falando nesta segunda-feira (8) para 50 universitários catarinenses de todas as regiões do Estado. O evento se desenvolve na Assembleia Legislativa até quinta-feira (11). Ele é o presidente da Associação Brasileira de Escolas do Legislativo (Abel) desde 2023, com mandado renovado recentemente, até 2027. Já participou de vários eventos da Escola da Alesc, e considera a instituição como modelo e exemplo para outras organizações: “A Escola tem estrutura e muitos programas consolidados, razão pela qual é reconhecida e premiada nacionalmente. Seu projeto e linha de atuação transcendem as questões políticas ou trocas de administrações, ainda que sempre tenha a frente quadros altamente qualificados”.

Falhas da educação formal
Ele valoriza a importância do jovem construir entendimento e saber discutir política, “porque a maioria não foi educado para isso, já que a educação formal esquece a formação para a cidadania e para a participação na política”.

Nesse sentido, Lamari observa que países nórdicos como Noruega, Suécia e Dinamarca, o Canadá e a França são exemplos de países com investimentos significativos para a formação do pensamento crítico na política. E diz que, aqui, as escolas dos legislativos assumem a responsabilidade do que ele chama de “trabalho de formiguinha”.

“Para muitos, política é um palavrão, ou o entendimento é que ter envolvimento político é se posicionar à esquerda, à direita ou ao centro. E a formação política não tem nada a ver com isso”.

Bolhas nas redes e desinformação
Em sua fala aos estudantes, Lamari lembrou que com o advento das redes sociais, todos se tornaram especialistas e a maioria não aprofunda o conhecimento. “Sabemos tudo do Supremo Tribunal Federal (STF), da Lei Magnitsky, de qualquer assuntos do momento, mas falta autonomia de pensamento e senso crítico para saber tirar conclusões sobre essas informações”.

Ele avalia que, para a maioria das pessoas, “a visão da política é forjada por informações da televisão ou da internet, e muitos vivem em bolhas. A informação, a partir de algoritmos, pode representar um aprisionamento do cidadão, embora aparentemente as redes sociais passem a impressão de acesso à liberdade ampla de conhecimento”.

Daí, aponta o que considera fundamental. “A política é importante para desenvolvermos a capacidade de participar ativamente na vida em sociedade. Precisamos ter compreensão sobre o papel das instituições e dos governantes, do voto e do sistema eleitoral, e saber valorizar os direitos humanos”.

Por isso, Roberto Lamari encoraja os universitários a exercerem papéis em suas comunidades. “Muito se diz, e nós todos já ouvimos um dia, quando jovens, que ‘vocês serão o futuro da nação’.  Mas eu afirmo: vocês são o presente, e precisam se apropriar disso, desenvolvendo a capacidade de votar e participar do dia a dia da sociedade”.

A importância da capacitação
As escolas dos legislativos, segundo ele, promovem uma “revolução silenciosa” em favor da democracia. “Elas mudam a realidade sobre o senso político em muitos municípios”. Os programas a partir de faixas iniciais do ensino são para ele um grande investimento. “Ensinar as crianças sobre a participação política implica em mudar a percepção para a vida. Elas passam a ter outro entendimento sobre o que é a organização em sociedade. Na Abel, dou como exemplo o programa sobre a ‘Constituição em Miúdos’, pelo qual nós traduzimos conceitos que estão em nossa carta magna para o entendimento pelas crianças”.

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