
Aquecimento global, mudanças climáticas e agricultura de baixo carbono foram os temas abordados no primeiro painel da manhã de quarta-feira (31) no Sustentar 2011 – Fórum sobre energias renováveis e consumo responsável, no Centro de Eventos de Chapecó. Durante as exposições, os palestrantes fizeram a correlação de eventos climáticos com problemas que estão ocorrendo nos dias de hoje.
O pesquisador da Epagri/Ciram Sérgio Luiz Zampieri relatou uma série de eventos extremos ocorridos nos últimos anos em Santa Catarina para mostrar que “as mudanças climáticas não são eventos distantes de nós”. Ele afirmou que a degradação ambiental, o crescimento populacional e a perda de biodiversidade são algumas das causas para o aquecimento global. Nos últimos 50 anos, a elevação média da temperatura foi de 0,7º na América Latina, conforme o palestrante.
As principais consequências da elevação da temperatura para o Sul do país será o aumento da quantidade de chuvas, conforme o pesquisador. As temperaturas mínimas também ficarão mais altas, com diminuição dos dias frios, o que impacta diretamente nas culturas de clima temperado, como a produção da maçã, que pode ser prejudicada.
A conservação da floresta amazônica tem uma relação direta com a regularização dos eventos extremos, conforme Gérard Moss, idealizador do projeto Rios Voadores. Ele explicou que a floresta é capaz de bombear para a atmosfera uma grande quantidade da água que evapora do oceano atlântico. Isso faz com que o Brasil seja o campeão mundial em precipitação.
O que Moss chama de rios voadores são os cursos de água atmosféricos, invisíveis, que transportam umidade e vapor de água da bacia amazônica para outras regiões do Brasil. Ele mostrou que as chuvas que caíram na região de Chapecó na segunda e na terça-feira foram provenientes de rios voadores (massas de ar carregadas de umidade vindas da Amazônia), evidenciando que a região amazônica contribui para o recarregamento de rios até mesmo da região Sul e da Argentina. A floresta coloca na atmosfera 20 bilhões de toneladas de água por dia.
Baixo carbono
Maurício Carvalho Oliveira, engenheiro agrônomo do Ministério da Agricultura, abordou a consolidação de uma economia de baixa emissão de carbono na agricultura. Segundo ele, o Plano Nacional de Agricultura de Baixo Carbono é coerente com os compromissos assumidos pelo governo brasileiro na Conferência de Copenhague (COP-15). Oliveira afirmou que a agricultura brasileira já evoluiu muito com a integração de práticas e sistemas conservacionistas, como o modelo de manejo de plantio direto.
Os compromissos previstos no plano incluem adotar na agricultura a recuperação de pastagens e áreas produtivas degradadas; promover a integração lavoura-pecuária-floresta; implantar plantio direto com qualidade e fixação biológica do nitrogênio; aumentar as florestas plantadas; tratar os resíduos animais e promover a adaptação às mudanças climáticas.(Lisandrea Costa)

