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Serviços de saúde a preços populares impressionam comitiva catarinense na Índia


10/04/2012 - 22h00min

Serviços de saúde a preços populares impressionam comitiva catarinense na Índia

Serviços de saúde a preços populares impressionam comitiva catarinense na Índia

Três mil e duzentos alunos, 1800 doutorandos. Os números são do Instituto de Ciência da Índia que concentra num único complexo todos os tipos de ciências e engenharias. Criado em 1909 pelo governo inglês, o Centro se tornou destaque em áreas como física, neurociência, nanociência, nanotecnologia, água e energia. Além de doutorado, oferece cursos de pós-graduação e mestrado. Na visita feita pela comitiva catarinense, o diretor de Relações Internacionais do Instituto, Govindan Rangarajan, deu detalhes de algumas das pesquisas desenvolvidas pela instituição que, todos os anos, recebe algo em torno de 30 milhões de dólares do governo indiano, além de outros 10 milhões de dólares da iniciativa privada. Destacou as parcerias feitas na área e afirmou o interesse do órgão em estabelecer intercâmbio com instituições de países como o Brasil. “Nós temos colaboração de pesquisas, projetos e publicação de artigos em conjunto”, afirma o diretor. “Também temos intercâmbio de estudantes e professores. Essas são nossas áreas de interesse.”
Parcerias como esta ajudam a projetar pesquisas como a que vem sendo coordenada pelo professor Vasant Natarajan, do Departamento de Física. É dele a autoria do projeto que prevê a criação de um equipamento capaz de purificar a água. O processo é simples: através do uso de energias renováveis as gotículas sofrem evaporação. Já na forma de vapor, a água se condensa e o resultado é um produto livre de impurezas. O segredo está no fato de que apenas as moléculas de H2O evaporam durante o processo e não as dos demais resíduos. O sistema, que também prevê a dessalinização da água, custará 40 dólares e pode gerar até cinco litros de água potável por dia. “A maioria das doenças preveníveis em crianças no mundo inteiro são causadas porque as pessoas não têm acesso à água limpa”, diz o professor. “A ideia desse processo é produzir água sem nenhuma impureza, o que significa que ela não vai carregar bactérias. Vai, na verdade, melhorar a qualidade de vida das pessoas que estão consumindo.”
A preocupação com o bem estar também está na base do trabalho desenvolvido pela equipe do Dr. Deivi Shetti. Foi ele o idealizador da rede de hospitais criada para atender pessoas que não têm condições de pagar por uma cirurgia. Fundado em 2001, o Hospital de Narayana começou com mil leitos. Hoje tem 5 mil e o desafio de chegar a 30 mil nos próximos cinco anos. A rede recebe pacientes de 76 países. A equipe é formada por 800 médicos que prestam atendimento nos 14 hospitais da rede. Juntos, eles realizam quase 30 mil cirurgias todos os anos. Para atender à demanda crescente, Shetti criou em 2003 um plano de saúde popular. O plano é voltado a pessoas de baixa renda e custa para cada usuário 0,30 dólar por mês. Três milhões e quatrocentas mil pessoas estão cadastradas. “O programa cobre todas as pessoas que estão registradas em qualquer das cooperativas de fazendeiros”, destaca o Dr. Julius Punnen, consultor sênior da equipe de cirurgiões. “Eles podem entrar em qualquer um dos nossos hospitais e fazer qualquer tipo de cirurgia sem qualquer custo adicional.”
O trabalho chamou a atenção do chefe da delegação catarinense, deputado Jailson Lima (PT), que também é médico. A intenção do parlamentar é estreitar as relações com a equipe do Dr. Shetti. “Nós fizemos um convite para que o Dr. Deivi vá ao Brasil, possivelmente no Encontro da Unale (União dos Legislativos e Legisladores Estaduais) para mostrar a experiência na inovação da área médica”, ressalta o parlamentar. “Não podemos deixar de levar essa experiência para o Brasil, tendo em vista que os nossos custos hospitalares são extremamente elevados.” (Jucinei Cardoso)

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