Comunicação

Segundo painel aborda consequências socioeconômicas das alterações climáticas


14/08/2009 - 17h22min

Seminário sobre Mudanças climáticas e desastres naturais

Seminário sobre Mudanças climáticas e desastres naturais

As consequências socioeconômicas dos desastres naturais
foram abordadas no segundo painel do Seminário Mudanças Climáticas e Desastres Naturais em Santa Catarina, durante a manhã desta sexta-feira (14). Os palestrantes Sandro Luiz Schlindwein, Valmor Schiochet e Tadeu Santos, mediados pela senadora Idelli Salvatti (PT-SC), falaram para um público variado, entre pesquisadores, profissionais da área ambiental, professores e estudantes.
O representante do Núcleo de Estudos em Monitoramento e Avaliação Ambiental (Numavan/UFSC), e estudioso do tema mudanças climáticas e estratégias de adaptação na Bacia do Prata, Sandro Luiz Schlindwein, iniciou sua abordagem afirmando que a mudança climática é o grande desafio que as pessoas terão que enfrentar nesse século. As evidências científicas, as fontes de incertezas em relação ao futuro do clima e as estratégias adotadas no processo de estudo, também foram brevemente relatadas.
Ao falar especificamente do Projeto CLARIS-LPB, uma parceria da Rede Europeia/Sul-Americana para Avaliação da Mudança Climática e Estudos de Impacto na Bacia do Rio da Prata, Sandro Luiz explicou que a intenção do estudo é buscar o melhor indício do que vai acontecer de mudanças climáticas naquela região, além dos seus impactos. Busca-se desenvolver estratégias de adaptação para o uso da terra, no manejo e no cultivo de produtos agrícolas como arroz, soja, milho, trigo e café. A atenção também está voltada para as áreas mineral e industrial.
Conforme o pesquisador, a área envolve o Brasil, a Argentina, o Uruguai, o Paraguai e a Bolívia, o que corresponde a 17 % da superfície da América do Sul. E 63% do território catarinense estão na área da bacia.
Com a ideia de que a pesquisa faça uma previsão das mudanças climáticas até o ano de 2100, o palestrante acrescentou que o estudo é focado no sistema de uso da terra, desenvolvendo estratégias, identificando e contatando os atores do processo como cooperativas agrícolas, produtores, associações e órgãos públicos. “Nosso desafio é ouvir e orientar os produtores sobre as mudanças climáticas, que virão e serão drásticas”, disse Schlindwein.
O professor do mestrado de Desenvolvimento Regional da Universidade Regional de Blumenau (FURB), Valmor Schiochet, falou sobre os impactos socioeconômicos resultantes da catástrofe climática de novembro de 2008, no Vale do Itajaí, Norte do estado. “A forma de reação local não tem gerado um sistema de aprendizagem social para enfrentar situações extremas como essa”, disse. Ele apontou como agravantes os problemas de alocação das pessoas desabrigadas e a falta de infraestrutura da região.
Na última palestra da manhã, o coordenador geral da ONG Sócios da Natureza, Tadeu Santos, tratou das causas e consequências sociais e econômicas do Furacão Catarina na região Sul catarinense. Ele acredita que os combustíveis fósseis, como o carvão, e a irrigação da rizicultura, sejam as causas das mudanças climáticas do Sul. “É preciso investimento dos governos federal e estadual para que estudos específicos confirmem as suspeitas”, declarou Tadeu. (Andreza de Souza/Divulgação Alesc)

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