Comunicação

Reunião da Comissão de Agricultura discute projeto apresentado pela Fetaesc e Câmara Setorial do Lei


10/11/2011 - 18h01min

Reunião da Comissão de Agricultura

Reunião da Comissão de Agricultura

O “Projeto de Desenvolvimento de Leite do Estado” foi o tema de pauta da reunião da Comissão de Agricultura, no final da tarde de quarta-feira (09), apresentado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (Fetaesc) e pela Câmara Setorial do Leite à comissão, presidida pelo deputado Aldo Schneider (PMDB).
Apoiar a sustentabilidade da produção leiteira e qualificar o leite em Santa Catarina são os principais objetivos deste projeto. A comissão fez uma avaliação positiva da matéria, se dispondo a contribuir para que as ações sejam desempenhadas para o alcance dos resultados propostos. Os parlamentares apontaram a necessidade de compor na proposta assuntos relacionados ao conhecimento dos custos da produção de leite em todas as etapas da cadeia e o de avaliar a necessidade de construção de laboratórios para análise do produto.
A comissão destaca a necessidade de readequar o setor de produção de leite e derivados em Santa Catarina. Com isso, os encaminhamentos foram o de fazer um trabalho no sentido de propor emenda coletiva ao governo federal e ao de apresentar emenda ao orçamento do Oeste catarinense – zona de maior produção – com o objetivo de criar rubrica para esta finalidade.
A produção de leite em Santa Catarina representa uma atividade de crescente importância econômica e social, ocupando a quinta posição no país. No entanto, pesquisas apontam que mais de 40% dos produtores estão fora dos padrões exigidos pelas normas de qualidade.
Segundo Sérgio Antonio Bojalur, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a necessidade deste projeto surgiu a partir de um diagnóstico da qualidade do leite, apontando que mais de 70% das amostras produzidas estavam fora do número aceito na contagem bacteriana.
Um dos maiores problemas apresentados é o da falta de instrumentos e qualificação do pequeno produtor, que representa a maior parte da produção em Santa Catarina.
Irineu Berezanski, coordenador da Câmara Setorial do Leite, esclarece que 61% da produção de leite catarinense provêm de propriedades com menos de 20 hectares, e que, com isso, é de extrema importância adequar a produção à agricultura familiar e aos assentamentos.
Rever o conceito de agricultura familiar, incluir o pequeno produtor, diminuir custos de produção e melhorar a qualidade no tratamento dos rebanhos – criando o hábito do consumo de pastagem de qualidade e evitando o consumo de produtos industrializados e químicos pelos animais – foram as propostas do deputado Dirceu Dresch (PT), um dos componentes da mesa.
O deputado Mauro de Nadal (PMDB) ressalta sua preocupação em não abandonar os pequenos produtores. “Alguns projetos começam com os pequenos, crescem e os abandonam. São as surpresas reservadas pelo sistema capitalista. Esta discussão precisa de aprofundamento, neste ponto, para continuar dando suporte aos menores”.
Resultados esperados
Melhorar a qualidade do leite produzido no estado, viabilizar a sustentabilidade da produção rural, melhorar as qualidades sanitária, nutricional e genética dos rebanhos e aumentar a participação de Santa Catarina no mercado nacional e internacional através de exportação, além de proporcionar instrumentos adequados de manejo, inspeção e remessa de amostras, e criar a consciência do consumo de qualidade são alguns dos resultados esperados no projeto e que elencam os motivos para encaminhamentos.
Orçamento
A questão orçamentária para a execução do projeto, entretanto, pode ser um entrave, pelo menos para a Secretaria Estadual da Agricultura e da Pesca. Representando o secretário João Rodrigues, Roni Barbosa, diretor de qualidade e defesa agropecuária, afirmou que o orçamento estimado de R$ 20 milhões, num prazo de dois anos, apresentado para dar conta da estrutura proposta, está fora de cogitação para a Secretaria, que possui recursos menores em seu orçamento.
Evolução necessária e possível, apresentada pela Câmara Setorial do Leite:
Melhoria da qualidade do leite (pagamento por qualidade e por sólidos)
Organização da cadeia produtiva (competitividade setorial)
Desenvolvimento de uma indústria de serviços para a agricultura – melhorar a eficiência e reduzir custos
Tratar pasto como lavoura: irrigação, adubação, renovação de pasto
Pastoreiro rotativo – essencial (ajustar a relação solo, clima, planta, animal)
Promover o apoio à sustentabilidade da produção de leite e a melhoria da qualidade do leite emSanta Catarina
Desenvolvimento de um ambiente de negócio por meio de maior integração entre os diversos elos da cadeia do leite no estado
Integrar entidades e ações convergentes voltadas ao objetivo geral proposto
Melhoria da produtividade
Melhoria da qualidade do leite e derivados lácteos
Melhoria do status sanitário relacionado à bovinocultura leiteira
Acesso a novos mercados internos e externos
Estimular a formação profissional de jovens agricultores com foco na atividade leiteira
Difundir o conceito de qualidade do leite junto aos consumidores
Produzir conhecimento sobre qualidade do leite a partir das experiências regionais
Capacitar os produtores de leite – sustentabilidade, associativismo, administração da produção, qualidade do leite
Capacitar técnicos das indústrias, cooperativas e órgãos dos serviços de inspeção, de acordo com as diversas vertentes do projeto (Michelle Dias)

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