Comunicação

Prefeitos protestam e pedem aumento do repasse do FPM


Lisandrea Costa
11/04/2014 - 15h38min

"Os municípios brasileiros estão à beira da falência." Essa sentença deu a tônica do ato de protesto realizado pela Federação Catarinense dos Municípios (Fecam) na Assembleia Legislativa, na manhã de hoje (11), com a presença de prefeitos de diversas regiões. A principal reivindicação é o aumento de dois pontos percentuais no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), atualmente em 23,5%.

A manifestação integra a campanha "Viva o seu município", proposta pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Em todas as capitais do país devem ocorrer atividades durante o dia, como estratégia para sensibilizar a sociedade sobre as dificuldades enfrentadas pelas administrações municipais.

A Fecam estima que os municípios catarinenses perderam R$ 10,7 bilhões do FPM no período de 1996 a 2012 em função da política do governo federal de desonerações do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Por isso, os municipalistas reivindicam mais 2% de participação e o fim das desonerações sobre a parcela que vai para as prefeituras.

Em 1989, o repasse do FPM (20,5%) representava 15% da receita total da União. Mesmo reajustado para 23,5%, em 2012 a participação dos municípios representou 10% daquilo que a União arrecada.

O presidente da Fecam e prefeito de Taió, Hugo Lembeck, explicou que a conta é simples: "a matemática não fecha porque os municípios assumem cada vez mais responsabilidades sem uma contrapartida de receita para custear as novas despesas". A reclamação diz respeito aos novos programas sociais e de saúde criados pelo governo federal, cujos custos de manutenção e pagamento de pessoal recaem sobre as administrações municipais.

A pauta de reivindicações do prefeito inclui a partilha de pelo menos 10% das contribuições recolhidas pelo governo federal, que não são divididas com estados e municípios, e a revisão do Pacto Federativo.

Hoje, a União fica com 60% dos recursos, repassa 23% para os estados e 17% para os municípios. "O ideal seria 30% para os municípios. Pode até parecer utópico, mas é justo e vamos levar essa reivindicação adiante", disse Lembeck.

Desequilíbrio entre receitas e despesas
Presente ao evento, o deputado federal Esperidião Amin (PP/SC) destacou que atualmente cerca de 70% dos municípios brasileiros estão sem condições orçamentárias de manterem os programas e serviços disponibilizados à população. Atual coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, ele destacou que a situação vem se agravando a cada ano devido à transferência de encargos promovida pela União.  “O Palácio do Planalto lança bons programas, mas a manutenção dos mesmos fica a cargo das prefeituras, que passam a contar com estes acréscimos em seus custos todos os meses, sem receber receitas adicionais para isso.”

Outro problema, disse, é a política de desoneração fiscal adotada pelos últimos governos visando reaquecer a economia do país e que afetou severamente as fontes de receita de estados e municípios. “Para cada R$ 1 real cedido, R$ 0,55 não eram do montante que cabe à União, mas sim dos municípios e estados mais pobres.”

O parlamentar afirmou, no entanto, que o quadro atual é favorável a uma mudança. “Haverá eleição para presidente neste ano e precisamos cobrar dos candidatos ao cargo um posicionamento sobre a questão, sob pena de comprometermos futuramente todo o sistema federativo brasileiro.”

PEC 39/2013
Um exemplo das dificuldades enfrentadas pelos municípios foi relatada durante o encontro pelo prefeito de Biguaçu, José Castelo Deschamps (PP).  Em razão da baixa receita ordinária, aquela que não possui aplicação específica, o reajuste anual do funcionalismo municipal, com data-base em janeiro, só vem sendo cumprida em meados de abril, gerando uma série de descontentamentos entre os servidores.

Entre as principais prioridades dos prefeitos, destacou Deschamps, está a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 39/2013, atualmente em tramitação no Congresso Nacional, que visa aumentar em dois pontos percentuais os repasses do FPM, hoje fixada em 23,5% da arrecadação nacional do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto de Renda (IR).

Segundo cálculos da Confederação Nacional dos Municípios, a medida representaria um acréscimo de R$ 7,2 bilhões aos cofres municipais. “Estamos vivendo uma situação crítica. A aprovação desta PEC daria um novo fôlego aos pequenos e médios municípios, que têm no FPM uma de suas mais importantes fontes de renda”, destacou Deschamps. (com informações de Alexandre Back)

Notícias relacionadas


Ver mais notícias relacionadas

Whatsapp

Informações da Alesc no seu celular

Receber notícias