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Piscicultura é destaque na Efapi 2011


09/10/2011 - 20h30min

Peixes nativos e exóticos atraem a atenção dos visitantes

Peixes nativos e exóticos atraem a atenção dos visitantes

A piscicultura ganhou um lugar de destaque na Efapi 2011 – Exposição-feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Chapecó. O pavilhão da Mostra e Espaço Gastronômico da Piscicultura oferece ao visitante a possibilidade de conhecer as espécies mais comuns, sejam exóticas ou nativas, projetos de extensão e pesquisa desenvolvidos na região, assim como a oportunidade de degustar pratos à base de pescado em um restaurante montado junto à exposição. O espaço é integrado pelo Instituto Goio-En, Epagri, Ibama, Ministério da Pesca e Colônia de Pescadores Z-29.

Os peixes em exibição nos aquários são a atração que fez do pavilhão da piscicultura um dos mais visitados da Efapi. No estande do Instituto Goio-En, as crianças também se divertem em um piso interativo, uma tecnologia que simula a interação com a água e que serve de ferramenta de educação ambiental, um dos pilares de atuação do instituto, que desenvolve pesquisas com espécies de peixes nativas do Rio Uruguai e afluentes – especialmente curimbatá, piava, dourado, jundiá e traíra. “Este espaço ficou muito interessante porque possibilita a interação entre as entidades de pesquisa e extensão, o poder público e os pescadores”, avalia a técnica ambiental Michele Cavalheiro Nunes.

A piscicultura é uma alternativa de renda viável para as propriedades agrícolas da região Oeste, que produz cerca de 7 mil toneladas/ano de pescado – em Santa Catarina, a produção de pescado equivale a 26 mil toneladas/ano. Mas o crescimento da atividade enfrenta diversos entraves, sendo o principal deles o licenciamento ambiental, conforme explica o veterinário, pesquisador e extensionista da Epagri, Jorge de Matos Casaca. Pela legislação, toda área em que existe água é considerada Área de Preservação Permanente (APP), que não pode ser explorada, o que coloca 99% dos viveiros e açudes em situação ilegal. Uma proposta de resolução para regulamentar a atividade dos piscicultores já instalados está em discussão no Conselho do Meio Ambiente (Consema) há mais de um ano, segundo Casaca. Da aprovação dessa resolução depende o futuro da atividade.

A organização do setor e o planejamento de mercado são outras carências da piscicultura, que necessita ainda de mais investimento em pesquisas para desenvolvimento de pacotes tecnológicos que possibilitem a exploração comercial de espécies nativas. Hoje, as espécies com viabilidade comercial exploradas na região são exóticas, entre as quais se destacam a tilápia, a carpa e o bagre africano. Para essas espécies já existe produção de sementes (alevinos) com escala e indústrias especializadas na filetagem. “Ainda há muito a ser feito para viabilizarmos comercialmente espécies nativas como bocudo, piava, jundiá e pacu, que hoje são produzidos em pequena escala, principalmente para o fornecimento aos pesque-pagues”, relata Casaca.

Os pescadores artesanais do Rio Uruguai e afluentes também participam da mostra, representados pela Colônia de Pescadores Z-29. A presença deles é uma espécie de alerta para a redução da pesca profissional na região, muito impactada pelos barramentos de hidrelétricas. A colônia, que há cerca de dez anos possuía 500 pescadores profissionais associados, hoje tem cerca de 200, de acordo com o presidente, Atamis Quadrado. “Muitos pescadores migraram para atividades agrícolas com o impacto nas barrancas do Rio Uruguai.” (Lisandrea Costa)

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