Comunicação

Paralisação de programa de habitação rural prejudica 6 mil famílias em SC


Marcelo Espinoza
07/12/2016 - 22h31min

Assunto foi discutido em audiência pública da Assembleia, na sede da Fetaesc, na Grande Florianópolis

Assunto foi discutido em audiência pública da Assembleia, na sede da Fetaesc, na Grande Florianópolis

FOTO: Miriam Zomer/Agência AL

Cerca de 6 mil famílias de agricultores de todo o estado foram prejudicadas pela paralisação, causada pela falta de recursos, do Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR) em Santa Catarina. O assunto foi debatido na tarde desta quarta-feira (7) na audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia, na sede da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Fetaesc), em São José, na Grande Florianópolis.

O PNHR foi lançado em 2009 pelo governo federal, com o objetivo de possibilitar a construção e reforma de unidades residenciais na zona rural. Para novas casas, o valor disponível é de R$ 28,5 mil, e para reformas, de R$ 17,2 mil. O mutuário paga apenas 4% do valor total em 4 parcelas anuais sem multas ou qualquer correção monetária. O restante é subsidiado pela União.

Entre 2013 e 2014, foram construídas 5,6 mil unidades pelo programa, num investimento de R$ 170 milhões. Se as 6 mil famílias que aguardam a construção ou reforma de suas casas forem atendidas, serão mais R$ 200 milhões investidos em várias cidades. “É um dinheiro que não fica no bolso do agricultor. Ele movimenta o comércio de materiais de construção, movimenta a economia, principalmente nos pequenos municípios”, comentou o presidente da Fetaesc, José Walter Dresch.

O dirigente destaca que o principal benefício do programa é a manutenção das famílias no campo, principalmente dos jovens. “Os filhos dos agricultores, à medida que casam, precisam construir sua casa. E esse programa possibilita isso. É algo de grande alcance social, principalmente em Santa Catarina, onde predomina a agricultura familiar”, explicou.

A déficit habitacional no meio rural é estimado em 39 mil residências. A demanda ocorre em todo o estado, mas é maior no Oeste e na Serra. Joel de Moura, coordenador de Habitação na Região Oeste, lembra que muitas famílias já tiveram gastos diversos na preparação dos projetos de suas obras. “O Ministério das Cidades autorizou a construção e reforma dessas casas. Houve gastos, todo um preparo, mas agora não tem dinheiro”, disse.

Demora
Agricultores de toda o estado participaram da audiência. Flávio Christ, que é de Romelândia, no Oeste, entrou com o pedido para a construção de uma casa de alvenaria há mais de um ano. Atualmente, ele mora com a mãe numa casa antiga de madeira. “Eu preciso dessa casa até para permanecer na agricultura”, diz Flávio, que planta milho e cria gado leiteiro na propriedade. “Não dá para fazer uma casa sem essa ajuda, porque se exigem muitas garantias, que a gente não tem.”

Neivandro Braun, de Guaraciaba, no Extremo Oeste, espera pela casa há mais tempo: três anos. Ele e a família também precisam de uma casa nova. “Sem o financiamento desse programa, fica difícil fazer uma casa”, comentou.

Providências
A audiência foi solicitada pelos deputados Mauro de Nadal (PMDB) e Cesar Valduga (PCdoB). Nadal afirmou que o objetivo é ir até Brasília e solicitar a retomada do programa habitacional junto ao Ministério das Cidades. “Todos sinalizam que o projeto precisa ser retomado, porque ele se mostrou viável e atingiu o objetivo de melhorar a qualidade de vida ao pequeno produtor rural”, disse.

Cesar Valduga criticou a paralisação do programa e chamou a atenção para a preocupação das famílias que aguardam por suas casas. “O agricultor não pode pagar essa conta. Essa mão pesada não pode vir nos ombros dos nossos agricultores”, disse.

O presidente da Comissão de Agricultura da Alesc, deputado Natalino Lázare (PR), disse que o programa dever ser retomado e ampliado. “É algo tão importante para a fixação do homem no campo e para a autoestima do produtor. E todos precisamos que ele fique no campo para produzir os alimentos que todos necessitamos.”

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