Comunicação

Nassif critica mídia tradicional e elogia a situação econômica do país


19/05/2011 - 21h54min

XV Conferência Nacional da UNALE – Luis Nassif

XV Conferência Nacional da UNALE – Luis Nassif

O jornalista Luis Nassif proferiu, nesta quinta-feira (19), palestra na XV Conferência Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais, analisando o panorama político e econômico do Brasil. Segundo Nassif, o país vive a maior transformação da sua história, com a inclusão de consideráveis segmentos da população no consumo de bens e serviços, e pela “falência” da velha mídia, com o advento da internet e da sociedade civil organizada.

Economia

Para o jornalista, a grande imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro faz terrorismo com o crescimento da inflação para justificar o aumento das taxas de juros. De acordo com Nassif, o próprio mercado, ao contrário da mídia, tem como certo que no segundo semestre os índices regredirão, de modo que no fim do ano a inflação ficará próxima do teto de 6,5%. Já para 2012, o Banco Central não terá dificuldade para circunscrever a inflação próxima da meta de 4,5% ao ano.

Para ele, os problemas da economia brasileira estão localizados nas políticas cambial e monetária. “Se o câmbio continuar como está, os produtos brasileiros ficarão mais caros e perderão competitividade e mercado”. É o caso, por exemplo, da indústria moveleira catarinense, exaurida pela valorização do real frente ao dólar, que impede a manutenção dos atuais ou a conquista de novos mercados externos.

De acordo com o jornalista, tanto o câmbio quanto a política monetária constituem a verdadeira herança maldita, que foi legada por Fernando Henrique Cardoso a Lula e por este à presidente Dilma Rousseff. Mas em que pese essa herança maldita, a situação atual da economia brasileira é muito melhor que a da Europa. Segundo Nassif, a questão fiscal brasileira “é excepcional”, uma vez que a relação dívida x PIB caiu nos últimos anos, ao contrário do que vem acontecendo com as economias europeias, como a da Grécia, de Portugal, da Irlanda e da Finlândia, cuja relação dívida x PIB cresceu assustadoramente.

A “falência” da velha mídia

De acordo com Luis Nassif, o surgimento e a rápida popularização da rede mundial de computadores, com seus blogs, redes sociais e outras formas de interações horizontais, decretaram a falência da denominada velha mídia, baseada nos jornais e revistas impressos, no rádio e na televisão e sustentada economicamente pelos bônus de veiculação, as medições de audiência e a publicidade institucional.

Para ele, depois do impeachment de Collor a grande mídia “achou que podia derrubar governos”, produzindo um escândalo novo a cada dia, “assassinando reputações”, criando estereótipos como os “vampiros da saúde”, tudo para vender mais jornais, mais revistas ou obter maior audiência no Ibope. Esta forma de atuação provocou distorções, de modo que aquilo que não sai na imprensa não vira prioridade e o que é estampado nas primeiras páginas ganha imediatamente espaço na agenda política.

A rede mundial mudou essa correlação de forças, abrindo espaços para a discussão de outros temas e estabelecendo um novo padrão, mais horizontal e participativo. Para Nassif, atualmente é impossível fazer e/ou discutir qualquer política pública sem a participação social, sem dialogar com todos os atores sociais. E tanto a participação quanto o diálogo foram amplamente potencializados com a popularização da internet.

A internet também possibilitou o contraponto ao “assassinato das reputações”, às chantagens da grande mídia, uma vez que a informação enganosa pode ser rapidamente desmistificada pela blogosfera. Segundo o jornalista, hoje é possível aos órgãos públicos, desde que sejam transparentes, controlar o fluxo de notícias, direcionando a informação não apenas à mídia tradicional, mas também aos blogs, aos portais e às redes sociais. Acabou a ditadura dos monopólios. Chegou o tempo das instituições compartilharem informações, oferecendo transparência aos atos e ações e acesso imediato e quase irrestrito aos cidadãos. (Vitor Santos)

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