Comunicação

Mulheres de Chapecó e região participam de curso de formação política


04/11/2011 - 14h58min

Curso de Formação Política para mulheres – Chapecó

Curso de Formação Política para mulheres – Chapecó

Libertar-se da visão que os homens impuseram às mulheres sobre o seu lugar na sociedade, lutar pela dignidade, capacitar as mulheres para o empoderamento e democratizar os espaços de poder públicos e privados. Estas foram as principais sugestões da advogada Joice Graciela Nielson, coordenadora de Planejamento e Projetos da Prefeitura de Ijuí (RS), para as participantes do curso de formação política para mulheres, que acontece nesta sexta-feira (4), no auditório Dom José Gomes, da Uoesc, em Chapecó.

Segundo Joice, a participação feminina na política aumenta lentamente. Em 2000, as mulheres administraram 5,7% das prefeituras do país. Em 2004 esse número subiu para 7,3% e em 2008 para 9,04%. Nas câmaras de vereadores os números têm se mantido estáveis. Em 2000, 11,6% dos vereadores eleitos eram mulheres. Em 2004, o índice subiu para 12,6% e em 2008 caiu um pouco, para 12,5%.

A deputada Luciane Carminatti (PT), presidente da Comissão de Direitos e Garantias Fundamentais, de Amparo à Família e à Mulher, proponente do encontro, lamentou a crença ainda muito enraizada de que os trabalhadores nascem para trabalhar e os empresários para ganhar e comandar. “Não é por acaso que temos poucas mulheres na política”, argumentou a parlamentar. Carminatti citou o caso de uma professora de Guarujá do Sul, que se prepara para ser candidata a vereadora. “Ela me disse: estou com tanta vontade de me eleger vereadora porque descobri que temos de disputar, se envolver, se não fizermos isso outros vão fazer”. Para Carminatti, essa professora percebeu que a política é um espaço em disputa e que a candidatura fortalece a mulher enquanto cidadã.

Para Izelda Oro, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Chapecó, a falta de tempo e o desconhecimento estão na raiz da pouca participação feminina. Izelda defendeu mudanças na lei municipal que criou o Conselho dos Direitos da Mulher, para democratizar ainda mais a participação. Ela também anunciou que em 2012 as chapecoenses reivindicarão a criação de uma secretaria municipal exclusiva para as mulheres, com recursos próprios, visando desenvolver políticas que possibilitem o empoderamento, isto é, a autonomia sobre si mesma, a ocupação e o exercício de funções e cargos públicos e privados.

Izelda denunciou que ontem, quinta-feira (3), outro homem assassinou uma mulher no Oeste. “Não temos uma rede de atendimento para as mulheres vítimas de violência, nem espaços adequados, com recursos financeiros e um plano de políticas definidas”. Inconformada, Izelda afirmou que as mulheres acordam de madrugada, trabalham o dia todo em casa ou fora dela e no final do dia ainda tem as crianças e o marido para cuidar e alimentar. “E nos chamam de sexo frágil”.

Silvana Batisti Bugnoto, vereadora de Pinhalzinho, presidente do Fórum da Mulher da Associação das Câmaras Municipais do Oeste (Acamosc) e vice-presidente da União de Vereadores (Uvesc), informou que nas 19 câmaras associadas à Acamosc há apenas 17 vereadoras e destas somente quatro puderam participar do curso. Silvana pregou a inserção da mulher na política para consolidar os direitos e a ocupação de espaços. A vereadora de Pinhalzinho parabenizou a Escola do Legislativo e a Assembleia pela oportunidade concedida às mulheres de ampliarem seus conhecimentos. “Só desta forma a gente se torna capaz de lutar por aquilo que acreditamos”, declarou Silvana.

Daiana Rafaela de Costa, representante da SDR de Chapecó, elogiou a realização do curso, “um espaço de discussão, aprendizado, ensino e troca de experiências”. Erli Abreu, assistente social da Amosc, observou que o homem geralmente participa de rodas de cerveja em torno do futebol. Já a mulher encontra tempo para trabalhar, levar filhos na escola, participar das reuniões escolares, ir ao mercado, cozinhar, lavar, passar e ainda trabalhar fora. Daiana defendeu a articulação feminina, para fortalecer e revigorar as energias, socializar conhecimentos e ocupar espaços. Todavia, a assistente social da Amosc recomendou às mulheres parar um pouco, pensar em si mesmas, cuidar da saúde e principalmente “respeitar os limites”.

Angela Moreira Vitória, vereadora de Chapecó, também elogiou a iniciativa da Escola do Legislativo. “Estamos muito distantes dos espaços de decisão da sociedade, eu só enxerguei que havia discriminação aos 24 anos”. Angela denunciou que apesar de Chapecó possuir uma delegacia da mulher, “a delegada reclama que falta estrutura, que falta psicóloga”.

O deputado federal Pedro Uczai (PT) elogiou a ousadia do curso, de fomentar nas mulheres a gana de disputar espaços com os homens. Uczai ponderou que as mulheres sofrem violência porque estão se libertando do jugo masculino. “Está aumentando a violência contra as mulheres por causa da libertação feminina, mas elas morrem livres e não voltam a ser dominadas”. Uczai solicitou às mulheres transformarem os homens. “E necessário um curso como este para os homens, eles têm de sentir a violência que afligem às mulheres. Não aceitem ser pisadas por ninguém, nem pelo filho machista, ou pelo marido e o patrão machistas”.

Iraci Lopes Dalla Rosa, de Xaxim, relatou o preconceito e a violência de que foi vítima, devido ao seu envolvimento com a política. Iraci foi candidata a prefeita de Xaxim, em 2000. Em 2002, na véspera da eleição para governador, foi sequestrada e ameaçada porque ousou ocupar e desafiar um espaço tradicionalmente masculino. Claudete Terezinha Junges, mestre em Educação e presidente da Câmara de Vereadores de Anchieta, defendeu o uso da escola para discutir as questões de gênero, para mitigar a violência contra a mulher, que grassa país afora.

O curso de formação política para mulheres é resultado da parceria da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira com a Comissão de Direitos e Garantias Fundamentais, de Amparo à Família e à Mulher, a Associação dos Municípios do Oeste (Amosc), a SDR de Chapecó, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Chapecó e o Movimento de Mulheres Camponesas. Participaram do curso mulheres de Chapecó e região, vereadoras, secretárias municipais, assistentes sociais, professoras, além de representantes da SDR de Chapecó, da Amosc, da Acamosc e do Conselho Municipal de Direitos da Mulher de Chapecó. (Vitor Santos)

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