Comunicação

Seminário debate linha de cuidado para pessoas com deficiência intelectual e autismo em SC


Encontro na Alesc reúne profissionais e gestores para discutir a implantação da linha de cuidado e a integração dos serviços da rede de atendimento.

Tatiani Magalhães
26/08/2026 - 13h42min

Seminário debate linha de cuidado para pessoas com deficiência intelectual e autismo em SC

Foto: Igor Valentim Silveira / Agência Alesc

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A Assembleia Legislativa promoveu, nesta quarta-feira (26), o Seminário Avançado sobre a Linha de Cuidado para Pessoas com Deficiência Intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência.

Realizado no Auditório Antonieta de Barros, o encontro reuniu profissionais da saúde, educadores, gestores e representantes da rede de atendimento.

Promovida pela Comissão de Saúde, a iniciativa chega à quarta etapa e já percorreu diferentes regiões do estado. Somente no primeiro semestre de 2026, as ações passaram por mais de 20 municípios, alcançando aproximadamente 10 mil pessoas.

Linha de cuidado em Santa Catarina

Uma iniciativa que já percorre diferentes regiões do Estado

etapa da iniciativa sobre a linha de cuidado
+ de 20 municípios receberam ações
≈ 10 mil pessoas alcançadas pelas ações

Dados referentes ao primeiro semestre de 2026.

O seminário ocorre em um momento de atualização das diretrizes de reabilitação voltadas às pessoas com deficiência intelectual e TEA.

A proposta é qualificar profissionais e gestores para a implantação da linha de cuidado, fortalecendo a Atenção Primária à Saúde como coordenadora do atendimento e ampliando a articulação entre os diferentes serviços da rede.

Estruturação da rede

Representando a Secretaria de Estado da Saúde, Jaqueline Reginato destacou que o Estado trabalha, desde 2024, na estruturação dos fluxos de atendimento às pessoas com deficiência intelectual.

“Temos um grupo de trabalho discutindo e pensando a estruturação dos fluxos da rede. O desafio é organizar essa rede considerando as diferentes realidades e peculiaridades das regiões de Santa Catarina.”

Segundo ela, a partir da publicação da linha de cuidado, o Estado passou a trabalhar na implantação da política em conjunto com municípios, serviços especializados e entidades que atuam na área.

Qualificação do atendimento

Para o coordenador do CER III da Uniplac, André Roberto Faria, a capacitação é fundamental para manter as equipes atualizadas e aprimorar o atendimento. “Seguir essa orientação e esse passo a passo faz diferença na vida das pessoas e das famílias.”

O serviço atende atualmente cerca de 90 crianças com TEA, além de pessoas com outras deficiências. Recentemente, a equipe também passou a realizar a avaliação e o diagnóstico de pessoas com transtorno do espectro autista.

Atendimento integrado

Três pilares para construir o cuidado

Para André Roberto Faria, o atendimento precisa ser construído de forma integrada entre saúde, família e educação.

1 Saúde
2 Família
3 Educação
“Se esses três pilares não estiverem alinhados, não conseguimos atingir nossa meta terapêutica. É preciso esse mecanismo para que possamos reabilitar as pessoas.”
André Roberto Faria, coordenador do CER III da Uniplac
Integração da rede Qualificação para um atendimento mais articulado A programação busca fortalecer a integração da rede e ampliar a qualificação dos profissionais, a fim de garantir um atendimento mais articulado e adequado às necessidades das pessoas com deficiência em Santa Catarina.

Cuidar da pessoa para além do diagnóstico

A neuropsicóloga Camila Calado destacou a importância de ampliar o olhar sobre a saúde, especialmente no atendimento às pessoas com deficiência. Segundo ela, o modelo biopsicossocial permite compreender o indivíduo de forma integral, considerando não apenas os aspectos biológicos, mas também os fatores psicológicos e sociais.

Perspectivas de cuidado

Do diagnóstico a um olhar mais amplo sobre a pessoa

Os modelos partem de perspectivas diferentes sobre os fatores considerados no cuidado e na compreensão da saúde.

Foco Modelo biomédico

O foco está no diagnóstico, na doença e no controle dos sintomas.

  • Diagnóstico
  • Doença
  • Controle dos sintomas
Podem ficar em segundo plano Emoções, família, estresse e condições sociais.
Perspectiva ampliada Modelo biopsicossocial

Amplia essa perspectiva ao considerar a interação entre:

Corpo
Mente
Contexto social

Proposto pelo psiquiatra George Engel em 1977.

“Não podemos olhar apenas para o diagnóstico. Precisamos compreender quem é essa pessoa, sua história, suas relações e o ambiente em que vive”, explicou Camila.

Essa abordagem também propõe um cuidado multiprofissional e humanizado, que pode integrar tratamento médico, suporte psicológico e atenção às condições sociais que influenciam a qualidade de vida.

Para a neuropsicóloga, essa mudança de perspectiva é fundamental para promover a inclusão:

“Inclusão é olhar a pessoa para além do seu diagnóstico.”


ALESC EXPLICA

O que é a linha de cuidado para pessoas com deficiência intelectual e TEA?

É uma organização do atendimento que busca articular os diferentes serviços da rede, com a Atenção Primária à Saúde exercendo papel de coordenação do cuidado.

Qual é o objetivo do seminário realizado na Alesc?

O encontro busca qualificar profissionais e gestores para a implantação da linha de cuidado e fortalecer a integração entre os diferentes serviços que atendem pessoas com deficiência.

O que é o modelo biopsicossocial?

É uma abordagem que considera a pessoa de maneira integral, levando em conta a interação entre aspectos biológicos, psicológicos e sociais, em vez de concentrar o cuidado apenas no diagnóstico e nos sintomas.

Por que saúde, família e educação precisam atuar de forma integrada?

Segundo os profissionais ouvidos na matéria, a articulação entre esses três pilares contribui para construir um atendimento adequado às necessidades da pessoa e alcançar os objetivos terapêuticos.

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