Comunicação

Kennedy propõe apoio do Parlamento à soberania argentina sobre as Malvinas


11/04/2012 - 16h25min

Criação do Grupo de Apoio sobre a Questão das Malvinas

Criação do Grupo de Apoio sobre a Questão das Malvinas

Kennedy Nunes (PSD) propôs, ontem (10), durante audiência pública da Comissão de Relacionamento Institucional, Comunicação e do Mercosul, no plenarinho Paulo Stuart Wright da Assembleia, a deliberação, pelo plenário da Comissão, de proposição ao Parlamento catarinense de Moção de Apoio à soberania argentina sobre as Malvinas.
Se aprovada, a moção deverá ser enviada aos governos argentino e britânico. Kennedy justificou sua decisão pela circunstância de ter nascido em Joinville mas vivido boa parte de sua juventude na Argentina, inclusive à época da guerra com a Inglaterra, em 1982. “Eu vivi sob estado de sítio”, rememorou, emocionado, o deputado.
O cônsul da República Argentina em Santa Catarina, Emilio Julio Neffa, agradeceu o gesto de Kennedy e afirmou que tem “o mandato do governo argentino para formar um grupo de apoio, de profissionais, inclusive da mídia, pessoas influentes, para divulgar a necessidade da Inglaterra discutir a soberania das ilhas Malvinas”.
Segundo Neffa, desde 1965 a ONU, através de resolução, convocou ao diálogo os dois países para negociarem a soberania das ilhas que estão a 700 km da cidade de Ushuaia, na Patagônia. O Brasil, de acordo com o cônsul, “tem posição certa de apoio e tem auxiliado a esclarecer a mídia que a Argentina quer negociar a soberania das ilhas”.
O professor Raul Antelo, do departamento de Letras da UFSC, afirmou que foi “contra a guerra em 1982”, mas que “não há contradição em ter sido contra antes e agora defender a negociação, conforme as resoluções da ONU”. Antelo, que nasceu no país vizinho, disse que o grupo catarinense de apoio à causa das Malvinas pretende “mostrar todos os desdobramentos da questão, com palestras, debates, projeção de filmes, questões históricas, políticas e antropológicas”.
O professor argumentou que no caso das Malvinas não se pode alegar a autodeterminação dos povos. “Quem povoou os espaços foi o colonizador. Não há população autóctone, não há aborígenes. Se pede apenas a observância da lei e o diálogo instado pela ONU”. Já o deputado Dóia Guglielmi (PSDB), que presidiu a audiência, declarou que deseja que o estado “tenha uma posição clara sobre o assunto, de somar junto com os companheiros argentinos”.
Prestigiaram a audiência o diretor de articulação política da União de Parlamentares Sul-Americanas e do Mercosul, Flavio Alves Monteiro, as professoras Maria de Lourdes Borges, secretária de Cultura da UFSC, e Liliana Reales, também da UFSC, além de simpatizantes da causa argentina. (Vitor Santos)

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