
Lideranças políticas, comunitárias e representantes de entidades esportivas e estudantis lotaram a Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul na noite desta quarta-feira (19) para discutir o destino do ginásio de esportes Arthur Müller. O evento, realizado por iniciativa da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Carlos Chiodini (PMDB), foi marcado por forte mobilização dos grupos que defendiam a manutenção da estrutura e dos que pretendem que no local seja construído um terminal de passageiros. Os argumentos levantados por ambos os lados farão parte de um documento que será encaminhado ao secretário Estadual de Administração e ao governador do Estado.
Inaugurado em 15 de março de 1977, o Arthur Müller foi o primeiro palco esportivo multiuso do município. Com 1.800 m2 de área construída e capacidade para mil espectadores, o ginásio foi a principal praça de competições dos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC), em 1980. Em 2006 a estrutura recebeu sua última reforma, quando foram investidos aproximadamente R$ 200 mil, o que não impediu que ano seguinte fosse interditado pelo Corpo de Bombeiros. Não houve nenhum uso oficial a partir desta data, o que levou representantes da Assembleia Legislativa a questionarem neste ano a situação do ginásio, que atualmente está em poder do município.
Defensor da demolição do Arthur Müller para a construção do novo terminal rodoviário, o secretário municipal da Administração, Ivo Konell (PSD), alega que a ideia tem encontrado muita resistência na comunidade, em parte devido a falta de informações sobre a questão. Conforme Konell, do jeito em que está, o ginásio não tem mais condições de receber modalidades esportivas, tais como basquete e futebol de salão. Os custos para adequar o Arthur Müller às medidas e normas de segurança exigidas atualmente, disse o secretário, exigiriam recursos da ordem de R$ 1 milhão, quantia superior à necessária para se construir uma nova praça de esportes do mesmo porte. “Não estamos aqui para enganar a comunidade, mas para debater um assunto que é do interesse do povo de Jaraguá. Por que deixar o ginásio sem uso ou investir uma grande soma em uma obra que não tem serventia para a comunidade”, disse.
Citando pesquisa feita pela prefeitura, Konell destacou ainda que a demolição do Arthur Müller atenderia à necessidade mais urgente do município, de um terminal de passageiros no centro da cidade. “O terminal fará parte da política de transporte urbano, algo inédito em Jaraguá do Sul. Mas, se não houver consenso em torno do projeto, certamente não o imporemos à sociedade”, adiantou.
Representante do Conselho Regional de Educação Física (CREF), o vereador e vice-presidente da Câmara Municipal de Jaraguá do Sul, Jean Carlo Leutprecht (PCdoB), afirmou que interesses políticos têm impedido que a questão seja analisada com clareza. Ele questionou o motivo pelo qual o Executivo municipal deixou, ao longo dos anos, de fazer a manutenção do ginásio. “A deterioração é natural pelo uso contínuo do espaço e não sabemos porque não houve a devida conservação. Precisamos fazer uma avaliação transparente da reforma, que estimamos que fique em torno de R$ 200 mil a R$ 300 mil”. Profissional de educação física, Leutprecht afirmou ainda não ser verídica a afirmação de que o Arthur Müller esteja fora das medidas necessárias para receber jogos de futebol e basquete. Ele propôs que o ginásio volte para o Estado ou que seja feita uma parceria que possibilite a reforma.
Propositor do debate, Carlos Chiodini destacou o sucesso do evento, em que foram levantadas questões além da área esportiva. Como cidadão jaraguaense, Chiodini declarou-se favorável à manutenção do Arthur Müller até que todas as partes envolvidas cheguem a um acordo que permita que o município mantenha seus espaços de esporte e lazer sem prejudicar outras necessidades da comunidade, tais como o transporte urbano. “A prefeitura tem dois ginásios, Arthur Müller e Arena Jaraguá, que tem conceitos de uso diferentes. Afirmo minha posição contrária contra esta demolição sumária antes que se construa uma solução compartilhada com a sociedade”, disse.
Mobilidade urbana
Representantes estudantis afirmaram que o problema de mobilidade urbana no município poderia ser resolvido se a prefeitura exigisse o cumprimento do contrato que estabeleceu com a empresa detentora da concessão de transporte da cidade e que prevê a construção dos oito pequenos terminais urbanos.
Já a vereadora do município, Natália Lúcia Petry (PMDB), mostrou-se favorável à realização de um estudo técnico que aponte a área mais adequada para a construção do novo terminal, uma vez que o município já dispõe de áreas desapropriadas no centro da cidade. “Sem este estudo creio que fica até difícil opinar. Enquanto isso, nosso município perde oportunidades”, disse.
Participaram ainda da audiência o presidente da Câmara Municipal de Jaraguá do Sul, vereador Jaime Negherbon (PMDB), o secretário de Estado de Desenvolvimento Regional de Jaraguá do Sul, Lio Tironi, a presidente da União Jaraguaense de Moradores (Ujan), Andrea Regina Techorst Ziehlsdorf, o presidente do Conselho Municipal de Desporto de Jaraguá do Sul, Benhur Sperotto, os vereadores da Câmara Municipal de Jaraguá do Sul, José Osório de Ávila (PSD), Justino da Luz (PT), Francisco Alves (PT) e Afonso Piazera Neto (PSD), o diretor de Marketing da Associação Jaraguaense de Pais e Amigos do Basquetebol, Dino de Lucca Moreira, e o presidente do Diretório Central de Estudantes da Pontifícia Universidade Católica de Santa Catarina (PUC-SC), Luiz Fernando de Almeida. (Alexandre Back)

