
A Assembleia Legislativa, por iniciativa da deputada Dirce Heiderscheidt (PMDB) e do deputado Marcos Vieira (PSDB), realizou, na noite desta segunda-feira (19), Sessão Especial em Homenagem às Festas do Divino Espírito Santo da Grande Florianópolis. A celebração tem origem no século XIV, em Portugal, e remonta à tradição religiosa na qual a terceira pessoa da Santíssima Trindade era festejada com banquetes coletivos, com distribuição de comida e esmolas. A festa é realizada sete semanas depois do Domingo de Páscoa, no dia de Pentecostes, para celebrar a descida do Espírito Santo sobre os 12 apóstolos sob a forma de línguas de fogo, segundo descreve o Novo Testamento.
O deputado Marcos Vieira falou em nome dos proponentes e afirmou, emocionado, que possui uma ligação muito forte com a festa. “Desde que me lembro me envolvo e acompanho as festas do Divino, como meus pais e meus avós fizeram”. Para Vieira, as comemorações do Divino fortalecem os vínculos familiares e a solidariedade. “Quantas pessoas saem das suas casas para trabalhar voluntariamente nos dias da festa?”, perguntou.
Para o prefeito de Biguaçu, José Castelo Deschamps, a festa “é uma reunião que envolve a religião, a solidariedade e a família, sempre com a esperança de dias melhores para todos”. O vereador de Santo Amaro da Imperatriz, José Carlos Luckmann, afirmou que ser festeiro ou imperador do Divino é uma grande benção e que quando a bandeira chega, contagia a todos. “Deixe a bandeira passar, deixe a bandeira entrar, é o Divino Espírito Santo chegando para te abençoar”, cantarolou o vereador.
Francisco Rolem, pároco da Igreja Bom Jesus de Nazaré, de Palhoça, contou que há mais de 700 anos, em Portugal, a rainha Izabel, preocupada com a aspereza de coração do rei Dom Dinis, convocou os súditos para três dias de orações na corte. Como o pedido ao Divino teria sido atendido, no ano seguinte o estandarte da rainha percorreu o império convocando os súditos para a festa em honra ao Divino Espírito Santo.
Na ocasião, o Poder Legislativo homenageou os municípios de Governador Celso Ramos, Palhoça, Paulo Lopes, Garopaba, Santo Amaro da Imperatriz, São José, Biguaçu, Tijucas e Florianópolis, pelo apoio e incentivo dados aos festejos. No final da sessão foram abençoados os pães do Divino, que em seguida foram distribuídos aos presentes.
Participaram das homenagens os prefeitos Ronério Heiderscheidt, de Palhoça; José Castelo Deschamps, de Biguaçu; Elmis Mannrich, de Tijucas; Edésio Justem, de Santo Amaro da Imperatriz; e Luiz Carlos Luiz, de Garopaba, além do padre Pedro Keller, que representou a Arquidiocese de Florianópolis, casais festeiros, religiosos e devotos do Divino Espírito Santo dos municípios homenageados e do interior da Ilha de Santa Catarina.
Origem da tradição
Em Santa Catarina, a festa popularizada pelos imigrantes luso-açorianos é comemorada há mais de 200 anos. Possui uma simbologia peculiar, como a bandeira do Divino, a pomba branca, o cetro, as cantorias, fitas, novenas, festeiros, além do casal imperial e sua corte.
A socióloga Lélia Pereira da Silva Nunes, autora do livro “Caminhos do Divino”, lembrou que no século XVIII cerca de seis mil açorianos vieram para Santa Catarina trazendo dentro de si a fé e nas suas bagagens a Bandeira do Divino. Por isso, segundo Lélia, a festa é a maior expressão de transnacionalidade cultural da costa atlântica catarinense, sendo celebrada desde o município de Penha, até Jaguaruna e Sombrio. “Mais de 50 localidades comemoram a festa”. Para a socióloga, a iniciativa dos parlamentares demonstra “o reconhecimento do poder público por uma tradição dos nossos avós, que com certeza será também dos nossos filhos”. (Vitor Santos)

