
Cerca de 220 animais das raças holandesa e jersey integram a exposição de bovinocultura de leite da Expo Concórdia 2011. A região Oeste concentra grande parte da produção leiteira do estado, que é o quinto maior produtor do Brasil. Aproximadamente 70 mil famílias catarinenses dedicam-se à atividade, uma das únicas do setor primário que seguem em ritmo de crescimento, embora enfrente dificuldades, como a entrada de leite proveniente dos países do Mercosul e o alto custo de produção.
Conforme o deputado Moacir Sopelsa (PMDB), que também é pecuarista, a exposição é uma oportunidade para a troca de experiências e de tecnologias entre os produtores, além de oportunizar uma vitrine de negócios. Na opinião do parlamentar, a atividade leiteira configura-se como uma alternativa de renda fixa para o produtor, por isso o segmento merece a atenção governamental e a criação de uma política de incentivo. Santa Catarina responde por uma produção de 1,9 bilhão de litros de leite/mês.
A importação de leite ameaça a estabilidade do setor. “No momento o preço está bom, mas precisamos conter a importação de leite que entra pelos países do Mercosul, especialmente pelo Uruguai e pela Argentina. Muitas vezes é produto europeu subsidiado”, explica o produtor Celso José Munaretto, presidente da Associação Catarinense de Criadores de Bovnos (ACCB), responsável pela exposição de bovinocultura de leite. Segundo ele, a Federação da Agricultura de Santa Catarina defende que o governo estabeleça uma cota máxima de importação que não exceda 3 toneladas/mês.
O inverno é considerado o melhor período do ano para a produção leiteira, segundo o produtor Carlos Luiz Cassiano, de Jaborá. Com as temperaturas mais baixas, o gado sofre menos efeitos da sensação térmica e produz mais leite. Outro fator benéfico é o aumento do consumo, além da queda de produção que ocorre neste período na região Centro-Oeste do país e torna o produto do Sul mais valorizado. Todos esses fatores resultam em melhoria do preço, hoje em torno de R$ 0,75 a R$ 0,80 por litro produzido. Mas o custo de produção continua alto. Na propriedade de Cassiano, somente a alimentação das vacas custa R$ 0,45 por litro de leite produzido. Considerando o preço da mão de obra, sobram poucos centavos de lucro.
A produção de leite exige muita dedicação dos produtores. “Fazemos três ordenhas por dia, sete dias por semana. Não temos domingo, nem feriado”, explica Cassiano. Para ele, o principal desafio é ter garantia de renda para fazer investimentos e para pagar um salário mensal que segure o filho na propriedade. “O agricultor precisa ser reconhecido e ter garantia para continuar na atividade”, concorda o produtor Maximino João Lusa.
A tecnologia aparece como aliada para garantir maior produtividade, mesmo nas propriedades pequenas, como a de Mário Jantsch, que tem 12 hectares. Ele cria gado leiteiro da raça Jersey em Iporã do Oeste e utiliza os avanços da genética para multiplicar apenas as melhores vacas. “A equipe técnica faz a coleta dos embriões e a sexagem. Com isso, são geradas somente as fêmeas de alta qualidade”, explica. Jantsch acredita que em pouco tempo seu plantel possibilitará a entrada no comércio de barrigas de aluguel e de embriões.
Torneio de leite
Dentre os bovinos de leite expostos no Parque Attílio Fontana, 15 participam do torneio leiteiro, considerado o maior de Santa Catarina. Os animais são divididos em quatro categorias: Jersey Jovem, Jersey Adulto, Holandesa Preto e Branco Jovem e Holandesa Preto e Branco Adulto. O concurso premia o animal com maior produção de leite no período de 24 horas. A grande expectativa do concurso é a vaca da raça jersey chamada Dançarina, que pertence a Itamar Parisi e Ivan Gomes. O animal foi vencedor da Mercoláctea, em Chapecó, quando produziu 57,4 quilos de leite. (Lisandrea Costa)

