
Um dos seminários mais polêmicos durante o evento Drogas Por quê? Desafios para a educação, desta sexta-feira (02), foi proferido pelo psicólogo clínico Aurélio de Souza, atuante na unidade de psiquiatria e consultor em saúde do trabalhador na área de saúde mental, do Hospital Estadual de Diadema, São Paulo.
Aurélio abordou os conceitos conferidos às drogas, seus usos – se indevidos ou não -, discutiu as posturas tomadas pelos pais e educadores relativas à prevenção e ao uso de substâncias lícitas e ilícitas, apresentou pesquisas realizadas em escolas de ensino fundamental e médio em todo o país, e apontou perspectivas com dados estatísticos, riscos e danos causados pelo uso abusivo de drogas e prevenção.
Segundo o psicólogo, há confusões no senso comum que nos levam a uma preocupação com drogas que, às vezes, não são as mais consumidas por estudantes. Ele levantou que a questão mais gritante está relacionada à discussão e alerta sobre o uso do crack. “Eu não quero minimizar a importância, a degradação que esta droga pode causar, mas quando se envolvem ações, deve-se pensar em estratégias para atingir aqueles fenômenos que aparecem de forma mais evidente. Se temos uma droga, como o álcool, que alunos têm experimentação em torno de 60%, temos que priorizar ações para este tipo de substância”.
Uma das questões mais polêmicas levantada pelo palestrante foi sobre a maneira como lidar com as informações fornecidas às crianças e aos adolescentes. “Acho que toda a ação que desperte nos alunos consciência crítica, autonomia, capacidade de fazer escolhas conscientes é uma boa ação, é uma ação preventiva. A gente não vem ensinar com cartilhas qual é a ação específica”, destacou.
A experimentação, para ele, pode ser prejudicial ou não conforme a capacidade crítica, a maturidade e o funcionamento biológico de cada um. “Existem diferenças em relação à tolerância. Cada organismo reage de forma diferente. O que causa dependência em uns pode não causar em outros. Trabalhar com informações seguras é a melhor maneira para tratar sobre drogas na área da educação”.
A polêmica girou em torno dos riscos que às maneiras de tratar o tema podem gerar. Neste aspecto, Souza foi incisivo na abordagem feita sem moralismos e radicalismos, pautada nos prejuízos que determinada substância vai trazer à vida da pessoa. “O problema é que se tomamos uma postura radical em relação às drogas, os filhos nem chegam perto para conversar. O diálogo deve estar presente nas relações entre pais e filhos e entre alunos e professores, e deve ser esclarecedor. A adolescência por si só é uma idade de experimentação e a droga está entre as que os adolescentes fazem”, observou.
Em relação às pesquisas levantas pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas (Cebrid) e pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), Aurélio Souza apresentou números que apontam o aumento da experimentação de algum tipo de substância feita por crianças entre 10 e 12 anos, e mostram os estados da região sul como os maiores consumidores de álcool entre estudantes, no Brasil. (Michelle Dias)

