
A XV Conferência Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais, realizada em Florianópolis, promoveu na manhã desta sexta-feira (20) uma mesa redonda com Henry Grimbeek, considerado um dos grandes responsáveis pelo sucesso da Copa do Mundo na África do Sul. Presentes ao evento, gestores de cidades-sede da Copa do Mundo que será realizada no Brasil em 2014 foram aconselhados a apostarem, paralelamente aos investimentos em infraestrutura, em ações que proporcionem a mobilização da sociedade.
Gerente de projetos da empresa IT&IT, empresa responsável pela organização do último mundial, Grimbeek afirmou que, passado um ano da realização do evento, tem mais claro os pontos que devem ser observados em uma competição deste porte. Ele aconselhou que os gestores brasileiros se antecipem às exigências da Fifa e busquem a experiência das cidades que já sediaram mundiais de futebol, estabelecendo uma relação de “tutoramento”, a exemplo do que Pretória firmou com Munique.
Conforme o sulafricano, a Fifa credita 80% do sucesso de uma copa à qualidade de estádios e aeroportos. Para as cidades-sede, entretanto, além da estrutura física, é importante também saber criar um “espírito de Copa do Mundo” na população, fazendo com que se sintam participantes no sucesso do evento. A medida inclui a contratação de especialistas de marketing e promotores de eventos, para que destaquem os aspectos positivos relacionados ao evento. “Não esperem que a infraestrutura fique pronta para realizar essas ações. As obras têm prazos fixos, mas a preparação da sociedade não”, afirmou. Outro truque é ter a mídia como aliada. “Ofereçam bons aspectos para os jornalistas cobrirem, pois, do contrário, eles irão atrás dos ruins”, confidenciou.
Os gastos na contratação de especialistas e de consultoria, explicou, ainda que possam receber críticas, representam apenas 5% do custo final, mas serão cruciais para o bom andamento das atividades. “A realização de um evento deste porte envolve uma problemática muito grande, específica a cada cidade, cuja solução está ligada às três esferas de poder. Somente uma equipe especializada pode gerenciar essa complexidade”, disse.
A equipe deve estar atenta ainda aos problemas de última hora, como a greve ocorrida com policiamento privado durante a Copa das Confederações, competição que antecedeu à Copa. “Precisamos ter sempre um “plano B” e até “plano C”. Neste caso, que já havia sido cogitado, solicitamos a ajuda da polícia federal africana”. Na África do Sul, , disse, 40% das margens de contingência não foram usadas, mas proporcionaram segurança aos executores. Outro ponto a ser enfocado é a preparação de um programa de voluntários, fluentes em vários idiomas, e que parece não estar sendo levado em conta pelos gestores estaduais.
Aos que ainda tem dúvidas com as vantagens de sediar um mundial de seleções, Grimbeek comentou que os benefícios proporcionados às sedes não se limitam a melhorias na estrutura física de estradas, aeroportos, estádios e de serviços, mas também na exposição proporcionada às cidades envolvidas. “Há um colossal trabalho de divulgação no mundo todo. Isso se reflete na movimentação turística, durante e após a competição, e até em acréscimo nas exportações”. Mas o principal legado, disse, é na autoestima da população. “A população do país anfitrião fica com a sensação de que consegue realizar um evento mundial com sucesso, de que pode fazer as coisas bem feitas”, finalizou.
Henry Grimbeek
Henry Grimbeek foi Programador e Chefe Estratégico na preparação de Tshwane, uma das cidades-sede da Copa de 2010, na África do Sul. Seu nome ganhou destaque devido ao trabalho realizado na preparação da infraestrutura, espaços de formação, alojamentos, estradas e controle de trânsito e na reforma do aeroporto de Wonderboom e das 16 estações de trem da cidade. (Alexandre Back)

