Comunicação

Congresso sobre futuro da água no Mercosul enfoca mudanças climáticas


10/11/2011 - 18h02min

I Congresso Internacional “O futuro da água no Mercosul”

I Congresso Internacional “O futuro da água no Mercosul”

Os debates em torno do futuro da água no Mercosul prosseguiram na manhã desta quinta-feira (10) por meio de palestras sobre o impacto das mudanças climáticas sobre os mananciais. O evento, realizado no auditório deputada Antonieta de Barros, do Palácio Barriga Verde é uma iniciativa do grupo de estudos “A geopolítica da água e os bens comuns”, ligado à UFSC, como apoio da Comissão de Relacionamento Institucional, Comunicação, Relações Internacionais e do Mercosul, da Assembleia Legislativa, dos programas de pós-graduação em Direito e Geografia da UFSC, da Universidade de Caxias do Sul (RS) e da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O geólogo Franz-Josef Struffert e o empresário do setor de perfuração Bernhard Vormann, da Alemanha, abriram o debate citando a exploração do Granito de Luxemburgo, aqüífero que abrange diversos países europeus e que pode servir como referência na utilização do Aquífero Guarani. Struffert, que desenvolve trabalhos de consultoria na utilização de águas subterrâneas, afirmou que o uso dos mananciais deve ser “precedido por estudos, que indiquem até que ponto a reserva pode ser explorada e quais medidas devem ser efetivadas para evitar a contaminação das águas”.
Nos canos de extração utilizados no Granito de Luxemburgo, acrescentou Vormann, foram utilizados materiais não poluentes e inoxidáveis, como garantia de fluxo seguro e contínuo. “As regras de perfuração tem que levar em conta toda a estrutura dos poços, mas começam pela proteção da superfície, levando em conta riscos como inundações ou envenenamento”.
Ele citou um caso ocorrido em uma cidade do sul da Alemanha, em que a exploração de uma reserva subterrânea causou a inundação de uma camada do subsolo formada por calcário. Ao absorver água, o calcário inchou, causando a elevação da cidade em 10 centímetros, provocando rachaduras em centenas de edificações tombadas pelo patrimônio histórico. “Fomos fazer um trabalho de 30 mil euros e causamos um prejuízo de 200 milhões”, lembrou Vormann.

Gestão das águas

Para o professor do Instituto Superior Técnico de Lisboa, Luis Filipe Tavares Ribeiro, as mudanças climáticas e a má gestão dos recursos são as principais ameaças a oferta futura de água doce, trazendo como efeitos indiretos a degradação dos ecossistemas e das terras agricultáveis. “Isto reforça a necessidade da gestão dos recursos hídricos de forma criteriosa e integrada”, disse.
Além da melhora na utilização das bacias hídricas, aconselhou o especialista, os governos deveriam incentivar a reutilização de águas residuais e a recarga artificial dos aqüíferos e mais pesquisas que levem a práticas agrícolas mais eficientes. “Precisamos implantar redes de monitoramento climáticos e hidrológicos, que são a base de qualquer trabalho de gestão do setor”, frisou.
Para o professor Ricardo Hirata, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), a sociedade e o setor político ainda não acordaram para a importância estratégica das águas subterrâneas, que perfazem 95% de toda a água doce líquida do planeta e são responsáveis pelo abastecimento, total ou parcial, de 52% dos municípios brasileiros. “Por não serem visíveis na superfície, muitas vezes não temos consciência da importância destes mananciais, que não fazem parte da agenda política do país”, disse.
Segundo o pesquisador, as águas subterrâneas são uma excelente alternativa de abastecimento, por não serem tão vulneráveis às mudanças climáticas. “A utilização dos aquíferos é uma excelente resposta para o abastecimento quando combinada com o uso de águas superficiais, principalmente das pequenas e médias cidades, que não necessitam de grande vazão”, disse.
Participaram ainda o deputado Edison Andrino (PMDB) e os professores Luiz Fernando Scheibe (UFSC), Tássio Dresch Rech (Projeto Piava) e Beate Frank (Epagri/RGSC).(Alexandre Back)

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