
Cerca de dois anos e meio após as enxurradas de 2008 que provocaram o desmoronamento de morros e a morte de 35 pessoas no chamado Complexo do Baú, em Ilhota, diversos problemas persistem nas comunidades: casas e edificações públicas em áreas de risco, pontes incapacitadas e assoreamento no rio Baú. Para verificar a situação, uma comitiva – integrada pelos deputados Ana Paula Lima (PT), Ismael dos Santos (DEM) e Sargento Amauri Soares (PDT), pelo secretário de Infraestrutura, Valdir Cobalchini, e por autoridades locais – realizou vistoria na tarde de segunda-feira (23) em diversos pontos.
A presidente da Associação dos Atingidos da Região dos Baús (Adarb), Tatiana Reichert, manifestou preocupação com obras não terminadas ou que já não existem mais, por terem sido arrastadas novamente pelas chuvas. “Esperamos que os deputados e o secretário nos ajudem a resolver essa situação, que se arrasta desde 2008. A tragédia ficou velha, por isso estamos caindo no esquecimento”, protestou.
“Eu vim para verificar a situação pessoalmente. Os técnicos vão fazer uma avaliação dos problemas existentes e investigaremos as responsabilidades para tomar as medidas cabíveis”, disse o secretário Cobalchini. Entre as áreas que necessitam de intervenção, o grupo vistoriou diversas pontes que estão com a estrutura comprometida e áreas em que há risco de desmoronamento de morros sobre residências. Nos fundos da Escola Alberto Schimidt, as autoridades constataram que uma obra de contenção da encosta está sendo refeita, mas ainda há risco de deslizamento e o ginásio da unidade escolar continua interditado.
O agricultor Olério Fischer teve parte de sua casa coberta pelo desmoronamento de um morro que fica nos fundos. Depois de ficar um ano e três meses desabrigado, ele foi autorizado a voltar para casa, mas um laudo técnico aponta que há uma fenda no topo do morro, por isso a família corre risco. “A gente voltou porque não tem para onde ir.” Na opinião da presidente da Adarb, a família deveria ter sido indenizada e reassentada, pois não há projeto para recuperação da área.
Outra reclamação dos moradores é quanto à necessidade de desassoreamento do rio Baú, que a cada chuva transborda e causa prejuízos à agricultura, de acordo com o presidente da Câmara de Vereadores de Ilhota, Luiz Peixe (PDT). Já no terreno destinado ao reassentamento de moradores que perderam as casas na tragédia de 2008, as reclamações dizem respeito à falta de qualidade das habitações. A previsão é de que 65 casas sejam construídas no local, que não tem saneamento básico. Até o momento, apenas dez unidades foram erguidas. São casas de baixo padrão, construídas com madeira de pínus e telhas de amianto. Essa obra está sob responsabilidade da Cohab, mas em função da demora, muitos moradores estão construindo com as próprias mãos, nos finais de semana.
As providências
A deputada Ana Paula Lima vai encaminhar relatório sobre o que foi constatado na vistoria à Cohab, ao Ministério Público e ao governo do Estado, pedindo providências. “Há muito tempo a comunidade está denunciando obras que não foram concluídas e outras que foram malfeitas. As autoridades receberam recursos para resolver esses problemas, por isso queremos satisfações.”
O deputado Ismael dos Santos considera que o Parlamento tem um compromisso com a sociedade, que é o de fiscalizar as obras e marcar presença para ouvir as demandas. Ele acredita que, após a vistoria, o governo do Estado vai encaminhar as providências necessárias para restabelecer a normalidade no cotidiano do lugar. Já o deputado Sargento Soares diz que o poder público tem obrigação de cobrar qualidade nas obras executadas. “É um absurdo constatarmos serviços malfeitos como vimos aqui. A responsabilidade deve ser cobrada.” (Lisandrea Costa)

