Comunicação

Comissão faz vistoria no Hospital Florianópolis


10/06/2011 - 20h20min

Visita ao Hospital Floriaanópolis

Visita ao Hospital Floriaanópolis

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Volnei Morastoni (PT), realizou quinta-feira (9) visita surpresa ao Hospital Florianópolis (HF), localizado na zona continental da capital catarinense, em reforma desde 2009 e sem data para ser reaberto. A sugestão, feita pelo deputado Sargento Amauri Soares (PDT), foi acatada ontem à noite, durante audiência pública realizada no Palácio Barriga Verde.

O diretor do HF, Elcio André Madruga, não compareceu à visita que reuniu parlamentares, servidores do HF, líderes comunitários do Estreito, da Coloninha, sindicalistas e representantes da Secretaria de Estado da Saúde. A comitiva chegou ao Hospital por volta das 9 horas, para verificar in loco a real situação da instituição que fazia cerca de 40 mil atendimentos de emergência, por mês, reduzidos hoje a 5.500. Apenas seis, dos 96 leitos em funcionamento até 2009, permanecem ativados. O corpo funcional também foi desmembrado e dos 645 servidores que atuavam na instituição somente cerca de 150 ainda estão lotados no mesmo lugar.

Durante a visita às obras em andamento, o vice-presidente da Associação Amigos do Hospital Florianópolis (AHFLOR), Anésio Silva Botelho, afirmou que os moradores temem uma possível privatização já que a Secretaria de Estado da Saúde não deixou claro quais são os seus planos para a instituição. A entidade doou R$ 450 mil para pagar os projetos da reforma da emergência, do 2 º e do 3º andar, e da construção de um anexo, e quer que o HF seja devolvido à comunidade nos mesmos moldes de atendimento.

Maria do Socorro Gomes, residente na Coloninha, afirmou que os moradores do bairro também não querem que o HF seja privatizado. Ela disse que, além de atender várias especialidades e ser referência em algumas delas, o hospital também cumpria sua função social, atendendo inclusive moradores de rua. Gregório Silveira, morador do bairro, diz que, devido ao fechamento do HF, está desde 2008 aguardando uma cirurgia no braço: “Isto não aconteceria se este hospital estivesse funcionando”, denunciou.

O Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde Privado e Público Estadual (Sindisaúde) também defende o hospital público, conforme Isabel Figueiredo Bitencourt, representante da diretoria e servidora do HF. Márcio Fortes, membro do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência do Serviço Público Federal em Santa Catarina (Sindiprevs/SC), garante que todos estão lutando para que o hospital não feche e que o corpo de servidores seja mantido, embora admita que haverá uma defasagem de cerca de 40% devido à aposentadoria dos servidores federais.

Os deputados Morastoni e Sargento Soares, que fiscalizaram todos os andares, disseram que problemas de gerência, falta de autonomia financeira e administrativa e servidores sobrecarregados são uma constante nos 14 hospitais públicos de Santa Catarina. Os parlamentares apontaram a falta de uma política clara de apoio e incentivo para a saúde, além de mais suporte aos pequenos hospitais do Estado que estão abandonados e muitas vezes são mantidos pela prefeitura ou pela comunidade.

“Esta visita é importante para conhecermos a realidade como ela é. O HF está em uma situação estranha por falta de planejamento. Existe um processo de “enrolação”. A emergência só funciona hoje pela brava resistência de seus servidores, mas não está claro qual é o plano do governo para a instituição. Mas a comunidade quer o hospital reaberto no mesmo caráter que tinha anteriormente”, afirmou Soares.

Morastoni lamentou a falta do diretor do HF à visita das obras. “Estamos elaborando um relatório mostrando todos os problemas dos hospitais de Santa Catarina. Este documento será uma colaboração preciosa para o governo do Estado. Estamos fazendo a parte que nos cabe, um diagnóstico da saúde no Estado. O HF em reforma há anos está sobrecarregando os demais hospitais, prejudicando a comunidade, e ninguém sabe com certeza o que vai acontecer com este hospital que tem uma vocação clara demonstrada pelo envolvimento que a comunidade da Coloninha, e até mesmo de outros municípios, como Biguaçu e Palhoça, tem com esta instituição e pela longa mobilização pelo seu pronto funcionamento”, definiu.

Mara Regina Grando, assessora do Superintendente da Comissão de Hospitais Públicos da Secretaria de Estado da Saúde, Libório Soncini, acompanhou a visita e disse que os atrasos nas obras são consequência das várias alterações nos projetos de engenharia. Mas, ela não soube informar sobre uma possível data de conclusão da reforma do HF. Para chegar a resultados concretos, a Comissão de Saúde pretende realizar dia 28 de junho uma reunião com representantes de todas as instituições envolvidas, inclusive a Secretaria de Estado da Saúde, para definir com clareza o destino do Hospital Florianópolis. O encontro deve acontecer na Assembleia Legislativa. (Rossana Espezin)

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